Primeiras pesquisas do Datafolha após o registro das candidaturas

As pesquisas neste momento servem mais para orientar analistas e definir os rumos das campanhas.

É preciso saber ler as pesquisas de intenção de voto, para extrair delas o que podem realmente mostrar. O noticiário costuma dar excessivo peso à pesquisa estimulada, que é a mais volátil.

O eleitor ainda está pouco interessado, as candidaturas acabaram de ser registradas e a campanha está apenas começando. Quando começar o horário eleitoral gratuito, o eleitor se movimentará em torno de uma definição. Mas a decisão final, para a maioria dos eleitores (que por enquanto estão no cômputo dos indecisos), acontece na última semana da campanha. Um percentual razoável dos eleitores decide mesmo no último dia. As características do sistema político eleitoral brasileiro (partidos políticos fracos e pouco democráticos, candidatos irresponsáveis e incompetentes, uma mídia de má qualidade ou mesmo de má-fé, um sistema eleitoral confuso) levam à indecisão e desinteresse do eleitorado. E a protelação da decisão faz com a que a pesquisa estimulada seja sempre muito volátil e manipulável.

Cabe, então, olhar a pesquisa espontânea. Nesta pesquisa, o entrevistador pergunta em quem o entrevistado pretende votar na eleição de outubro. Na outra pesquisa, uma lista dos candidatos é apresentada ao eleitor, e pergunta-se em qual destes ele votaria se a eleição fosse hoje. Uma capta o momento, fugaz. Outra capta o eleitor decidido, fiel, consolidado. A evolução captada na espontânea tende a se propagar para a estimulada, e a observação da movimentação da intenção do eleitor nas últimas eleições permite um grau de segurança para o analista que saiba olhar os dados com atenção.

No último dia 21 o Datafolha divulgou pesquisas realizadas em 6 das principais capitais que elegerão prefeitos este ano. Depois de divulgar parte dos dados através da imprensa, o Datafolha disponibiliza em seu sítio na internet os relatórios completos das pesquisas, cuja análise é sempre muito instrutiva. Aqui vão os links para os relatórios por cidade: Recife, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

E a seguir, alguns comentários sobre a situação em cada cidade.

Recife.

Uma eleição muito polarizada, é o que podemos observar do Datafolha. Humberto Costa (PT) e Mendonça (DEM) são figuras muito conhecidas da política pernambucana. Ambos os candidatos são conhecidos por 97% do eleitorado. O PT tem eleitorado cativo em Recife: 32% dos eleitores declaram preferência pelo Partido dos Trabalhadores, e os demais partidos somam 8%, enquanto 54% dos eleitores não têm preferência partidária.

Humberto Costa lidera a pesquisa espontânea com 11% das intenções de voto. Mendonça vem em segundo lugar com 6%. Mas o candidato do PT deve se beneficiar dos 3% que indicam votar em João Paulo, mais os 3% de João da Costa, dois ex-prefeitos petistas que não são candidatos este ano. Além do 1% que indica “o candidato do PT”. 55% dos entrevistados declaram não saber em quem votar. A indecisão é maior entre as mulheres (63%) do que entre os homens (45%).

A votação de Humberto Costa é muito maior no segmento de eleitores com ensino superior (18% de intenção espontânea). Seu eleitorado também é muito mais masculino (15% espontâneos) do que feminino (7% espontâneos). Que sua candidatura tem potencial de crescimento se percebe pelo fato de que apenas 21% dos que têm preferência pelo PT indicam espontaneamente Humberto Costa.

A pesquisa aponta para eleição em dois turnos, pois na estimulada Humberto Costa tem 35% das intenções de voto, contra 22% de Mendonça. Mas a soma dos demais candidatos supera a intenção de voto no candidato do PT. Na estimulada, 60% do eleitorado do PT indica intenção de votar em Humberto Costa, número que tende a aumentar, e que pode ser comparado ao da espontânea como prova.

A clivagem de classe social do eleitorado fica evidente quando a pesquisa pergunta em qual dos candidatos o eleitor não votaria de jeito nenhum. A rejeição de Mendonça é de 26%, e a de Humberto Costa de 24%. Mas no eleitorado com mais de 10 salários mínimos de renda, o candidato do PT tem rejeição de 50%. Mendonça, por seu turno, tem rejeição de 46% entre o eleitorado do PT.

