Certo e errado na língua portuguesa

por Carlos Orsi

Parece que a elite jornalística brasileira descobriu, na semana passada, que os professores de língua portuguesa não se referem mais a formas “certas” ou “erradas” de emprego do idioma, e sim a formas “adequadas” e “inadequadas”.

O que é engraçado, porque eu me lembro de que, em minhas primeiras aulas de gramática de ensino médio, lá se vão 25 anos, as coisas já eram assim. Lembro-me até de como o professor introduziu o assunto, exemplificando que, embora uma forma como “É nóis aí, bróder” possa ser útil na pelada de fim de semana, chamar o pai da namorada de “mermão” poderia prejudicar as chances de sucesso do romance.

Enfim, se a coisa é ensinada dessa forma há 25 anos (pelo menos), por que o escândalo agora? Os jornalistas em atividade hoje não fizeram ensino médio? Fizeram e esqueceram? Faltaram nessa aula? Se deixaram os bancos escolares em eras ainda mais remotas, nunca prestaram atenção nas lições que seus filhos, netos, bisnetos, traziam para casa?

O que talvez tenha causado espécie, ao menos pelo que se vê nos exemplos destacados pela mídia, é a brutal relativização a que a chamada norma culta da língua é submetida no livro que serviu de estopim ao escândalo, o tal Por uma vida melhor. Fica a impressão de que a norma culta é fruto de uma espécie de conspiração das “zelite” para submeter o povão a “preconceito linguístico”.

Essa visão, tacanha e populista, deixa de dar à norma culta, construída pelo esforço de estudiosos, dicionaristas, gramáticos, escritores e, sim, falantes “comuns”, o devido valor. O respeito às normas estritas de concordância de gênero e número dá à língua uma expressividade e um poder de sutileza que ela não teria de outra forma. Uma das frases destacadas do livro criticado é: “Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado“. O plural parcial seria, argumenta-se, suficiente. Mas esse uso impediria a construção de uma sentença mais rica, como “Os livros ilustrados mais interessantes e o mapa estão emprestados, mas ele será devolvido amanhã”. O português oferece recursos fantásticos, como o sujeito oculto e a elipse, que dependem, crucialmente, do cuidado com as concordâncias, principalmente a concordância verbal.

Resumindo, achar que a norma culta só está aí para que as pessoas que não votam no PT e que se dão ao trabalho de conhecer a língua portuguesa com algum grau de intimidade possam chamar o Lula de preguiçoso apedeuta é um erro (essa possibilidade é apenas um bônus extra). A norma culta está aí porque, primeiro, é preciso haver uma “língua franca” que permita a comunicação entre as diferentes tribos; segundo, porque ela permite articular um grau de precisão e expressividade que as demais normas — tribais, profissionais, étnicas, etc. — não atingem, ou atingem apenas em campos muito específicos.

Numa reação, compreensível, ao sufocante beletrismo engendrado pelo período parnasiano, o modernismo brasileiro entronizou o coloquialismo como uma espécie de valor absoluto. Isso foi um erro. A linguagem coloquial certamente tem seu lugar; é, no mínimo, ridículo imaginar mesóclises, digamos, numa briga de bêbados. Mas uma coisa é reconhecer que o coloquial tem seu espaço e seu lugar. Outra é tratá-lo como valor absoluto.

Falando de minha experiência pessoal como escritor, digo que às vezes me sinto numa camisa de força ao notar que pronomes oblíquos e tempos verbais como o mais-que-perfeito soam “estranhos” em determinados contextos. Trata-se de um empobrecimento líquido da língua: uma perda de poder de precisão, da capacidade de reduzir ambiguidades no texto.

Mas ontem aconteceu uma coisa engraçada no almoço: na fila do quilão, ouvi uma mulher comentando com a amiga, “Esta salada parece boa, você vai comer ela?”. Só que a mulher não pronunciou o “r” do “comer”, e a sentença soou “… vai comê ela?” Daí para a forma correta (ou “adequada de acordo com a norma culta”) “comê-la”, é só um pulinho.

O que me faz imaginar que, se algum dia os populistas linguísticos tiverem sucesso em abolir os pronomes oblíquos, o povo tratará de reinventá-los. Eles não são frutos de uma conspiração das zelite: a língua simplesmente funciona melhor assim.


  • http://transversoes.blogspot.com/ Georgenor Franco Neto

    Prezado Carlos,
    parabéns pelo texto. Também me lembro das observações dos professores sobre as variações linguísticas. Porém, jamais o coloquial e os erros foram postos como absolutos.
    Abs.

