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Top 10 mitos sobre a guerra na Líbia

por Juan Cole (23/08/2011)

Qaddafi progressista? Guerra civil? Os EUA lideraram a intervenção? Petróleo foi um fator decisivo?

por Juan Cole

-- Opositores da ditadura líbia nas ruas de Trípoli --

 

A revolução líbia, em grande parte, já cumpriu seus objetivos, e este é um momento de celebração, não apenas para os líbios, mas para a geração de jovens no mundo árabe que vem perseguindo abertura política por toda a região. O segredo do sucesso dos últimos dias na Líbia pode ser encontrado numa revolta popular dos distritos da classe trabalhadora da capital, que foi quem fez a maior parte do serviço em se livrar das rédeas da polícia secreta e dos grupelhos militares. Eles foram tão bem sucedidos que, quando as brigadas militares entraram na cidade vindas do oeste, muitas encontraram pouca ou nenhuma resistência e foram direto para o centro da capital.

A fase final, em que o povo de Trípoli derrubou os Qaddafis e se uniu ao Conselho de Transição Nacional, é o melhor dos cenários entre os que eu havia sugerido como os mais prováveis desenlaces da revolução. Venho elaborando esse argumento há algum tempo, e ele causou certa incredulidade quando o expus em uma palestra na Holanda em meados de junho, mas desde sempre foi meu melhor palpite. Eu acertei onde outros não acertaram porque minhas premissas se mostraram mais sãs, isto é, que Qaddafi havia perdido apoio popular entre todos os setores da sociedade e se mantinha no poder apenas através da força crua. Uma vez que o bastante da capacidade de seus armamentos pesados foi interrompido, e seu combustível e suprimentos de munição bloqueados, a hostilidade subjacente do povo comum em relação ao regime pôde mais uma vez se manifestar, como ocorrera em fevereiro. Além disso, eu estava convencido de que a maioria dos líbios se sentia atraída pela revolução e pela ideia de abertura política, e que isso não apresentava grande risco para a unidade nacional.

Não tenho a intenção de subestimar os desafios que ainda existem – vitórias em áreas ainda dominadas por pessoas leais ao regime, reestabelecimento da lei e da ordem em cidades atingidas por revoluções populares, reconstituição da polícia e do exército nacional, levar o Conselho de Transição para Trípoli, fundar partidos políticos e construir um novo regime, parlamentar. Mesmo em sociedades muito mais institucionalizadas e menos baseadas em clãs, como Tunísia e Egito, essas tarefas se mostram nada fáceis. Mas seria equivocado, neste momento de triunfo para a Segunda República líbia, demorar-se sobre as dificuldades porvir. Os líbios merecem um momento de júbilo.

Levei um bocado de pressão devido ao meu apoio à revolução e à intervenção da Liga Árabe e da OTAN, autorizada pelas Nações Unidas, que evitou que a revolução fosse esmagada. No entanto, a pressão não foi maior do que a sofrida pelos jovens de Misratah que lutaram contra as barragens de tanques de Qaddafi, então está tudo bem. Eu odeio guerra, tendo presenciado uma de perto no Líbano, e odeio a ideia de pessoas sendo mortas. Os críticos que me imaginaram vibrando durante operações de bombardeio da OTAN estavam apenas sendo cruéis. Mas aqui eu concordo com o presidente Obama e sua citação de Reinhold Niebuhr. Você não pode proteger todas as vítimas de assassinatos em massa, em todos os lugares, o tempo todo. Mas onde você puder fazer algum bem, você deve fazê-lo, mesmo se você não conseguir fazer tudo adequadamente. Eu lamento as mortes de todas as pessoas que morreram nessa revolução, especialmente devido ao fato de que muitas das brigadas de Qaddafi foram claramente coagidas (elas desertaram em grandes números na primeira oportunidade que se sentiram em segurança). Mas para mim sempre esteve claro que Qaddafi não era um homem para se entrar em acordo, e que sua máquina militar chacinaria os revolucionários se tivesse a chance.