A grande incógnita da eleição em Recife é qual o teto de crescimento de Geraldo Júlio (PSB). Apoiado pelo governador Eduardo Campos, ele é conhecido por apenas 34% do eleitorado. Depois de colocada a campanha na rua, é preciso observar se ele tem fôlego para conquistar vaga num provável segundo turno contra Humberto Costa, por enquanto o franco favorito.

Mais um fator a pesar pró candidato petista: ele foi ministro da saúde no governo Lula, e esta é a principal preocupação do eleitorado – 26%, contra 10% de saneamento básico, 10% de calçamento e asfalto e 10% de educação e creches.

Porto Alegre.

A capital gaúcha, que já foi um importante pólo petista, governada por partidários da estrela vermelha durante longo tempo, agora está nas mãos de um ex-petista atualmente no PDT.

Mas Porto Alegre tem 20% do eleitorado com preferência pelo PT, e 62% não apegados a nenhum partido. Durante bastante tempo parecia que o grupo político em torno do governo Tarso Genro se uniria com a candidatura de Manuela D’ávila (PCdoB), mas o PT acabou lançando o nome de Villa.

Hoje a situação está polarizada em torno do prefeito José Fortunati (PDT), candidato à reeleição, e Manuela D’ávila como principal nome de oposição. Fortunati tem 19% de intenção espontânea, contra 11% de Manuela d’Ávila e 1% de Villa (ao qual se somam 1% de intenção espontânea de voto no “candidato do PT”). Fortunati e Manuela são conhecidos por mais de 95% do eleitorado, enquanto Villa é conhecido por apenas 38%.

A incógnita é saber em qual palanque subirão o governador e a presidenta. E qual o potencial de crescimento de Villa, uma vez que a direita não tem candidato, mas vai na canoa trabalhista de Fortunati. Manuela também tem pouca disposição em enfrentar os interesses da especulação imobiliária, entre outros. Sobra que as candidaturas com compromisso mais à esquerda seguem sendo principalmente a do petista e a de Roberto Robaina, do PSOL, hoje com 2% de intenção de voto na estimulada.

Curitiba.

A eleição na capital paranaense tem um cenário no mínimo inusitado. A cidade é a menos petista das capitais pesquisadas (apenas 13% do eleitorado prefere o partido, contra 71% sem cor partidária). Talvez por isso o PT venha se atrelando a outros grupos políticos, na esperança de superar uma rejeição tradicional. Mas como desta vez o apoiado é Gustavo Fruet, deputado de forte atuação oposicionista na CPI do mensalão, hoje a rejeição maior está entre o eleitorado do PT. 36% dos petistas estão desinteressados da eleição, contra apenas 14% dos simpatizantes tucanos.

Gustavo Fruet (PDT) é um ex-tucano que saiu do partido porque o governador Beto Richa preferiu o compromisso de apoiar seu antigo vice-prefeito, Luciano Ducci (PSB). Mas a grande surpresa é mesmo a intenção de voto anotada para Ratinho Júnior (PSC). Ele lidera a pesquisa estimulada, como veremos a seguir.

Na pesquisa espontânea, a liderança está com o prefeito Luciano Ducci. Ele está com 9% do eleitorado espontâneo, contra 63% que ainda não sabem indicar candidato, e outros 9% que pretendem anular o voto. Ducci tem um destaque entre o eleitorado de 16 a 24 anos de idade, faixa em que a intenção de voto espontânea chega a 16%.

Gustavo Fruet tem 7% de intenção espontânea, um pequeno capital eleitoral, se comparado aos 600 mil votos que recebeu na capital na última eleição para o senado. O eleitorado mais favorável a Fruet é masculino (10% contra 5% das mulheres), mais escolarizado (16% do eleitorado com ensino superior) e mais rico (21% na faixa de renda acima de 10 salários mínimos).

Ratinho Júnior tem 6% da intenção espontânea, e seu eleitorado é muito bem distribuído, sem destaque em nenhum dos segmentos pesquisados. Quando o entrevistado escolhe o candidato em uma lista, Ratinho Júnior é o mais apontado, recendo 27% das intenções de voto. Dos que o indicam na estimulada, apenas 20% tinham indicado seu nome de maneira espontânea – comparando os candidatos, este índice é de 36% para Ducci e 30% para Fruet. Estes dois candidatos estão empatados com 23% na estimulada.

