Ateísmo em si, causa desfocada


por Bruno Cava

O leitor considere esta uma crítica interna. Sou ateu hormonal. Tem gente que nasce gay. Eu nasci ateu. Nunca sequer cogitei a possibilidade de Deus existir. Nem imagino com que artimanha a fé se instale e funcione na cabeça dos teístas. Quando menino, as tentativas de converter-me no máximo tiravam risinhos e olhares de galhofa. O ateísmo púbere me levava a contestar colegas, familiares, professores. Arrogante, adorava me exibir com as razões prêt-à-porter contra a existência de Deus.

O Velho Testamento li com fervor. Despertava-me impulsos sádicos o protagonista fascínora e suas suculentas histórias de destruição, poligamia e assassinato em massa. Se um dia Quentin Tarantino adaptá-lo para o cinema, sugiro desde já Jack Nicholson para Deus. É o único ator capaz de fazer a gente gostar de um vilão tão depravado. E, se o Novo Testamento pinga menos sangue, vibrei na versão de Mateus, quando o messias anuncia que não veio trazer a paz e a harmonia, mas a espada e o conflito.

Com o tempo, aprendi a controlar os impulsos. Ainda assim, de tempos em tempos, algo lá no fundo borbulha e sofro de surtos ateístas. Desenvolvi uma estratégia. Aproveito-os chafurdando na ontologia. Com ela, aprendi a desenterrar a transcendência de seus inúmeros esconderijos — profundos ou prosaicos.

Portanto, sou ateu e muito ateu. Provavelmente sou mais ateu que todos vocês juntos. Mas não compro a causa do ateísmo, em si mesma.

O ateísmo lembra a ecologia. Amiúde se apresenta como movimento político, mas não diz muita coisa na prática. Pode ser de direita ou de esquerda, conservador ou libertário, racista ou pró-minorias, cientificista ou espiritualista. Como o discurso verde, os gumes podem ser usados para libertar ou para oprimir.

Como se, na urgência das lutas, houvesse tempo e paciência infinitos para debater a metafísica do divino. Imagine se, pra começo de conversa, em cada tema tivermos de dissuadi-las de sua fé, em vez de partir para o que interessa: aborto, casamento livre, direito penal, exploração do trabalho, drogas, racismo etc. Conquistar direitos importa mais, do ponto de vista político, do que tentar livrar as pessoas do que lhes é tão íntimo.

Não critico o ateísmo militante por ser militante, mas por ser ateísmo. Como militância, funciona ao menos para deslanchar a pessoa na dialética pública, na advocacia política, nas técnicas de organização. Só a luta ensina. Afinal, numa geração de zumbis, como não incentivar o ativismo enquanto tal? tem gente que se inicia no ateísmo, outros no grêmio do ensino médio, outros no PSOL. É válido.

Tampouco sou daqueles chatos a clamar pelo “ateísmo saudável”. Ramerrame da moderação. Assim pretendem apagar o brilho luciferiano dos olhos ateus, calar o seu ódio, podar a sua revolta. O caso não é apaziguar o ateu, mas potencializar esse elã de modo eficaz. Trabalhar o excesso ao invés de negá-lo. Pois não se represam hormônios para zerá-los, mas sim para liberá-los no momento certo, na ocasião certa, com as pessoas certas.

Intrigante, por outro lado, a aparição de grupos de defesa dos direitos do ateu. Como se os ateus fossem uma minoria perseguida. Sim, tem gente que não confia em ateus. Mas, pelo fato de ser ateu, alguém: a) foi espancado ao passear pela Avenida Paulista?, b) teve a porta de seu dormitório estudantil queimada?, c) foi barrado de entrar em shopping?, d) apanhou em casa do cônjuge embriagado?, e) foi “confundido” pela polícia? por acaso, alguma vez alguém olhou feio pra você na rua, por ser ateu?

Chega a ser insulto, no Brasil, os ateus nos acharmos oprimidos. O máximo que vai acontecer é não ser votado. Será mesmo? Dos últimos três presidentes (contando a atual), dois são ateus. Claro, tem que ter malandragem na campanha. Se não tem, então por que se candidatou em primeiro lugar? Iria perder de qualquer forma.