Além disso, aqueles que questionam se houve interesse americano na Líbia me parecem um pouco cegos. Os EUA têm interesse em não haver massacres de pessoas por meramente exercitarem seu direito à livre associação. Os EUA têm interesse em uma ordem mundial fundada no direito, e portanto na resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas exigindo que líbios sejam protegidos de seu governo assassino. Os EUA têm interesse na OTAN da qual fazem parte, e membros da OTAN como França e Grã-Bretanha investiram muito nessa intervenção. Os EUA têm um profundo interesse no destino do Egito, e o que ocorreu na Líbia poderia ter afetado o Egito (Qaddafi alegadamente tinha oito oficiais egípcios em sua folha de pagamento).

Dadas as controvérsias acerca da revolução, vale a pena revisar os mitos sobre a revolução líbia que levaram tantos observadores a cometerem tantas afirmações fantásticos ou simplesmente erradas sobre ela.

1) Qaddafi era um progressista em política interna.
Se é verdade que lá nos anos 1970 Qaddafi era mais generoso no compartilhamento da riqueza do petróleo com a população, comprando tratores para fazendeiros etc., nas últimas duas décadas essa política mudou. Ele se tornou vingativo contra tribos do leste e do sudoeste que cruzavam seu caminho, as privando de sua justa porção da receita nacional. E na última década e meia, corrupção extrema e ascensão de oligarcas ao estilo pós-soviético, incluindo Qaddafi e seus filhos, desencorajaram investimentos e arruinaram a economia. Trabalhadores sofriam controle ferrenho e eram impedidos de barganharem coletivamente pela melhoria de suas condições. Havia muito mais pobreza e má infraestrutura na Líbia do que deveria haver em um estado petroleiro.

2) Qaddafi era um progressista em política externa.
Novamente, ele mudou as posições, ou poses, que tomou nos anos 70. Em anos recentes, ele desempenhou um papel sinistro na África, engordando a poupança de ditadores brutais e ajudando no fomento de guerras ruinosas. Em 1996, esse suposto paladino da causa palestina expulsou 30.000 palestinos de seu país. Após sair da geladeira, com o fim de sanções europeias e americanas, ele começou a aparecer em companhia de George W. Bush, Silvio Berlusconi e outras figuras direitistas. Berlusconi chegou mesmo a dizer que considerou renunciar como primeiro ministro quando a OTAN começou sua intervenção, dada sua relação pessoal com Qaddafi. Que progressista.

3) Era natural que Qaddafi enviasse seu exército contra os manifestantes e revolucionários; qualquer país teria feito o mesmo.
Não, não teria, e esse é o argumento de um cretino moral. Na verdade, o corpo de oficiais tunisiano se recusou a atirar nas multidões tunisianas a pedido do ditador Zine El Abidine Ben Ali, e o corpo de oficiais egípcio se recusou a atirar em multidões egípcias a pedido de Hosni Mubarak. A disposição do corpo de oficiais líbio em oferecer violência macabra a multidões de manifestantes derivava da centralidade que os filhos e camaradas de Qaddafi tinham no topo da hierarquia militar, e da falta de conexão entre o povo e os soldados profissionais e mercenários. Empregar o exército contra não-combatentes foi um crime contra a humanidade. Qaddafi e seus filhos serão julgados por esse crime, que não é “perfeitamente natural”.