A grande incógnita desta eleição é o potencial de Ratinho Júnior depois que a campanha começar na televisão e na rua. Ele é um outsider na política local. Não pertence a nenhuma das principais famílias que dominam a política paranaense há décadas, nem conta com a força de um partido político estruturado. É deputado federal, muito bem votado, contando principalmente com a popularidade midiática de seu pai, o apresentador de TV Ratinho. Ratinho Júnior é jovem, não tem experiência administrativa ou alguma plataforma política que o destaque: seu grande mote é “eleja alguém diferente dos que sempre estão aí”. Por enquanto ele capta uma grande parte do eleitorado petista, insatisfeito com o apoio do partido a um candidato que outro dia estava abraçado com Beto Richa. Ratinho tem 38% da intenção de voto do eleitor petista, contra 21% de Fruet (o candidato apoiado pelo partido) e 16% de Ducci. Ratinho também tem um eleitorado mais jovem (acima de 30% nas faixas até 44 anos, e próximo de 20% nas faixas de mais de 45 anos), e menos escolarizado (apenas 12% do eleitor de nível superior). Seu eleitorado também diminui conforme a renda aumenta: 31%, 29%, 23% e 20% para as respectivas faixas de renda.

Além dos três primeiros classificados, há ainda o ex-prefeito Rafael Greca, do PMDB. Ele já foi o deputado federal mais votado no Paraná, mas ultimamente vinha tendo dificuldade de se eleger para a Assembléia Legislativa. Sua candidatura parece muito mais uma tentativa de voltar à memória do eleitor, e garantir mais algumas eleições como deputado. Ele tem 10% das intenções de voto na pesquisa estimulada.

A única certeza é que, com 4 candidatos obtendo mais de 10% de intenção de voto, a eleição em Curitiba será em dois turnos.

Belo Horizonte.

A capital mineira reservou uma bela surpresa nos últimos dias para registro de candidaturas. Estava tudo fechado para um gigantesco “chapão” para reeleger o prefeito Márcio Lacerda (PSB), pivô de um acordo de cavalheiros entre Aécio Neves (ex-governador, hoje senador pelo PSDB) e Fernando Pimentel (ex-prefeito pelo PT, e hoje ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio).

Vale dizer que a decisão não tinha sido nada harmoniosa dentro do PT – o partido vinha rachado entre uma ala pró-Pimentel e outra pró-Ananias. A aliança em torno do candidato do PSB rachou, pela recusa dos socialistas em aceitar compor coligação na eleição para vereador. Com isso, o PT lançou o ex-prefeito e ex-ministro Patrus Ananias. Agora é dada a possibilidade de escolha ao eleitor, pois antes o candidato tinha sido escolhido em conchavos de cúpula, numa triste prática com a qual os partidos políticos ofendem o eleitorado e lhe tiram todas as possibilidades de escolha.

Não há muito o que comentar sobre as pesquisas em BH: eleição em turno único, a não ser que a diferença entre Márcio Lacerda e Patrus Ananias seja tão pequena que não supere a soma da votação dos candidatos “nanicos”. Qualquer pesquisa agora é temerária, pois tudo mudará muito, e numa eleição com dois candidatos viáveis, quando um perde voto o outro ganha, aumentando muito a volatilidade do eleitorado.

Na pesquisa espontânea, Márcio Lacerda é indicado por 16% dos eleitores, e Patrus Ananias por 11%. Lacerda tem maior vantagem entre o eleitorado com renda entre 5 a 10 salários mínimos, no qual bate Ananias por 27 a 14. Ananias só leva vantagem no eleitorado com ensino superior, onde vence por 25 a 21. A maioria ainda nem sabe que Ananias é candidato. O PT possui 22% do eleitorado da capital mineira, contra 60% de eleitores sem partido de preferência, mas apenas 21% do eleitorado petista indica espontaneamente o candidato do partido.