Ademais, a militância atéia se mostra enviesada quando se depara com as polêmicas da vida real. Quando se discutem direitos, o ateu reacionário adora chamar os outros à ordem. Conclamar pela unidade do movimento, supostamente ameaçado de divisão por questões esotéricas. Lembrar do verdadeiro motivo da militância: a luta contra a ignorância do mundo. Pinta aquela palavra sectária: “divisionismo”.

Nesse sentido, recentemente um site mantido por “céticos” chegou a tripudiar de um outro por “vir se tornando um blog GLS” (!). Nome aos bois: a Central Ceticismo falando do Bule Voador. Justamente do melhor site do gênero. Em vez de ateísmo desbundado, o Bule Voador foca questões concretas, defende pautas de esquerda e se articula como movimento político. Basta conferir lá artigos de Eli Vieira, Rayssa Gon ou Eduardo Patriota, um contraexemplo ao que escrevi.

Então qual é o ponto?

Meus hormônios podem não concordar, mas a ideia de Deus não é incompatível com a democracia e a liberdade. No fundo, o problema não é a fé, mas a apropriação política do medo e da esperança. Menos a religião do que as pretensões políticas de salvadores, profetas e igrejas. O problema não é a relação pessoal com a divindade, mas a inscrição dela em regimes dogmáticos de autoridade e obediência.

A militância atéia enfrenta um falso problema.





Bruno Cava

Engenheiro aeronáutico e bacharel em direito, mas gosta mesmo é de literatura e cinema. Autor de A vida dos direitos: Ensaio sobre violência e modernidade (Lumen Iuris, 2008).








MAIS RECENTES


  • Ok, mas…
    Alguém já conseguiu separar religião de “pretensões políticas de salvadores, profetas e igrejas”?

    O progresso social, político e técnico-científico de países que estão abandonando a religião não depõe contra sua tese?

    Saudações ateias!

  • Discordo em absoluto. Não podemos ignorar que crença na existência de Deus delineia-se em jogos de poder efetivamente nocivos e ligados a manutenção de um tipo específico de alienação em massa. Mesmo discordando da ação ali proposta, recomendo a leitura de “Deus está morto, mas Ele não sabe” de Slavoj Zizek.

    Sim, é ridículo levantar uma simetria entre o racismo e o preconceito com ateus no Brasil. E é ridículo em diversos níveis — um deles é justamente a diferença de esferas nas operam esses preconceitos. Sendo assim, estabelecer uma hierarquia de causas é igualmente ridículo.

  • BTW, quem não leu, aproveite agora a oportunidade para ler a entrevista com o André Cancian, onde ele também fala do “ateísmo em si” — http://www.amalgama.blog.br/08/2010/entrevista-andre-cancian/

  • eltonbcastro

    Perfeito. Não poderia concordar mais.

  • Bruno,

    Já protagonizei uma vez em meu blog um comentário sobre as propagandas ateístas que seriam veiculadas em ônibus em algumas capitais brasileiras (O que acabou não dando certo devido ao conservadorismo e medo do ateísmo). Você participou e comentou ser simpatizante da causa, mas às vezes te causa inquietação essa militância atéia. Eu respondi, mas acredito que não tenha visto, que de certa forma eu faço essa mesma ressalva, pois não gosto do ateu que prega seu não-deus. Já li algumas críticas de ateístas a esse ateísmo religioso, ele me incomoda também. Minha postura é a de confronto. Mostro minha cara, digo não acreditar num deus e estou pronto para o debate. Acredito que seja exatamente esta a medida, pois nossa voz tem apenas começado a insurgir.

    Porque é importante sairmos do armário – um contraponto no diálogo sobre estes assuntos que você citou. Acompanho blog de cientistas brasileiros excelentes, mas que são religiosos e contra o PLC 122, ao que chamam de ‘mordaça gayzista’. Lembremos do caso do aborto nas eleições. Causou um clima tão ruim e vi muita gente inocente mudar o voto. Um absurdo!