4) Havia uma longa paralisia na luta entre os revolucionários e o exército de Qaddafi.
Não havia. Essa ideia foi alimentada a partir do ponto de vista de muitos observadores ocidentais em Bengazi. É verdade que havia uma grande paralisia em Brega, que acabou antes de ontem quando as forças pró-Gaddafi se renderam. Mas as duas frentes mais ativas na guerra eram Misratah e arredores, e a região das montanhas ocidentais. Misratah lutou uma batalha épica, estilo Stalingrado, uma batalha de autodefesa contra os ataques dos blindados e da infantaria de Qaddafi, finalmente se mostrando vitoriosa com ajuda da OTAN, e a partir de então eles foram lutando cada vez mais a oeste, rumo a Trípoli. As batalhas e avanços mais dramáticos foram em grande medida na região montanhosa ocidental berbere, onde, novamente, as unidades de blindados de Qaddafi impiedosamente bombardearam pequenas cidades e vilas, mas foram rechaçados (inicialmente com menos ajuda da OTAN, que eu acredito que não deu a devida importância a essa área). Foram os revolucionários voluntários nessa região que finalmente tomaram Zawiyah, com a ajuda da população dessa cidade, na última sexta, e com isso cortaram as rotas de petróleo e munição que abasteciam Trípoli, vindas da Tunísia, e tornaram possível a queda da capital. Qualquer observador mais próximo da guerra, desde abril, terá visto constante movimento, primeiro em Misratah e então nas montanhas ocidentais, e nunca houve uma paralisia completa.

5) A revolução líbia era uma guerra civil.
Não era, se por isso entendemos uma luta entre dois grandes grupos dentro do corpo político. Não houve nada parecido com a viciosa luta sectária civil-contra-civil na Bagdá de 2006. A revolução começou com protestos públicos pacíficos, e apenas quando as massas urbanas foram sujeitadas a artilharia, tanques, morteiros e bombas de fragmentação é que os revolucionários começaram a se armar. Quando a batalha começou, era combatentes voluntários representando seus respectivos bairros contra soldados regulares bem treinados e mercenários. Isso constitui uma revolução, não uma guerra civil. Apenas em algumas poucas áreas, tais como Sirte e arredores, civis pró-Gaddafi se opuseram aos revolucionários, mas seria errado elevar um punhado de escaramuças daquele tipo à condição de guerra civil. O apoio a Qaddafi era limitado e centrado demais no exército profissional para nos permitir falar de guerra civil.

6) A Líbia não é um país real e poderia se ver dividida entre leste e oeste.
Alexander Cockburn escreveu: “Não é preciso muita presciência para ver que isso vai acabar mal. A recusa de Qaddafi em entrar em colapso no tempo esperado aumenta cada vez mais a pressão para o início de uma guerra terrestre, já que a operação da OTAN é, em termos de prestígio, como os bancos que Obama afiançou, Grande Demais Para Falhar. A Líbia provavelmente será balcanizada.”

Eu não entendo a propensão de analistas ocidentais em continuarem declarando nações do sul global como “artificiais” e à beira da divisão. É um tipo de orientalismo. Todas as nações são artificiais. Benedict Anderson localiza o surgimento do Estado-nação no final do século 18, e ainda que ele seja um pouco mais antigo, trata-se de uma coisa nova na história. Além disso, a maioria dos Estados-nações são multiétnicos, e muitos entre aqueles estabelecidos em longa data têm subnacionalismos que ameaçam sua unidade. Assim, os catalães e os bascos estão desconfortáveis dentro da Espanha, os escoceses podem cair fora da Grã-Bretanha a qualquer momento, etc. etc. Em contraste, a Líbia não tem qualquer movimento separatista bem organizado e popular. Ela tem divisões tribais, mas estas não são base para separatismo nacional, e alianças tribais e fissuras são mais fluidas do que etnicidade (que é ela mesma menos fixa do que costuma-se acreditar). Todos falam árabe, embora para os berberes ele seja uma língua pública; os berberes estão entre os herois líbios da região central, e serão premiados com uma Líbia mais pluralista. Essa geração de jovens líbios que travou a revolução em sua maior parte frequentou as escolas estatais e tem um forte comprometimento com a ideia de Líbia. No decorrer da revolução, o povo de Bengazi insistiu que Trípoli era e continuaria sendo a capital. Ocidentais procurando por rachaduras em pós-ditaduras estão fixados nos eventos dos Bálcãs após 1989, mas no geral não há um análogo exato no mundo árabe contemporâneo.

