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A USP invadida pela PM

por Amálgama (10/06/2009)

por Demétrio Toledo * – José Serra, ex-prefeito-atual-governador-queiram-os-céus-jamais-presidente, acabou de dar mais uma demonstração de inépcia crônica e de sua já notória truculência – fato que mesmo seus correligionários não desdizem, e quem duvidar pode perguntar pro Aecinho o que ele acha da proverbial delicadeza do Serra. Ano passado o pré-candidato tucano já havia posado […]

por Demétrio Toledo * – José Serra, ex-prefeito-atual-governador-queiram-os-céus-jamais-presidente, acabou de dar mais uma demonstração de inépcia crônica e de sua já notória truculência – fato que mesmo seus correligionários não desdizem, e quem duvidar pode perguntar pro Aecinho o que ele acha da proverbial delicadeza do Serra.

Ano passado o pré-candidato tucano já havia posado de presidente de província em guerra civil na República Velha (lembram da treta Polícia Civil versus Polícia Militar na entrada do Palácio dos Bundeirantes?), mas nem mesmo os mais imaginosos poderiam esperar pela última: a invasão do campus da USP (a Cidade Universitária) pela Polícia Militar – que parece, aliás, ter tomado aulas de apreço pela democracia com o chefe, a julgar pela violência com que executou seu serviço.

Tirando talvez ele mesmo, todos sabem que o Serra é pessimamente assessorado (mas ele também nem se lixaria se soubesse, a julgar pelo nível dos secretários de governo que escolhe: Geraldo Alckmin, Paulo Renato et caterva); dessa vez, o hábil animal (político) conseguiu transformar uma greve de funcionários da USP, parcial e de baixa adesão, em uma das maiores besteiras que alguém já cometeu ocupando um cargo de governo (consciente ou inconscientemente).

A história, resumida em seus pontos fundamentais, é a seguinte: depois de quase um mês de uma greve bastante fraquinha e sem maiores emoções, o Serra, quer dizer, a Justiça, instada pela reitoria da USP, mandou a PM invadir o campus e montar guarda em prédios da administração, sob o pretexto de coibir e debelar piquetes de funcionários grevistas. A atitude foi tão grotesca e causou tamanha repugnância na comunidade acadêmica que de pronto estudantes e professores, que até então vinham emitindo apenas as costumeiras moções de apoio aos funcionários em greve, solidarizaram-se e entraram em greve (só o Serra acha razoável colocar de bedéis policiais de metralhadoras). Ponto central da pauta: a saída da PM do campus.

Como o Serra não passa sem um gran finale, ontem o bicho pegou, com a polícia invadindo a USP, coisa nunca antes vista nem pensada (se bem que meus colegas da PUC-SP já viram esse filminho xexelento duas vezes…), com direito a balas de borracha, gás pimenta, bombas de efeito moral (quem deu nome a esse singelo artefato – imagino que tenha sido o animal que o inventou – nunca ficou perto de um quando ele explode; é caco pra todo lado, e dói, acreditem em mim) e aquele jeitinho que só a polícia tucana tem. Enfim, coisa pra não esquecer.

Mas acho que quem vai rir por último não será o Serra não. Ele e seus geniais assessores não perceberam o buraco em que estavam se metendo; até pouco mais de uma semana atrás, a greve não tinha pegado. Ontem, ele conseguiu a façanha de juntar todo mundo contra ele. Vai ver, ele acha que isso dá votos…

Serra acordou hoje um dos piores e mais reacionários governadores da história de um estado famoso por seu reacionarismo político e pela incompetência de suas classes políticas (já se vão 23 anos de tucano-quercismo por aqui; sai fora!). Vai dormir ao lado de Gustavo Díaz Ordaz Bolaño e do coronel Erasmo Dias: o primeiro, quando presidente do México, ordenou o Massacre de Tlatelolco, em que foram mortos número até hoje incerto de estudantes durante a invasão pelo exército mexicano do campus da Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM) – as estimativas falam de 200 a 1.000 mortos; o segundo comandou a invasão da PUC-SP em 1977, prendendo uns 700 estudantes.

E ainda dizem – mas ele nega – que quer ser presidente…

* Demétrio Toledo, sociólogo, é membro do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP). Este artigo foi publicado primeiramente no blog do Lauro Mesquita, colega e leitor do Amálgama. Agradecemos ao Lauro e ao Demétrio por autorizarem a reprodução do texto.

Amálgama

Site de atualidade e cultura, com dezenas de colaboradores e foco em política e literatura.

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Mörie
Mörie

Coisas que não sabem as pessoas que criticam a PM no campus:
*Os grevistas PRETENDEM invadir a reitoria (e acho que todos nos lembramos do que aconteceu da última vez);
*Os grevistas estavam exercendo seus ideais democráticos IMPEDINDO as pessoas que não aderiram a greve de trabalhar/estudar;
*A polícia estava quietinha quando os MANIFESTANTES começaram a implicar com eles;
*Mesmo depois da PM no campus haviam alguns professores que continuavam a dar aula. Eles foram AMEAÇADOS pelos grevistas.

A polícia NÃO PODE sair do campus, senão aquilo vai firar festa
Só que se a polícia não sair a ADUSP não sai de greve.