    Mas o ateu que aparece com um discurso choroso, falando em seus direitos e quase que querendo tomar o poder, partilhando dos mesmos erros dos que tanto denunciam, estão mesmo em um falso propósito, tão ou menos esclarecidos quanto aos crentes, e tecnicamente diferentes apenas pela descrença. Qualquer fim que não seja o secularismo ou o esclarecimento é um propósito obscuro, obtuso.

  • Salve, BOB,

    É irônico você manejar a acepção pascalina de “ridículo”. Porque servia precisamente para blindar a esfera do transcendente, ante os “tentáculos” da razão. Tentar racionalmente falar de Deus seria “ridículo”. O ridículo pascalino surge, portanto, para separar esferas e instalar uma hierarquia entre elas: Deus acima de tudo, e a teologia como píncaro do conhecimento.

    Se, por outro lado, você introjeta o “ridículo” para separar esferas, porém não as hierarquiza, aí estamos em mais um relativismo — moderninho, mas bobo.

    Por último: ninguém falou em causa menor. O problema não é anatômico, mas ótico.

    Abraço.

  • Erandir Toneto

    Ao autor.
    Não sei se por desconhecimento de causa ou por ironia que escrevestes:
    a) foi espancado ao passear pela Avenida Paulista?, b) teve a porta de seu dormitório estudantil queimada?, c) foi barrado de entrar em shopping?, d) apanhou em casa do cônjuge embriagado?, e) foi “confundido” pela polícia?

    Essas coisas só não acontecem com mais frequencia porque o ódio por ateus faz com que, de uma certa forma, não expressemos o que de fato pensamos.
    Eu já fui agredido fisicamente sim.
    Os outros casos só não ocorrem porque a grande maioria de nós estamos “no armário”. Nos manifestamos na internet, onde o risco é bem menor.
    Não julgue a sua experiência particular como se uma unanimidade fosse.

  • Alguém aqui imaginaria um apresentador de programa policial culpando negros, judeus, mulheres ou homossexuais pela violência? Pois é, mas um culpou os ateus. Se isso não é preconceito, mudemo-nos logo para um gueto só nosso.

  • Sinceramente, eu não sei se me sentiria tão seguro quanto me sinto se passasse a expressar o fato de ser ateu de uma forma, digamos, mais visível.

    Exemplificando.

    Quase todo mundo que conheço sabe que sou ateu. Até aí, tudo bem. Não se toca no assunto e vivemos a vida tranquilamente.

    Porém, não sei se seria assim caso eu resolvesse vir trabalhar com camisas em que estivessem escritas frases ou declarações “antirreligião” ou “antideus” (sejam frases jocosas, sejam frases de ateus famosos, sejam frases mais contundentes). Sem dúvida eu colecionaria alguns olhares raivosos, algumas viradas de cabeça e, quem sabe, até alguma agressão verbal gratuita. Na minha percepção pessoal, o simples fato de eu declarar em uma conversa que não acredito no deus e nas crenças do meu interlocutor, já cresce uma aura de prepotente, intolerante e “cabeça-fechada”, mesmo que eu tenha dito apenas algo como “não acredito (insira aki seu dogma favorito)…

    O próprio silêncio (auto-imposto ou não) a que nos vemos obrigados de vez em quando (afinal, pra que vou fazer fazer minha avó chorar dizendo que as coisas em que ela acredita são pura bobagem?) pode ser uma fonte de frustração para muitos ateus, uma vez que dependendo do meio em que vivem não há outra opção factível a não ser a boca fechada.

    Concordo em parte com o autor, no sentido de que lutar APENAS para dar voz aos ateus não me parece suficiente (pelo menos se fosse SÓ isso, não teria a mesma satisfação que tenho). É importante? Sim. Mas, para mim, não é suficiente.