7) Teria que haver brigadas de infantaria da OTAN no terreno para que a revolução tivesse sucesso.
Todo mundo de Cockburn a Max Boot (é assustador quando esses dois concordam em algo) propagou essa ideia. Mas não há nenhuma brigada de infantaria estrangeira na Líbia, e é improvável que veremos alguma. Líbios são bastante nacionalistas e deixaram isso claro desde o início. Da mesma forma, a Liga Árabe. A OTAN teve alguns recursos de inteligência no terreno, mas eles eram numericamente pequenos, requeridos por trás das cenas pelos revolucionários para ações de conexão e localização, e não chegaram a constituir uma força de invasão. O povo líbio nunca precisou de brigadas estrangeiras no terreno para ter sucesso em sua revolução.

8 ) Os Estados Unidos lideraram a marcha para a guerra.
Não há a menor evidência para essa alegação. Quando perguntei a Glenn Greenwald se uma recusa americana em se juntar à França e à Grã-Bretanha em uma frente militar em que a OTAN está em ação não poderia ter destruído a organização, ele respondeu que a OTAN jamais teria agido a menos que os EUA tivessem uma queda pela intervenção desde o primeiro momento. Temo que a resposta foi menos baseada em fatos e mais doutrinária do que estamos acostumados a ouvir do Sr. Greenwald, cuja pesquisa e análise sobre questões domésticas é em geral de primeira categoria. Como alguém que não é estranho à história diplomática, e que na verdade ouviu na Europa algumas instruções de ministros do exterior e oficiais de países membros da OTAN, me sinto ofendido com a lubricidade de uma resposta dada sem mais substanciação do que uma ideia fixa. O excelente serviço de telégrafos McClatchy informou as razões pelas quais o Secretário de Estado Robert Gates, o Pentágono e o próprio Obama estavam extremamente relutantes em se envolver em mais uma guerra no mundo muçulmano. É óbvio que os franceses e britânicos lideraram a marcha nessa intervenção, provavelmente porque acreditaram que uma luta entre a oposição e Qaddafi, se prolongada por anos, a radicalizaria e apresentaria uma abertura para a al-Qaeda, portanto apresentando várias ameaças à Europa. O presidente francês Nicolas Sarkozy havia sido antes politicamente malhado depois da oferta de sua ministra da defesa, Michèle Alliot-Marie, de enviar tropas para ajudar Ben Ali na Tunísia (Alliot-Marie havia sido convidada de bem Ali em férias extravagantes), e pode ter desejado tanbém restaurar os tradicionais créditos franceses no mundo árabe, bem como parecer um homem resoluto para o eleitorado interno. Quaisquer que tenham sido as motivações da Europa ocidental, elas foram as decisivas, e o governo Obama claramente foi junto como um parceiro menor (algo que deixou o senador John McCain amargurado).

9) Qaddafi não teria matado ou aprisionado grandes números de dissidentes em Bengazi, Derna, Al Bayda e Tobruk se tivesse conseguido concluir sua blitzkrieg de março em direção às cidades do leste que o desafiavam.
Mas temos exemplos do mundo real de como ele teria se comportado – em Zawiyah, Tawargha, Misratah e em todo lugar. Seus bombardeios indiscriminados de Misratah já haviam matado entre 1000 e 2000 pessoas em abril último, e continuou durante todo o verão. Pelo menos uma vala comum com 150 corpos dentro foi descoberta. E a história completa dos horrores em Zawiyah e em outras parte da região ocidental ainda está para emergir, mas não será nada bonito. A oposição alega que as forças de Qaddafi mataram dezenas de milhares. Estudos de saúde pública podem em breve deixar esse ponto claro, mas nós definitivamente sabemos do que Qaddafi era capaz.