  • ProfeGélson

    Esse jeito de falar ”não inflói nem diminói”: o ”Álvaro”, como dizia Adoniran Barbosa, é o Lula.

  • http://www.twitter.com/sergioleo sleo

    È por aí, excelente. Só derrapa ao partidarizar a coisa. Não são só petistas que têm essa tese equivocada da norma culta como conspiração para manter o poder das elites. É toda uma corrente de especialistas com variadas colorações aprtidárias, agluns até antui-Lula. Reduzir esse debate a uma tentativa de legitimar o falar errado de Lula é empobrecer a discussão, que você descreve muito bem no início do artigo.

  • http://blog.pedromoreno.com.br/ Pedro Moreno

    Foi um dos melhores textos sobre o assunto que eu li. Pena que a grande imprensa não mantém em suas fileiras pessoas como você.

  • Luiz André

    A grande questão sobre a língua portuguesa – tanto a que é ensinada nas escolas quanto àquela que é falada nas ruas – está referida ao grau de comunicação entre seus interlocutores, isto é, independentemente se a mensagem escrita não supra as exigências gramaticais ou se a fala coloquial use de subterfúgios linguísticos (gírias e contrações) para que o sujeito se expresse. Pessoalmente, fico do lado das pessoas que sabem manejar a língua portuguesa de acordo com o que a situação requer: não há problema em abreviar palavras em textos virtuais, mas pode ocorrer problemas se for necessário ser objetivo e sucinto quando tiver de apresentar uma paslestra ou explicar um ponto de vista em uma entrevista. Relativizar a língua é abonar os erros e permitir que toda uma construção cultural da linguagem seja abolida pelo desleixo e preguiça de pessoas incautas que procuram esconder suas incapacidades em argumentos pífios e sem conteúdo.

  • Carla Bernardes

    Só sei de uma coisa, se eu ouvir filho meu falando “a mina é ponta firme”, vai ouvir poucas e boas, e nas escolas a molecada toda fala dessa maneira, e o pior, até escreve! As mesmas crianças que futuramente serão cobradas em exames, provas e na vida pelo português correto, e é uma grande pena pensarmos que elas não tem capacidade de aprender o correto, falar correto. Hipócritas são os que defendem esses dialetos e erros e pelas costas zombam da pessoa que fala “pobrema” e mais ainda, não a levam a sério.

  • Bosco

    Não entendí nada desse medo desnecessário tão bem colocado aqui através da norma culta. O que eu sei é que o livro não veio para acabar com a norma culta, nem para ensinar a norma coloquial doravante. A norma dita culta sempre existiu e sempre existirá, no livro não há condenação a ela e nem prega a sua extinção. A linguagem coloquial que usamos na pelada do sábado e nos botiquins, e até no dia dia com nossos familiares, a linguagem da net em emeios e msm sempre são coloquiais e sempre serão. Se eu escrevo um emeio posso utiliza-la ou não. Se esse emeio é para pedir um emprego, ou a mão de alguem em casamento, vou prefir usar a norma culta, como uso na hora de fazer uma redação, um texto jornalístico, ou científico. Já tendo conseguido o emprego vou poder usar a linguagem coloquial com os meus colegas de trabalho. Menos com o patrão e nas reuniões de trabalho. Volto a usa-la em minha casa casa, na padaria, com amigos e vizinhos, nas confraternizações de fim de semana temperada com futebol e cachaça. Isso sempre existiu antes do Lula e existirá depois do Lula. O livro apenas mostra que isso é uma coisa normal em qualquer lingua.
    Não acho isto seja por causa do Lula e sua linguagem coloquial ou do Bolsonaro, e do Pig, que utilizam sempre a norma culta. Como o primeiro é um parlamentar e o segundo é um grupo de comunicadores é perfeitamente normal que usem a norma culta, como também não acho que seja crime contra a lingua pátria, um presidente operário transitar entre a norma culta e a linguagem coloquial no seu cotidiano.

    • Flavio

      Bosco,

      Quem nunca comeu um plural, que queime o primeiro livro. O livro não tem nada de absurdo. Ele apenas expõe que a fala é diferente da escrita. Sim, o “nós vai” é uma variante linguística. E o “você vai comer ela” é legítimo na linguagem coloquial, inclusive por escrito, não há problema nenhum nisso. O importante é saber escolher a variante adequada ao tipo de discurso e situação. Querer calar a voz do aluno é que é, sim, preconceito linguístico, a que os professores mais conscientes estão atentos.