    O que me leva a agradecer publicamente ao Bruno por ter escrito que o Bule Voador é o “melhor site do gênero”. Como integrante do grupo de pessoas que constroem diariamente aquele espaço, não poderia deixar de registrar a felicidade em ver tal trabalho reconhecido.

    Abraço a todos.

  • Marcio

    “Chega a ser insulto, no Brasil, os ateus nos acharmos oprimidos.”

    Ateu só não é oprimido no brasil porque não se manifesta publicamente.
    Se fosse possível identificar um ateu por alguma característica fisica (ou até mesmo visual, como um simples ‘chapéu de ateu’), a maioria dos exemplos que você deu de opressão CERTAMENTE aconteceriam com ateus também.

    Se voce não acredita, vai para as proximidades de uma igreja evangélica qualquer e fica tentando converter aos berros as pessoas para o ateísmo. Depois conta se voce foi oprimido ou não.

  • Texto tem muito a ver, quando trata de religião no último parágrafo, com outro texto aqui do Amálgama http://www.amalgama.blog.br/02/2011/quando-confunde-se-religiao-com-praticas/

  • Leandro: esse discurso saco-de-gatos também poderia ser: alguém já conseguiu separar política de corrupção? Existem muitas formas de praticar a religião, nem todas implicam oprimir os outros, do mesmo modo que nem todos os políticos são corruptos. Saudações.

    Dandi: muito ponderadas as colocações. Alex, obrigado. Mas reparem, quem vai atacar, pro-ativamente, qualquer idéia, qualquer ideologia, tem de preparar-se para a reação. Se você se anuncia anti-algo, tem de preparar-se para a reação dos defensores do algo. No ME, criticava os “socialistas de almanaque”, e sempre sofri, como outros estudantes ativos na política, certa antipatia/perseguição deles, mas nem por isso aleguei preconceito por ser esquerda heterodoxa. Tente fustigar o pessoal da UJS, e você verá com mais nitidez o que digo. É questão de estratégia. O ponto está precisamente que o esforço e a revolta e o ódio dirigidos à idéia de Deus (a relação pessoal de cada um com a divindade) conquistam menos direitos do que se fosse direcionado à legalização do aborto, ao casamento livre, ao estado/ensino laico (que é agenda anticlerical e só incidenter tantum ateísta), ao absurdo da pena de morte etc. Não me agride a relação pessoal de alguém com Deus (senão num nível hormonal, plenamente controlado). Mas me agride alguém vociferar moralmente contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou o direito da mulher sobre o corpo. Abraço.

    Alex, se você vai berrar na porta de uma igreja evangélica contra a evangelização, tanto faz se é ateu, hare krishna, católico ou budista, é óbvio que o tempo vai fechar. Isso não vai mudar nem num país com 90% da população for atéia.

    O Datena fala mal dos ateus, assim como muitos evangélicos e crentes em geral falam. Mas há desvio de perspectiva em concluir daí que o ateu é a minoria oprimida. Qual a opinião dessas mesmas pessoas sobre o candomblé (religião afro)? e o islamismo? e o Santo Daime? O preconceito se dirige contra todos os sistemas de pensamento discordantes, e não como movimento unificado dos religiosos contra os ateus. Cada igreja vende o peixe e muitas desacreditam as outras, e nesse contexto vêem o ateísmo como mais uma concorrente no “mercado”. O preconceito aí é contra quem pensa diferente.

    Repare, nota bene, que a luta pelo candomblé é legítima, busca direitos iguais à minoria afro-cultural que são concedidos às religiões ocidentais. Eu sou ateu e compreendo isso: querem tratamento isonômico. Há nisso também um componente racial. Vocês vejam, deixem-me divagar um pouco, que até a condenação da maconha tem origem no racismo brasileiro (o primeiro e por muito tempo único país que a criminalizou): http://www.cabecaativa.com.br/content/raizes-da-proibicao-da-maconha-racismo-e-preconceito

  • bruno:
    levei pra minha página no facebook. um abraço no daniel.
    romério

  • Apenas duas considerações: já fui hostilizado por ser ateu. Experimente ser um ateu, publicamente, em uma cidade do interior mineiro diante da maioria católica hipócrita, aquela que frequenta missa aos domingos para desfilar roupas e falar mal da vida alheia.

