PESQUISA

O que é arte, afinal?

por Amálgama (27/08/2008)

por Tais Luso – Gostar de arte é algo subjetivo, depende de uma porção de coisas. Tenho o meu conceito, mas não quer dizer que seja o certo. É o certo para mim. Alguém pode não gostar da fase do Barroco, Romantismo, Cubismo, Realismo, Surrealismo ou Pop Arte… Mas penso em arte quando ela é […]

Quadro de Angela Menezespor Tais Luso – Gostar de arte é algo subjetivo, depende de uma porção de coisas. Tenho o meu conceito, mas não quer dizer que seja o certo. É o certo para mim. Alguém pode não gostar da fase do Barroco, Romantismo, Cubismo, Realismo, Surrealismo ou Pop Arte… Mas penso em arte quando ela é pura e verdadeira – não empulhação. Penso no artista quando ele é dotado de dom, de excelente técnica, de bom gosto e de espírito crítico.

Partindo deste princípio, algo de bom estará a caminho. Jamais virá, deste artista, um horror. Por certo ele terá algumas de suas obras mais apreciadas do que outras. Normal.

Horror, pra mim, é o que vejo em certas Bienais:

Vejo uma porção de tijolos empilhados: é arte.

Vejo tocos de madeira cercados de arame farpado: é arte.

Vejo um maluco que resolveu fazer, de um assento de vaso sanitário, uma moldura para espelho: é arte.

Vejo uma montanha de pneus acompanhados de uma placa qualquer: é arte.

Vejo paralelepípedos em seqüência: é arte.

Vejo uma porção de palitos de fósforo colados numa tela de Eucatex: é arte.

Vejo um copo sobre uma mesa: é arte.

Será que tenho de achar tudo isso magnífico e inovador? Chego à conclusão que estou fora do contexto. Não consigo entender de arte. E olha que tentei… Fiz uma força incrível para achar tudo isso uma maravilha. Mas deu errado; algo não funcionou em minha percepção.

Leio e vejo arte em vários museus, galerias, residências, oficinas e igrejas. Vejo obras de Rembrandt, Michelangelo, Da Vinci, Renoir, Cézanne, Salvador Dali, Juarez Machado, Di Cavalcante, Manoel Santiago, H. Perea, Portinari, Manabu Mabe e por aí afora… E depois dou de cara com essas monstruosidades e minha sensibilidade tem de se amoldar rapidamente? Não dá. Sou meio vagarosa. Lerda.

Gosto da Pop Art, embora tenha começado nesta fase a mistura de objetos. Surgiram artistas como Andy Warhol – representante máximo desta arte popular nos Estados Unidos, com sua conhecida Marilyn, entre outras pinturas. Não posso achar ruim Allen Jones, Richard Hanilton, Roy Lichtenstein ou Wesselmann, grandes artistas. Muitos de seus trabalhos são populares e alegres: bonitos e técnicos.

Há artistas espetaculares em todas as fases e em todas as épocas. São muitos. Eu só não gosto de ser enganada. Não quero ninguém tentando me convencer que uma tripa de ferro velho é um avião, e que as asas ficam para minha imaginação… Não quero imaginar.

Arte, para mim, é quando ela tem a capacidade de me emocionar, de me fazer sonhar, quando me dá prazer em olhar e descobrir detalhes, técnica, perfeição e beleza. Enfim, ver uma obra inteligente. E isso existe na pintura clássica, moderna, em todas as escolas e períodos. Arte é o contrário do grotesco, do repetitivo. É imaginação e delicadeza, pois vai ao encontro de nossos sentimentos.

Mas fico a pensar o quanto não seria emocionante ter vários palitos colados em Eucatex e um troço desses dependurado na parede de minha sala… Substituiria qualquer ‘Aldo Locatelli’.

Além de sonhar com essa palitada toda, ainda chamaria essa obra de ‘Palitos em Profusão!’

Amálgama

Site de atualidade e cultura, com dezenas de colaboradores e foco em política e literatura.