10) Essa foi uma guerra pelo petróleo da Líbia.
Isso é tolice. A Líbia já estava integrada ao mercado internacional de petróleo e tinha acordos de bilhões de dólares com a British Petroleum, Ente Nazionale Idrocarburi, etc. etc. Nenhuma dessas companhias gostaria de colocar seus contratos em risco em nome de se livrar de um governante que assinou com elas esses contratos. Elas já estavam com trauma por terem que competir pelos contratos pós-guerra no Iraque, um processo em que muitas se deram menos bem do que gostariam. Os lucros da ENI sofreram com a revolução líbia, como sofreram aqueles da Total SA e da Repsol. Além disso, tirar o petróleo líbio do mercado por meio de uma intervenção militar da OTAN poderia previsivelmente aumentar o preço do barril, o que nenhum líder ocidental eleito gostaria de ver, especialmente Barack Obama, com o perigo de que um pico nos preços de energia poderia prolongar o marasmo econômico. Um argumento econômico para denunciar o imperialismo é sempre bom quando faz sentido, mas esse em questão não faz, e não existe boa evidência para sustentá-lo (o fato de Qaddafi ser errático não é o bastante), e é portanto apenas uma teoria conspiratória.

Juan Cole

Professor de História na Universidade de Michigan, há mais de três décadas estuda as relações entre o Ocidente e o mundo muçulmano. Comentarista em diversos canais de tevê, é autor, entre outros, de Engaging the Muslim World (2009). Seus textos são reproduzidos no Amálgama com sua autorização.

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Africano
Africano
Parabens meu Senhor! Eh o que eu queria ajudar os africanos a entender. Nunca estive proximo da Libia, para viver a realidade pelas cores e formas, mas so a logica nao permitiu concordar com os argumentos de que a guerra foi meramente uma agressao norte-americana com os seus aliados ocidentais para explorar o petroleo libio, com os quais os simpatizantes do ditador intoxicaram as mentes fraquinhas dos africanos a ponto de chamarem os ocidentais de ratazanas da OTAN. Peco imensas desculpas pelos insultos todos feitos contra o ocidente e a NATO por pessoas desinformadas, eles foram envenenadas por mercenarios do… Leia mais »
Flavio
Flavio

Dentre os 10 “mitos”, o mais estúpido foi este: “Essa foi uma guerra pelo petróleo da Líbia.”
Como tem gente doida para difundir inverdades.

Paulo Galliac
Paulo Galliac
O engraçado que justamente ao contrário este mito. E como tem gente otária como você que acha que a OTAN ou NATO e ocidente ajudam a Líbia por razões “humanitárias”. Usar bombas sujas de Urânio empobrecido no bombardeio a Líbia é bem humanitário para os fascistas de plantão. Óbvio que ações de governo são movidas pela ganância e é óbvio que uma delas é o petróleo, óbvio que é para apagar o mérito das revoluções Árabes que tiraram ditadores apoiados pelo ocidente na Egito e Tunísia só pelo povo verdadeiro e não mercenários sauditas, homens da CIA e OTAN. Obvio… Leia mais »
Paulo Galliac
Paulo Galliac

Só para reforçar óbvio:

WIKILEAKS PETROLEIRAS RECLAMAVAM DE LUCROS BAIXOS NA LIBIA POR CONTA DE IMPOSTOS

http://operamundi.uol.com.br

Preciso justificar mais? Ou será teoria da conspiração do Alex Jones.

trackback

[…] chacinaria os revolucionários se tivesse a chance”, diz Cole em artigo traduzido pelo Amálgama. De acordo com o especialista em Oriente Médio, é forçada a ideia de que os Estados Unidos […]

Gabriel Braga
Gabriel Braga
O que mais me incomoda nessa questão líbia é que para alguns,criticar o envolvimento ocidental significa,automaticamente,defender o regime autocrático,brutal e tirânico de Kadafi. Concordo com a crítica a alguns setores da esquerda que ainda enxergavam no ditador líbio algum progressismo.Talvez essa esquerda ainda se lembre dos tempos em que ele tinha uma postura-ou apenas retórica-anti imperialista.Mas essa simpatia é absurda pois Kadafi já estava totalmente integrado,digamos assim,ao sistema. Por outro lado não consigo aprovar a intervenção ocidental.O levante era uma guerra civil sim!Até acho que dentro do Conselho Nacional de Transição (CNT) haviam setores com sinceras aspirações democráticas.Mas o CNT… Leia mais »
Luis
Luis

Concordo 100%.