    De resto, acho que religião, ou falta dela, é um exercício da liberdade no âmbito privado, portanto deve ser praticada entre quatro paredes, e não nas ruas ou templos abertos. Entre quatro paredes vale tudo, até orar ou rezar para um deus punidor criado a imagem e semelhança do homem.

  • Perfeito.

  • Pingback: O ateísmo voltou à blogosfera | Outras coisas e afins()

  • Concordo em praticamente tudo, Bruno. Se nós nos focarmos numa militância contra a relação que algumas pessoas alegam ter com esse deus pessoal, no fundo, nós estaremos afirmando essa crença pela negação. Uma militância verdadeiramente libertária exige um outro olhar sobre essa luta, na qual deixemos de lado o debate refratário onde é defendida a inexistência desse deus para, com os pés fincados no chão, construirmos uma alternativa prática que neutralize seu uso pelo Poder como instrumento de dominação dos corpos.

    Sobre a relação teísmo-ateísmo, eu também entendo que é preciso escapar a essa dicotomia. Trata-se de uma falsa problemática posta justamente pelos teístas que, por sua vez, não deixa de girar em torno da figura desse Deus pessoal e transcendente – que não precisa ser negado, a questão aqui é de construção de alternativas práticas.

  • Sudário de Jesus

    Triste vida do ateu.Ele tem a certeza que após a morte só existe …nada.Morreu,acabou.Isso é angustiante,desesperador.Nem mais uma chance,nem de cozinhar no fogo do inferno.

  • Raimundo PI

    “a) foi espancado ao passear pela Avenida Paulista?, b) teve a porta de seu dormitório estudantil queimada?, c) foi barrado de entrar em shopping?, d) apanhou em casa do cônjuge embriagado?, e) foi “confundido” pela polícia? por acaso, alguma vez alguém olhou feio pra você na rua, por ser ateu?”

    d)Já ouvi relatos de conjugues, mas o maiores casos de agressão é dentro da família.

    Já me olharam feio na rua, na escola e no trabalho. Discussões e ofensas não me faltaram, chegando aos níveis de calúnia e difamação, isso por eu ser um ateu assumido.
    Agressões quase cheguei as vias de fato, evitado pelo meu porte fisico e conhecimento de artes marciais.

  • Ateísta CapiXaba Netto

    “mas a ideia de Deus não é incompatível com a democracia e a liberdade.”
    Então o Oriente Médio deveria ser Democrático ao extremo e o Irã um “baluarte da liberdade” mas estes são Ditaduras Teocráticas que o nosso governo julga “parceiros econômicos importantes”, sem esquecer que o Ex-Presidente Lula defendeu publicamente a “reeleição”do Ditador Amahinejad .
    Se se insurgir contra esta Imbecilidade é fazer um “ateísmo desfocado” então prefiro ser Daltônico.
    E nenhum dos Presidentes assumiu que era “ateu” nem mesmo FHC .

  • Haller

    … me vejo como um peixe fora do vosso aquário. Bruno e os demais venho em paz e respeito a posição de todos e faço questão de deixar claro que o meu respeitar significa não ofender porque encontrei pessoas que pensam totalmente diferente.
    Quero deixar claro que sou cristão creio em Deus e na Bíblia e tenho motivos definidos para o fazer porém entendo que é na diversidade de pensamentos e com o devido respeito mútuo desenvolvesse o crescimento interior
    Bruno, não entendi o foco central dos ateístas e ao mesmo tempo o que é defenido como o mais importante na questão do dia-a-dia de vocês .