      Os críticos simplesmente não entenderam o texto do livro. Como diz o professor Possenti, se defendem tanto a língua culta, como é que lêem tão mal um texto escrito na língua culta? Numa prova, esses senhores seriam todos reprovados.

  • Carla Bernardes

    Bosco, concordo plenamente com você, o grande problema é quando constatamos que boa parte dessas crianças saem da escola sem saber usar a norma culta e nem falar de forma culta, aí pergunto, onde está o problema?

    • Bosco

      Acho que não há porblema nenhum. Talvez essa norma culta não faça nenhuma diferença na vida deles. Para que aprender algo que não seja tão relevante?

  • http://facebook.com/riccolima Ricardo Lima

    Prezado Carlos, há ideias coerentes assim como enganos no seu texto. Realmente não é novidade relativizar os usos e tratar de adequação/inadequação. Mas, dentro da ciência que chamamos Linguística, realmente não faz sentido hierarquizar as normas ou registros, e perceber isso não se trata de denúncia de conspiração das “zelite”. O que a Linguistica faz é descrever cientificamente o que acontece, em vez de valorar uma ou outra forma. Se algum petista usa isso de forma torta, isso não invalida todos os esforços da ciência. Existem variedades em TODAS as línguas, e a escolha da variedade de prestígio é uma construção que não tem absolutamente nada a ver com correção, nem com a suposta capacidade expressiva da variedade. É uma construção social muito mais atrelada ao prestígio dos falantes. Se não fosse assim, coisas que, no passado, eram consideradas erradas, não passariam a ser certas e explicadas de forma tão lógica e coerente pelas gramáticas. O que acontece é que o português brasileiro foi uma “evolução” do português quinhentista, não do contemporâneo. Porém, os gramáticos miticamente consideraram que Portugal era o dono da língua, e sempre exigiram que os brasileiros seguíssemos a gramática do português europeu. Um exemplo clássico é o pronome objeto, que você citou. No português arcaico, uma frase como “Eu chamei ela” seria totalmente gramatical (fora as questões de grafia e vocabulário, ou seja, me refiro ao pronome). Em Portugal, isso mudou, e os gramáticos cobraram dos brasileiros acompanhar os “donos” da língua. O mesmo vale para próclise, ênclise, mesóclise. Em que sentido “Me diga uma coisa” é inferior a “Diga-me uma coisa”? Concordância entra no jogo da mudança linguística também. Em francês, “a mulher” é “la femme”, e “as mulheres” é “les femmes”, sendo que o “s” final do plural não é pronunciado. Ou seja, os franceses falam o que nós pronunciaríamos “as mulher”. Onde é que a língua francesa perde em expressividade por isso? De fato, a questão do “certo” e “errado” não tem a ver com o COMO se fala, mas com QUEM fala. Assim que uma mudança é assimilada pelas zelite, passa, de fato, a receber uma explicação racional e vira “in”. Obs.: Não sou petista e nem conheço o livro que gerou a pseudo polêmica, mas os argumentos que se ouviram de todos os lados para atacá-los foram lamentavelmente fruto de muita ignorância sobre os processos e fatos linguísticos.

  • http://facebook.com/riccolima Ricardo Lima

    Para resumir: se os falantes de maior prestígio social começarem a falar “os livro” e “os peixe”, é bem capaz de explicarem que a pronúncia sem “s” indica uma sutileza ímpar do falante culto, que percebe, de forma perspicaz, que o artigo já contém a marca do plural. Pronunciá-lo vai ser considerado um erro grosseiro de quem não tem essa mesma capacidade perceptiva desenvolvida ou não teve acesso às melhores escolas.

    • Flavio

      Ricardo, se as “zelite” passarem a falar “os livro”, vão dizer que se inspiraram na pronúncia dos plurais em francês… (quem sabe francês entendeu a referência).

      Os “mano”. Eh!
      As “mina”. Ah!