Taiguara
Taiguara
Peço licença para reproduzir uma carta escrita pelo professor Pablo Ortellado que vivenciou o vergonhoso conflito na USP. ** Hoje, as associações de funcionários, estudantes e professores haviam deliberado por uma manifestação em frente à reitoria. A manifestação, que eu presenciei, foi completamente pacífica. Depois, as organizações de funcionários e estudantes saíram em passeata para o portão 1 para repudiar a presença da polícia do campus. Embora a Adusp não tivesse aderido a essa manifestação, eu, individualmente, a acompanhei para presenciar os fatos que, a essa altura, já se anunciavam. Os estudantes e funcionários chegaram ao portão 1 e ficaram… Leia mais »
Fabio Rossano Dario
Fabio Rossano Dario

O Coronel Erasmo Dias (está vivo ainda?). Se estiver, deve ter adorado a última ação deste canalha, quero dizer, do Serra.

André HP

Interessante o supracitado nesse artigo. É compreensível que a PM fez merda. Mas os argumentos do comentário acima descortinam um outro lado da história, apto a ser analisado, para depois uma síntese e, aí sim, advogarei um lado.
Ceticismo sempre. É a lei do bom senso.

Raphael Tsavkko Garcia

Linkei no meu blog, se me permitem!=)

Anyway, apenas uma questão, apesar da canalhice da invasão da PUC pela PM nem de perto vimos por lá o que aconteceu na USP, mas nem de MUITO perto…

A invasão na USP foi algo terrível, espancamento de estudantes, agressão à professores, uma baderna geral e sem qualquer provocação.

NA PUC ao menos pode-se dizer que houve ocupação de reitoria e etc (o que não justifica, por favor, invadir a PUC foi um crime) no caso da USP qual o argumento? Os estudantes provocaram a PM com perigosas flores?

É uma piada….

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Bosco
Bosco

A mesma truculência do FHC contra os manifestantes que protestavam diante das privatizações e contra os portuários. É a marca registrada do tucanato. A desculpa para a truculência desse MOTO-SERRA é a mesma: estudantes fizeram cara feia para os policiais e cruzaram os braços.

Barbara Brosch
Barbara Brosch
…queiram -os -céus- jamais- presidente… ñ. se preocupe tanto… q. tal a Dilminha? Graças aos céus q. estudei noutro lugar, mas tinha q. todo semestre ir assistir às palestras etc na PUC e várias vezes presenciei a manifestos e greves, e realmente dá medo, mas lá nunca nenhum grevista impediu aulas ou simpósios ou qquer atividade, mas o clima ficava horrível e não dava p/ prestar atenção 100%, então posso imaginar qdo. ‘a coisa’ explode de verdade. Não é assim que se resolvem as questões, odeio truculência, ‘isso’ sim é atitude imoral, ridícula e covarde e não importa de qual… Leia mais »
Bosco
Bosco
Uma bomba de fabricação caseira explodiu no Largo do Arouche, no centro de São Paulo, junto a um grupo que comemorava a realização da Parada Gay na noite de ontem (domingo). Centenas de pessoas estavam no local, sendo que pelo menos 20 foram atingidas pelos estilhaços. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgências (Samu) socorreram as vítimas com ferimentos leves para cinco hospitais da região. O registro da ocorrência foi feito no 3º Distrito Policial (Campos Elísios) A pouco mais de um quilômetro de distância, um caminhão de mudança pegou fogo. O motorista, que dormia na cabine, não ficou… Leia mais »
gerusa
No momento que o confronto com a PM iniciou, estavamos eu e varios estudantes em uma reunião aqui na Universidade Federal do Maranhão, em reunião discutindo a respeito de varias medidas arbitrarias tomadas por parte da Administração Superior com relação a mudanças de horario que prejudicariam os estudantes que trabalham, ou que estudam em tempo integral. Neste momento um amigo nos liga (o movimento estudantil, pra quem não sabe, é muito unido) do meio do tumulto. Diogo, que atendeu o telefone, disse que dava pra ouvir os gritos e a confusão… Pediam urgentemente do nosso movimento uma moção de repudio… Leia mais »
Roberto Soares da Cruz
Roberto Soares da Cruz
A Policia Militar existe para obedecer a constituição do Estado sendo ela ameaçado,tanto territorialmente quando patrimonialmente.O que pensa os estudante?esqueceram que na bandeira do Brasil esta escrito Ordem e Progresso?,a democracia no Brasil esta impalntada errada,tudo pode,até os estudantes que estão no banco da escola aprendendo o que ,a bagunçacria,quem grita mais alta esta tudo certo.Vamos parar com isso se preocupem de aprender,ser alguem util ao país.Ai quando não conseguem se formar ou talvez um emprego poem a culpa no governo.Esta na hora de cada um pensar no seu futuro,esse negocio de “turminha” vai, a turminha vai fazer isso ja… Leia mais »
trackback

[…] estava aberto há bastante tempo, basta lembrar do campo de guerra instaurado no Butantã em 2009 a mando do então governador José Serra. Eu iria mais longe, a política de criminalização do movimento social […]

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