    zona de guerra = a Poder, diz a célebre frase “quer conhecer o homem dê poder a ele”
    poder nas mãos indubitávelmente vai gerar um sistema feudal que produzirá sempre o que vemos e vivemos a muitos séculos, alguns poucos “comem e bebem as delicias do olimpo” sistemas como Vaticano(homens não podem casar-se para não deixar bens), homens com Edir macedo(Igreja universal), Vissarion (Sibéria) e centenas de outros que nem valem a pena e do outro lado temos o povo(a massa)sendo manipulada e os poucos dizendo o que ela deve fazer.
    Pergunto: qual a diferença de sistemas que manipulam massas para o seu bel prazer ? se é um sistema ateu, judáico, mulçumano, espirita, maçom, religioso, budista, etc. No final de tudo isso a questão fica sendo tão somente quem manda mais e quem tem mais poder !! não é isso que sempre vemos na História… logo Deus não tem culpa nenhuma daquilo que o homem faz e mesmo que tenha sido feito em nome de Deus não significa nada que Deus tenha aprovado os atos do homem.

    Em nenhum momento vi vocês defederem a liberdade de uma mente livre, veja bem, o que ficou mais claro por parte de vocês foi o fato de quererem protestar com veemência contra a religião a fé e a Bíblia como disse o Bruno a respeito do velho testamento, mas se vencerem o que isso mudará em uma sociedade carente de homens como Aristóteles, Platão, Maimônides, etc, não mudará nada, apenas imposição de poder, mais uma vez de poder e mais poder, muito bem os Ateus venceram e não há nenhum problema nisso mas qual será agora a ideologia e a não superficialidade das teorias a serem vividas, muitos ateus não sabem ainda o que querem.

    O que é moral e ética fora dos dicionários, vividas na prática.
    Quais são os valores que norteiam e definem quem nós somos ? na vida real
    Respeito a todos os seres vivos, benevolência e longanimidade no ônibus, trem, trânsito etc .

    Tudo deveria apontar para o mais sublime dos sentimentos o amor mas a sociedade rotulou que só os fracos amam e isso não vai mudar tão cedo, mas os resultados apotam para o fracasso desta linha amarga, leia o livro de psiquiatria de Andrew Solomon “o demônio do meio dia” para dar uma idéia melhor sobre o generalizado problema que a sociedade vem passando e se afundado na depressão.

    Haverá o grande “DIA” em que as pessoas dar-se-ão as mãos em nome do respeito ? eu defendo essa causa e isso não é religião isso é Jesus Cristo quem ensinou, o mundo não é pior pela diversidade de pensamentos e sim pela incapacidade das pessoas em respeitar, perdoar e fazer o bem.
    Em suma, a proposta bíblica entendida e Jesus Cristo vivido, provoca dentro do homem mudança de violência para respeito e compreensão ao próximo, raiva para misericórdia, vingança para perdão, mágoa para alegria, fracasso para oportunidade, incerteza para esperança. Deus é poder que não produz morte e sim vida.

    espero não ter ofendido a ninguém e muito menos o autor pois não vim com esse propósito, caso tenha feito peço desculpas, sempre me preocupo em debater assuntos e não a dignidade e a liberdade de expressão de cada um …

  • 1berto

    Eu acho que o debate sobre ateismo e religiosidade é válido. Como quase todos os debates é improvável que produza resultados imediatos e reconhecimento dos erros de qualquer das partes, no entanto contradizer o discurso religioso cria um tipo de consciência diferente nos religiosos, muitos deles percebem por exemplo que não usam a bíblia para decidir o que é certo ou errado, embora sempre tenham feito isso nunca tinham pensado desta forma. A pessoa não deixa de acreditar em deus mas se abre a noções bem mais seculares para tomada de decisão.
    É claro que isto se aplica a pessoas moderadas que felizmente são a maioria.

  • Monica

    Ja fui ateia – atoa etc. Agora sei que Deus existe. Bruno, penso, coitado de vc. Mas seu dia, se vc deixar, chega. Embora Deus seja uma pessoa, não O confunda com a maneira de agir das pessoas que vc conhece que usam o nome de Deus. Mas eu garanto a vc que ele existe cara. He does exist!