  • http://facebook.com/linguabrasileira Josué Tomaz

    De todas as pérolas que falaram sobre a questão, esta foi a mais caprichada. “O que me faz imaginar que, se algum dia os populistas linguísticos tiverem sucesso em abolir os pronomes oblíquos, o povo tratará de reinventá-los. Eles não são frutos de uma conspiração das zelite: a língua simplesmente funciona melhor assim”. Será que o autor acredita seriamente que a proposta seja abolir os coitados dos pronomes? O autor acredita – só pode ser uma crença – que a língua funciona melhor de um jeito do que de outro, como se tivesse sido enviada pelos deuses e deturpada pelos míseros e insignificantes falantes? Meu amigo, acorda, em vez de ficar dizendo abobrinha. O que faz a língua funcionar como funciona é o uso, e o que faz uma variante ser escolhida como padrão é o prestígio social de quem usa essa variante. Todas as línguas mudam com o tempo, sob influência dos jogos de poder, das políticas linguísticas, das necessidades reais, das inovações técnicas, das aitividades costumeiras, até do clima e do humor dos falantes. Um falante brasileiro extremamente culto diz: “Me passa o sal, por favor”, enquanto um português automaticamente usa a próclise. Um falante brasileiro extremamente culto pode, em momentos de menor automonitoramento, dizer: “Os menino já vieram?”, e mesmo em Portugal, em alguns casos, não se pronuncia o “s” do plural. Se isso for assimilado socialmente, as regras de plural poderão até mudar totalmente, mesmo na fala e na escrita “culta”. Dizer: “Você não recebeu os livros? Eu lhos enviei na semana passada” é real no Brasil? Não, poderíamos dizer até que é agramatical no português brasileiro. TODOS os brasileiros diriam algo assim: “Você não recebeu os livros? Eu te mandei na semana passada” ou “Eu mandei eles pra você na semana passada”. Ou omitimos o pronome oblíquo (e frequentemente mesclamos os tratamentos tu e você), ou usamos os pronomes pessoais como objeto. O que faz com que os gramáticos não aceitem isso é a mentalidade colonizada, de achar que Portugal é quem manda no idioma. Sinceramente, desculpem, mas é abobrinha demais, hipocrisia demais e estudo de menos para a minha paciência.

  • http://facebook.com/riccolima Ricardo Lima

    Aproveito para indicar o link http://facebook.com/LinguaBrasileira. É mais positivo refletir sobre a língua e observar os belíssimos fenômenos envolvidos com a formação do Português Brasileiro do que ficar reproduzindo dogmas acientíficos, movidos por crenças irracionais. Todo brasileiro tem o direito de assimilar, manipular e usar a seu favor a variedade de prestígio, assim como tem que ter toda a liberdade – sem bullying nem patrulhamento – de usar a variedade com a qual expressa as suas emoções e os seus pensamentos. Isso pode ser inclusive inferido a partir da Declaração Universal dos Direitos Linguísticos. O que chamamos de “norma culta” é dinâmico, nunca para de mudar e, por isso, não pode ser idealizado como a forma correta, que melhor permite que alguém se expresse. Se, na minha comunidade, eu digo: “Oh, Cráudia, sai cá fora e dê uma espiada nesses menino danado, qu’eles num pode ficá sozim”, nada vai expressar o meu pensamento e meu sentimento tão bem nessa situação. Na escola, isso deve ser respeitado como uma variedade, ainda que – na escola – eu deva compreender que, em situações mais gerais e formais, o nome Cláudia é pronunciado com “L” e não passou pela mudança linguística pela qual passaram PRAÇA (plaza, place, Platz), ESCRAVO (Sklave, slave, esclavo) etc. Tenho que ser informado – na escola – que, nessas mesmas situações, quando há somente um, se usa “menino”, mas quando há mais de um, se usa “meninos” (diferente do francês, que pronuncia da mesma forma o singular e o plural; do alemão, que tem outras regras de plural, inclusive manter, em diversos casos, a palavra invariável – der Lehrer, o professor; die Lehrer, os professores). Que, diferente do inglês, o adjetivo deve também concordar com o nome e o artigo (danados). Menciono outras línguas de propósito, para demonstrar que, linguisticamente, os fenômenos são plausíveis e as línguas mudam. No inglês de Shakespeare, havia mais flexões verbais que hoje. No português, as flexões estão diminuindo também: eu falo, você/ele/ela/a gente fala, eles/elas/vocês falam – e não é impossível que em, digamos, 200 anos, só exista a forma “fala” para todas as pessoas gramaticais. Se usarmos inteligência e observação, compreenderemos muito mais as mudanças linguísticas e as variedades existentes em todos os idiomas.

  • http://ultimobaile.com Lucas Jerzy Portela

    Pela bucentésima vez: não existe, nunca existiu, nunca existirá “Norma Culta”.

    Existe Variante Culta da Norma Padrão.