Na pesquisa estimulada, Márcio Lacerda teve 44% das indicações, contra 27% de Patrus Ananias e 4% de Vanessa Portugal (PSTU). Aliás, é impressionante a penetração que o PSTU tem no eleitorado de Belo Horizonte – a única grande cidade onde o partido tem relevância eleitoral.

Na pesquisa estimulada a principal vantagem de Lacerda está no eleitorado mais jovem, onde vence Ananias por 55 a 18. A vantagem do petista fica novamente nos eleitores com ensino superior: 37 a 33.

A grande questão para entender a pesquisa atual é: 91% do eleitorado conhece Patrus Ananias; mas quantos já sabem que ele é candidato? Outra questão que será testada nesta campanha: Ananias é um daqueles petistas à antiga, capaz de mobilizar pra valer a militância do partido, que vem sendo sistematicamente desprezada em nome dos conchavos como o que já estava montado em torno de Lacerda?

Rio de Janeiro.

Na antiga capital da República, praticamente só há um candidato: o prefeito Eduardo Paes (PMDB), que conta com o apoio de quem importa – as “máquinas” municipal, estadual e federal. Todos os demais candidatos são quixotes arremessando contra moinhos de vento.

E o mais quixotesco é Marcelo Freixo (PSOL), o único lembrado significativamente na pesquisa espontânea. O atual prefeito recebe 25% na espontânea (a soma de indicações do seu nome mais as indicações de voto “no atual prefeito”), enquanto Freixo recebe 4%. Mas no eleitorado com ensino superior, a intenção de voto espontânea de Freixo sobre a 14%. Nas duas faixas de eleitorado de maior renda, sua intenção é de 13%.

Tendo sido destaque na CPI das milícias como deputado estadual, Freixo parece captar o chamado “voto ético”, mais do que propriamente o voto de esquerda.

Na pesquisa estimulada, aparecem mais dois candidatos. Paes, fica com 54% e Freixo com 10%. Rodrigo Maia (DEM) obtem 6%, e Otávio Leite (PSDB) 4%.

A grande questão no Rio de Janeiro é saber qual o limite da candidatura de Freixo, que conta com uma estrutura partidária pequena e pouco dinheiro. Por outro lado, qual seria o limite de candidatos de partidos importantes (DEM e PSDB), mas sem densidade eleitoral própria?

Olhando hoje o cenário, parece bastante improvável que Paes não vença em primeiro turno. Mas Freixo capta uma importantíssima intenção de voto para o PSOL, um partido que tenta se afirmar como alternativa política à esquerda, mais ou menos como o PT dos anos 1980.

São Paulo.

Na maior cidade do país, o cenário está um pouco mais recheado de nuances, e a pesquisa tem muito mais dados e uma base de comparação com pesquisas anteriores, de modo que é possível extrair muito mais informação do que nas outras cidades.

99% do eleitorado conhece o candidato José Serra (PSDB), sendo que 78% afirma conhecê-lo “muito bem”. Fernando Haddad (PT) é conhecido por 55% do eleitorado, sendo que apenas 15% afirma conhecê-lo muito bem.

Outro fator investigado na pesquisa é o grau de influência que têm certos apoios políticos: o apoio de Lula seria decisivo para 40% dos eleitores, pode ser significativo para 21% e é negativo para 40%. Os índices são parecidos para o apoio de Dilma (33, 27 e 40), um pouco mais negativos para Alckmin (27, 27 e 46). Já Kassab e Maluf são apoios completamente indesejados. E suas imagens negativas certamente serão exploradas na campanha. Hoje, Kassab tem uma avaliação sofrível – 20% de ótimo e bom, 39% de regular e 39% de ruim/péssimo. Convém lembrar que a avaliação da administração não pode ser levada a ferro e fogo – prefeitos bem avaliados também perdem eleições (caso de Marta em 2004), e o eleitor costuma ser mais conservador na hora de votar do que na hora de avaliar.

Em termos de preferência partidária, o eleitorado de São Paulo tem 28% para o PT, 8% para o PSDB e 52% sem preferência.

O relatório do Datafolha não informa a evolução da intenção de voto espontânea em comparação com as pesquisas anteriores, que seria o dado mais importante para se perceber a movimentação do eleitorado e a consolidação das candidaturas (devo ter isso guardado em algum lugar, prometo trazer o dado da próxima vez).