    • É por isso que o debate é tão difícil. O crente diz “coitadinho” do ateu. Ateus me dão pena. Mas eu os respeito. Bem, nem todos os ateus são atoa como você foi. Poupe sua pena para si mesma, para a “ateia” que foi.
      Quero aproveitar para lançar uma proposta para os que acham que ateus não sofrem preconceito: coloquem em seus carros ou em sua casas adesivos como “Sou feliz por ser ateu” ou “deus não existe”, e vejamos o que acontece.

  • Deus sem você é Deus. Você sem Deus é LIVRE!

    Acho interessante os crentes darem “prova” da existência de deus baseada em coisas como: “eu garanto”, “está escrito”, etc.. (argumentos paraguaios – la garantia soy yo) Será que já tentaram pensar e raciocinar? Eles têm pena de ateus quando estes morrerem, eu tenho pena de crentes enquanto viverem …. não sabem o que estão perdendo deixando de ter medo de um cara barbudo, carrancudo, vingativo e que vai matar quem não o bajular, poderiam contribuir muito mais para a humanidade que ficar rezando num canto….Discussão com crente é perda de tempo, como discutir com base em dogmas? Fico imaginando um crente discutindo o paradoxo do gato de schroedinger – o gato está vivo E morto? Mas se tiver deus no coração, o gato nunca estará morto, provocando o colapso da função de onda… Só voltarei a discutir com crente o dia que eles cumprirem o que está escrito nos evangelhos e levarem a palavra a todo canto, mas não adianta levar a palavra de deus para quem já quer ouvir baboseiras, quero ver levar a crença de que Jesus é o filho de Deus para os iranianos, por exemplo. Se o deus dos cristãos é tão bonzinho, tenho certeza que os aiatolás serão convertidos e nunca mais haverá terremotos em cidades com nome de “Igreja de Cristo”, na Nova Zelândia.

  • Veridiana

    Seu texto é ruim em tantos níveis que nem sei por onde começar.

    No início já dispara uma clássica retórica para tentar se mostrar mais “qualificado” ou mais “experiente” que qualquer outro ateu: “(…) Provavelmente sou mais ateu que todos vocês juntos…” – Sinto muito, mas isso é patético e não contribuiu em nada para as considerações que faz a seguir. É pura tentativa de influenciar a seu favor a opinião dos leitores. Se você tivesse argumentos realmente bons não precisaria apelar a forma mais básica de apelo a audiência.

    Em seguida você tenta argumentar que pelo fato de ateus *teoricamente* não serem espancados na rua, ou terem sofrido qualquer tipo de agressão então a existência de grupos em defesa dos ateus não é justificaável. Você tem certeza que é advogado? Se formou em um curso por correspondència?

    Além de estar errado quanto agressões físicas e morais que os ateus sofrem (é claro, em número muito menor que os homossexuais, por exemplo) você parece esquecer é talvez seja simplesmente desonesto em ignorar como o laicismo (na verdade, a falta dele) é ignorado em nosso país; no dinheiro, no ensino religioso nas escolas públicas ou a simples destinação de dinheiro público para atividades religiosas, como a Marcha Para Jesus. Nossos direitos não são infringidos apenas quando somos agredidos fisicamente, moralmente ou quando sofremos preconceito (já fui despedida quando revelei ser ateía!) – temos nossos direitos violados diariamente pelo estado.

    O verdadeiro insulto são pessoas como você que acham que os ateus não enfrentam problemas reais.

    Não quero me extender mais porque acho que já dei atenção demais para um texto tão ruim. Só gostaria de frisar outro comentário anterior ao meu, do “Ateísta CapiXaba Netto”, que comentou muito bem sobre outra besteira que você disse: “a ideia de Deus não é incompatível com a democracia e a liberdade.”

    Como bem disse Richard Dawkins, “ateus” como você, que tentam iniciar uma argumentação com “sou ateu, mas…” geralmente são aqueles com as opiniões mais ignóbeis.

    • Olá, Veridiana. Você tem algum tipo de prova da causa de sua demissão? Esse tipo de caso não pode passar em branco.