    Ou, como quer Carlos Alberto Faraco (um dos maiores gramáticos da língua portuguesa): apenas variantes. Variante Padrão, Variante Culta, outras Variantes Orais. Nada de Norma.

    Se Faraco diz, não sou eu quem ha-de discordar.

  • Bosco

    Carlos Orsi;
    Acho que você deveria ler esse poste do bule voador e os comentários de lá. Parafrazeando um comentário: “Essa tua birrinha com o Lula e com o PT não te exime de ser mais bem informado, principalmente em um assunto que tivestes a coragem de escrever um texto”:
    http://bulevoador.haaan.com/2011/05/18/sitp_poa_4/#comments

  • Gabriel

    Incrível como jornalista adora se meter a falar de coisa que não sabe! Desbanca toda a produção acadêmica/científica da sociolingüística dos últimos 40 anos sem nunca sequer ter presenciado uma aula de lingüística numa universidade, pelo visto.

    Você nem sequer distingue norma, sistema e língua. Você acha que norma culta é paradigma, sendo que as mesmas – porque normas cultas não são únicas – se encontram no eixo da fala, tanto quanto as normas vernaculares. Norma culta é diferente de norma padrão (esta sim no eixo da escrita). Ou você por exemplo utiliza os clíticos conforme a lei de Tobler-Moussafia? Não faz epênteses na pronúncia de palavras como advogado? Mas chega e critica o “ela” declinada como caso acusativo. Na verdade, no seu próprio texto vemos traços lingüísticos do português brasileiro que diferem da famigerada norma padrão.

    Sugiro procurar estudar mais sobre um assunto antes de escrever a respeito, principalmente num local de acesso público. Afinal, você pode acabar ofendendo pessoas que estudam academicamente os assuntos os quais você mostra não ter conhecimento, escrevendo besteiras com ar de coisa séria ad nauseam. Deveria estudar um pouco mais sobre a sua língua pátria, que é mutatis mutandis. Não existe “empobrecimento de língua”, e nem cultura melhor que a outra, afinal por este viés o português seria um grande empobrecimento morfológico do latim. Fizeram sintaxe para eliminar a morfologia latina, e isso não torna língua alguma “pior” ou “melhor”.

    Leia os trabalhos dos professores doutores Carlos Alberto Faraco, Dante Lucchesi, e Rosa Virgínia Mattos e Silva. Talvez assim você pare de escrever besteira no que tange o português brasileiro.

  • Bosco

    Jornalistas desinformados abrem um livro didático, leem metade de meia páginae saem falando coisas que depõem sempre muito mais contra eles mesmos doque eles mesmos pensam (se é que pensam nisso, prepotentementeconvencidos que são, quase todos, de que detêm o absoluto poder da informação).
    http://marcosbagno.com.br/site/?page_id=745

  • http://revistaforum.com.br/idelberavelar Idelber Avelar

    Gabriel, Ricardo Lima e Josué Tomaz já disseram tudo, não há necessidade de repetir. O autor pode ter feito o ensino médio, mas com certeza jamais abriu um livro de Linguística na vida ou pesquisou um fato linguístico por mais de dois minutos. Não leu sequer o capítulo que gerou a polêmica, que em momento nenhum fala em “conspiração” da “zelite” (se há um conceito que não tem qualquer papel na Lingústica, é o de conspiração).

    Sugiro, para começar, as pesquisas feitas por Dinah Callou, Eugenia Duarte e Célia Lopes, da UFRJ, no projeto Nurc (Norma Linguística Culta Urbana), que demonstram de forma cabal que praticamente não há diferença entre falantes cultos e não cultos no que se refere à apócope das desinências de plural (em linguagem compreensível para o autor do artigo: também a “zelite” dizem, em condições normais de temperatura e pressão, “os carro estão parado”). Trata-se de uma LEI linguística do português FALADO no Brasil, que tende à não redundância de marcadores de plural. A Linguística só descreve essa lei.

    É uma pena ver asneiras dessa laia publicadas num site como o Amálgama.

  • Julia

    Por que ela não falou logo “comê-la”, né? Era só um pulinho!
    Será que é porque ela estava na fila do quilão e não numa banca examinadora? SERÁ??
    A língua NÃO funcionaria melhor assim, funcionaria da mesma maneira!
    O que isso significa? Que vc começou começou falando bem, mas terminou falando merda.

    ps: quer apostar que logo logo a ênclise não vai mais existir no nosso português?? E não serão os populistas a derrubá-la e sim o povo.

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