Paulo Galliac
Paulo Galliac

Concordo também. Para ser totalmente franco, “Hoje em dia” não dá para confiar em nenhuma das noticias, pois todas são querendo ou não são ideológicas. Sim elas tomam um ponto de vista de um pensamento e uma idéia. Por isto não consigo acreditar mais em Veja, Globo assim como FOX NEWS e outras empresas modus operandi Murdoch. De fato existe radicalismo de ambos os lados tanto da mídia convencional como da alternativa, contudo fico com a segunda. Mas com o cuidado de não comparar toda sua ideologia.

Eduardo
Eduardo

A industria da contra-informação EUA-Europa está a todo vapor.

A maior piada é desconsiderar a questão do petróleo.

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/libia-disputa-pelo-petroleo-ja-comecou

Luis
Luis

Dentre todos estes mitos, nenhum explica por que diabos a OTAN resolveu intervir na Líbia, e não no Bahrein, por exemplo.

Daniel
Daniel

“Você não pode proteger todas as vítimas de assassinatos em massa, em todos os lugares, o tempo todo. Mas onde você puder fazer algum bem, você deve fazê-lo.”

A situação na Líbia era mais grave que no Bahrein. E a matança na Síria é a mais grave de todas, mas trata-se de um país muito mais difícil de se intervir sem força uso de força terrestre do que a Líbia. A propósito, se a OTAN intervir no Bahrein, você será a favor?

Luis
Luis

Eu duvido que a OTAN se meteria no Bahrein.

Gabriel
Gabriel
Deixa eu ver se eu entendi, a situação no Bahrein, onde o rei conseguiu com ajuda suprimir o próprio povo com a ajuda de mercenários paquistaneses e do exercito saudita e uma situação “menos grave”. Por favor, não é dificil ver hipocrisia nas duas situações. enquanto sobre a Libia fala-se em derrubar Kadaff (ou Gadaff se preferir), no Bahrein a OTAN prefere manter sorrisos amarelos e falar que buscam em conjunto ao rei uma “solução pacífica”. Agora vamos analisar: o Bahrein é um pais pequeno e que só ganhou amplo conhecimento depois da Primavera. Sua população é menor que a… Leia mais »
Daniel
Daniel
Gabriel, apenas jogar o nome de um bocado de países não basta. Cada caso é um caso. Intervenções são naturalmente seletivas. Por uma questão de praticidade (não se pode evitar matança em todos os lugares), de prioridade (se não é possível intervir em todos os países, é preciso, sim, priorizar as situações mais graves) e, você está certo, por hipocrisia — embora este não tenha que ser sempre o fator mais importante. Você com certeza acompanhou as manchetes. Para a OTAN e alguns países árabes intervirem na Líbia foi preciso 1)que Kadafi colocasse milhares de seus opositores contra a parede,… Leia mais »
Gabriel
Primeiro a resposta: Não se trata de exigir da OTAN que intervenha no Bahrein ou no Iemen. Trata-se de verificar a coerência que do discurso da OTAN como guardiã da democracia no mundo. Assim como você eu acompanho os noticiários e o que eu vi no que diz respeito ao Bahrein realmente foi de doer, era o representante dos EUA com o príncipe do Bahrein dizendo que encontrariam uma “solução conjunta para a paz no Bahrein”. E você lembra das imagens de ebulição social que rolava no país, não lembra? Era o povo, assim como na Líbia, no Egito e… Leia mais »
Daniel
Daniel

Bem, o Nick Cohen (que, para questões de Síria, eu acho uma fonte mais confiável que a Carta ou o Milton), diz que os opositores sírios organizados no exílio não querem intervenção armada ainda, apenas ajuda de serviços de inteligência externos para que militares sírios desertem e também ajuda em tecnologia, para continuar gravando e divulgando para o mundo a violência do regime. Aqui no Amálgama tem esse texto traduzido — http://www.amalgama.blog.br/06/2011/siria-apartheid/

Paulo Galliac
Paulo Galliac
Se você quer suster nesta muleta argumentativa, que o conflito é mais violento, por isto é prioritário. Então porque os diversos conflitos civis na África não sofrem intervenção? Lá os banhos de sangue de fato existem há anos e o ocidente etnocêntrico não esta nem ai. E agora? E seu grau de argumentação é tão raso como a maioria dos defensores da NATO que se sustenta no argumento que é a esquerda que são contra à intervenção. Ou você é muito leigo ou ganho um salário para defender este ponto de vista. Afinal vários órgãos respeitáveis já chamaram a atenção… Leia mais »
Paulo Galliac
Paulo Galliac

Correção: Quando quero dizer África estou dizendo a África Subsariana ou a áfrica negra que fica sempre no ostracismo das “intervenções humanitárias”.