  • Teresa da Vila

    Gostaria um dia de ler ou ouvir um depoimento de um ateu , mesmo hormonal como vc, que não precisasse usar em seu discurso o tom de deboche, aliás, tão inflamado quanto o de um evangélico. Mas tivesse a tranquilidade de expor seu pensamento e seus sentimentos, ou mesmo a falta deles. Li isto hoje e acho que cabe aqui:
    “Espiritualidade é uma atitude existencial, uma maneira de viver em maior
    profundidade. Ela não depende da formalidade da fé e nem da sagacidade do intelecto. Não se restringe à postura de posse exclusiva de qualquer religião ou igreja enquanto entidade; até ateístas podem ser místicos.” (Acácio Nascimento Júnior)

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  • Cesar Reis

    Cheguei atrasado para comentar. Mas vá lá, se por acaso estas minhas poucas linhas possam ser lidas, assim será.

    Bruno, não entendi chongas!

    Que é ter sido ateu, achar depois que era ateu-teísta, mas continuando a ser ateu? Brincadeirinha, caraminholas, diversão contextual e dialética, não é mesmo? Que é escrever no Bule Voador? É ser ateu escrachado, pregar desavergonhadamente o ateísmo. Ser completamente darwinista, arrogante, anti-clerical e fingir-se democrático.

    O tal Bule, não difere em nada dos outros, talvez um taquito na forma, na apresentação. No contexto é igualzinho a todos os demais: uma droga cética fantasiosa passando-se por vítima da perseguição crente. “Um farol de luz no negro deserto do mundo religioso”. Escrevem horrores do Chico, do espirtísmo, das religiões, do esoterismo, de tudo enfim o que seja do espírito.

    Atenho-me nisto, após ter lido seu hormonal-visceral não-texto não-ateísta, de final puxa-saquista, por que aquele espectral blog já uma vez houvera saido do ar, fechado por seu principal articulador, que simplesmete o encerrou por vingança ao presidente da ATEIA – uma associação maluca dos ateístas contra o mundo. A razão do articulador fechar foi simplesmente porque o presidente da ATEIA, da qual fazia parte o personagem blogueiro, foi surpreendido pela revelação do próprio de que ele era ve-ge-ta-ria-no. Traidor! É mole?

    Pois bem, o dissidente, garboso e bizarramente fiel aos princípios do esdrúxulo ateísmo, não aguentou ficar no ostracismo e logo reabriu a tampa do bule. É aquele mesmo bule que ainda arde nos fogos pirotécnicos da internet a derramar as mesmas e virulentas imprecações.

    Pois bem, prezado ex-ateu e atual defensor do ateísmo, agora você me pos um grilo na cabeça. Fico na dúvida se existe ateísmo da esquerda, da esquerda-centro, da direita e da direita-centro. Se existe, a qual derivação partidária o amigo se situa, e não venha com demagogias conforme foi seu bem escrito texto apócrifo por que tudo seria a mesma coisa!

  • L D

    Com certeza. o ateismo está aos poucos se tornando uma oligarquia ( poder concentrado nas mãos de poucos) é muito estranho isso,poís ateus refletem,pensam,raciocinam,não sei se é porque existem pessoas que fazem questão de pertencer a algum grupo. Há uns dias estava em um debate em um site ateu ( por questão de bom senso não vou dizer qual é) e o que eu percebi lá é que aviam dois grupos de ateus .O debate era sobre homosexualidade, quando eu citei parte do wikipedia falando do transtorno de identidade degenêro,ás causas e o comportamento ( para podermos debater se era ou não comum) muitos se enfureceram, e deixaram a estupidez e a falta de educação falar mais alto.Não aguentaram ouvir uma opinião diferênte,queriam que todos concordassem com eles,Até pareciam religiosos quando são contrariados ( só faltaram jogar pedras). Mas então eu expliquei que não sou homofobico,só tenho muitas duvidas nesse tema.E ao ler esse texto lembrei disso. E realmente você tem razão, mesmo no mundo só existissem ateus mesmo assim uma minoria manipularia a maioria ( oligarquia ateia, isso é incrivel!)

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