Mas a intenção espontânea captada nesta pesquisa aponta uma polarização entre 3 candidatos: José Serra, com 9% de indicações espontâneas, Celso Russomano (PRB), com 7%, e Fernando Haddad (PT), com 3% – aos quais se devem somar os 3% do “candidato do PT” e o 1% creditado a Marta Suplicy, que não é candidata. José Serra tem destaque entre o eleitorado mais velho (22% de indicação espontânea entre os que têm mais de 60 anos), entre o mais escolarizado (15% dos com ensino superior) e entre o mais rico (20% na faixa de renda superior a 10 salários mínimos).

A pesquisa estimulada aponta uma polarização entre José Serra e Celso Russomano, com respectivos 30% e 26% das indicações dos eleitores que olharam a lista de candidatos mostrada na pesquisa. Outros 4 candidatos têm significação nesta pesquisa, sugerindo que a eleição terá dois turnos. São eles Fernando Haddad e Soninha (PPS), com 7% cada, Gabriel Chalita (PMDB), com 6%, e Paulinho da Força (PDT), com 5%.

A eleição está muito mais equilibrada entre o eleitorado com ensino superior, onde a ordem dos candidatos não se altera, mas as intenções de voto estão em 29% (Serra), 19% (Russomano), 13% (Haddad) e 11% (Soninha).

Interessante observar que hoje Russomano tem 29% da intenção de voto entre o eleitorado do PT (contra 19% de Serra e 15% de Haddad), o que dá a dimensão de quanto sua candidatura vai perder quando o eleitorado começar a se informar sobre os candidatos.

Russomano também se destaca entre o eleitorado evangélico pentecostal, entre o qual tem 34% contra 25% de intenção de voto de Serra.

Um dado que chama a atenção é a rejeição de José Serra, que está nos 37%, bem maior que a da concorrência (12% para Russomano e para Haddad). A distribuição da rejeição pela intenção de voto revela que esta eleição é algo tipo “todos contra Serra”: a rejeição a Serra beira os 60% entre os que declaram voto em outros candidatos, enquanto os eleitores que declaram votar em Serra tem 18% de rejeição a Haddad, e 21% a Russomano.

Avaliações gerais.

O nível de informação do eleitor sobre as candidaturas ainda é muito baixo para se chegar a qualquer conclusão, de modo que as pesquisas neste momento servem mais para orientar analistas e definir os rumos das campanhas. É preciso ficar atento à movimentação que ocorrerá na primeira semana de horário eleitoral gratuito, e também nas movimentações da última semana antes do pleito. São os grandes momentos em que o eleitor normal define sua percepção e suas preferências.

O tema mais interessante para a grande maioria do eleitorado, em todas as cidades pesquisadas, é a questão da saúde e dos hospitais. Se algum grupo político ou partido conseguir capitalizar em torno deste tema (não acho que ninguém tenha destaque ou propostas muito consistentes de ação nesta área), ganhará o eleitor. O tema é hoje muito mais importante do que saneamento básico, segurança pública, calçamento e asfaltamento, ou educação e creches – os outros temas que também preocupam primordialmente o eleitorado. Note-se que emprego e renda sumiram das preocupações do eleitor, num reflexo das melhorias recentes nessa questão.

Isso só aumenta a importância das administrações municipais, visto que o eleitor tem melhor situação de emprego e renda, e começa a cobrar mais qualidade de vida. Em todas as capitais pesquisadas, a qualidade de vida é deplorável sob quase todos os aspectos analisáveis. É muito interessante perceber também o quanto os partidos não estão nada preocupados em fazer projetos viáveis para melhorar a vida nas metrópoles. Todos os partidos montaram suas campanhas de olho na influência que podem obter em governos ou eleições estaduais e federais.

A única solução visível seria a mobilização do eleitor para participar de instâncias partidárias e/ou associativas, uma coisa que não tem tradição nenhuma no Brasil. Continuamos usando o velho chavão de que “este é o ano da política”. A desinformação e a falta de interesse do eleitor continuam sendo o combustível para o caciquismo e os conchavos de cúpula. Nenhuma “reforma política” será capaz de mudar isso, enquanto o eleitor não estiver mobilizado por uma maior participação democrática.



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