Dedeco
Dedeco
Tirando esse monte de opiniões, torcidas e falcificações temos duas evidências comprováveis: se Algum país do Conselho de Segurança da ONU(China e Rússia) se opor, os States e seus aliados não vão receber o aval da ONU pra repetir na Síria o que fizeram na Libia e outros lugares, podem até invadir, mas sem uma complacência e passividade internacional. O processo de mudanças na Síria deve ser pacífico e sem odios, rancores, vinganças e mortandade, como foi brasileiro e da América Latina. Em poucas linhas, um articulista em O GLOBO declarou que há uma entrada forte de armas na Síria,… Leia mais »
benjamin
benjamin

a verdade é que kadaff ja incomodalva ate mesmo os seus aliados por se mater 42 anos no poder, sem dar ouvidos a ninguem, qualquer pais que tiver um regime parecido se é que existe apenas na ilha da madeira, uma hora a bomba estoura e no caso de kadaff nem o poderil militar foi possivel lhe mater serve de lição o povo cubano, deveriam ver isso e sairem as ruas em busca de um regime livre e democratico …

roberto
roberto

será mito também 100mil líbios assassinados pela maquina de guerra da otan que deveria proteger os cívis?
será mito que os senhores da guerra(eua-inglaterra-frança) terão contratos bilionários para reconstruir a infra-estrutura destruida por bombardeios durante sete meses?
será mito que o petróleo no pós “revolução” vai favorecer justamente as nações envolvidas nos ataques ao povo líbio?
será mito que estes países que defendem as populações de governos tiranicos não o fazem na africa sub-saariana, que não tem o que saquear?
a quem pretendem enganar?? quando bombas estiverem estourando no seu quintal será mito??

Daniel
Daniel

100 mil líbios assassinados pela OTAN, é? Qual é sua fonte?

Oliveira Bodybuilder
Oliveira Bodybuilder

Pura desinformação esse texto ridículo.

Quem quiser saber a verdade é só procurar por textos do pepe escobar e documentários de Rolando segura.

Pura desinformação defecado pela boca da mídia ocidental.

Matheus
Matheus
Vamos por partes. – Gadaffi, nas primeiras duas décadas de governo, foi sim progressista na política interna. Nacionalizou a principal indústria e riqueza natural líbia, o petróleo. Redistribuiu a propriedade rural. Usou os excedentes econômicos do petróleo para investir em educação e saúde. Gadaffi era um “nasserista”, isto é, inspirava-se no presidente reformista do Egito nos anos 60 e 70, Nasser, também promotor de reformas econômicas e sociais. Após a restauração do capitalismo liberal na ex-URSS, Gadaffi ficou isolado e tentou aproximar-se dos Estados imperialistas, inclusive da antiga colonizadora da Líbia, a Itália. Fez concessões no plano externo e interno,… Leia mais »
Juliana Medeiros
Juliana Medeiros

Três anos se passaram e tenho dúvidas se o autor conseguiria repetir seus “argumentos”. A Líbia foi (e ainda está) destroçada e tanto os EUA quanto a França e outros membros da OTAN controlam hoje as reservas de petróleo que não estão nas mãos de milicianos. Seria interessante perguntar aos líbios se é assim que eles enxergam os acontecimentos em 2011 e se, passados 3 anos da invasão militar estrangeira, eles avaliam que obtiveram mais “democracia” ou “liberdade”. Só se for aquela que ocidentais adoram empurrar goela abaixo dos árabes e africanos.

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