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Muito além do ‘Muito Além do Nosso Eu’ de Miguel Nicolelis

por Eli Vieira (31/08/2011)

O leitor é levado a pensar que existe um time de teimosos que quer reduzir pensamentos a um único neurônio

por Eli Vieira

-- "Muito além do nosso eu", de Miguel Nicolelis --

 

Em Muito além do nosso eu, de Miguel Nicolelis, somos conduzidos a páginas e mais páginas de um relato exaustivo dos motivos pelos quais o autor está no time correto de neurocientistas. Em algo que lembra aquelas discussões de torcedores do Palmeiras contra torcedores do Corinthians, o autor tenta nos convencer de que os distribucionistas, que acreditam que o cérebro trabalha como um todo integrado de processamento paralelo distribuído em populações de neurônios, ganharão inexoravelmente o debate contra os ingênuos e tolos localizacionistas, que, por acreditarem que existem áreas cerebrais especializadas em certas funções mentais, só podem ser herdeiros da pseudociência de Franz Gall (frenologia), que buscava prever habilidades psicológicas a partir de assimetrias cranianas.

Um exército de metáforas desfila, às vezes num ritmo tão caótico quanto o das tempestades cerebrais de que tanto fala Nicolelis, para nos mostrar que o “reducionismo” está fora de moda e o caminho correto das ciências da mente será o de considerar populações de neurônios como a unidade funcional do cérebro, não o neurônio como tentam nos convencer os desatualizados e obscurantistas livros-texto de neurociência. Leões caçam em bandos, um leão solitário nada pode. A campanha das Diretas Já com multidão de centenas de milhares de manifestantes, que Nicolelis testemunhou in loco, de nada adiantaria se fosse um único manifestante bradando palavras de ordem contra a ditadura militar. E é por isso, além é claro também pelos inúmeros dados experimentais apresentados no livro, que devemos adotar o distribucionismo e suas consequências.

Longe de desmerecer os interessantíssimos dados empíricos apresentados por Nicolelis, já nos primeiros capítulos há uma pedra no meio do caminho, e é uma pedra conceitual: o autor faz um balaio de gatos, para não dizer espantalho, entre a visão localizacionista e a visão “reducionista” do cérebro. O leitor é levado a pensar que existe um time de teimosos que quer reduzir pensamentos a um único neurônio, que é a mesma turba que quer nos arrastar de volta para a frenologia. Temos no mínimo duas posições aqui sobre o funcionamento do cérebro, que devem interagir de modo mais complexo que os pares de estruturas cerebrais cujas conexões foram simuladas em algoritmo pelo cientista em seu trabalho na pós-graduação. Não nos é apresentada evidência, no entanto, das razões pelas quais deveríamos culpar os modernos localizacionistas por associação aos extintos frenologistas, e o autor não parece interessado em fazer a mesma justiça que faz à complexidade de conexões entre estruturas cerebrais para a complexidade de opiniões que podem adotar aqueles que discordam dele.

Da mesma forma que o autor culpa seus adversários por associação ao refugo da história da ciência do cérebro, ele alegremente se associa a gênios como Thomas Young e Albert Einstein.

Nicolelis descreve os prodígios da carreira de Thomas Young (1773-1829) como um baluarte de como deve ser a atitude de um cientista, no exemplo da teoria da percepção de cores que Young apresentou no começo do século XIX (antes da descoberta dos neurônios), propondo que haveria três receptores para cores na retina, o que foi confirmado apenas no século XX. Mas uma provocação interessante é que Thomas Young poderia estar correto por acidente, nessas ironias lógicas que permitem a premissas falsas levar a conclusões corretas. Ele pode ter tirado sua ideia de que há três receptores de cor na retina humana do fato trivial conhecido por pintores de que a variedade de tons usados por um Monet pode ser produzida a partir da mistura de tintas com cores fundamentais. Juntando-se isso à teoria ondulatória da luz (parcialmente incorreta, como se mostrou mais tarde), temos a teoria de Young sobre a percepção de cores.

Diz-se que o filósofo Epicuro de Samos, um atomista como seus antecessores Demócrito de Abdera e Leucipo de Mileto (apesar de nunca ter-lhes dado o devido crédito), diferia deles ao propor que além de o universo se reduzir a átomos e movimento, não é um universo puramente determinístico porque os átomos são capazes de dar guinadas imprevisíveis (cf. Foster et al. 2008). Isso lembra mecânica quântica? Sim, mas alegar que Richard Feynman e outros teóricos da quântica são herdeiros diretos de Epicuro seria no mínimo uma incorreção histórica, no máximo uma especulação baseada em correlação espúria de conclusões.

Considerar-se um “discípulo de Young” e acusar os ditos localizacionistas de serem discípulos de Gall comete exatamente essa injustiça, obscurecendo o que deveria ser um tratamento justo da história e da herança cultural que levou às pesquisas modernas, que de modo algum se divide no time dos corretos contra o time dos errados (exemplificados ao longo do livro em anedotas históricas como a de Golgi versus Cajal), mas numa comunidade comprometida com valores epistêmicos de interrogação honesta da realidade e debates fundamentados nesta secreção acumulada de nossas glândulas racionais nos últimos quatro séculos, chamada corriqueiramente de ciência. Para um tratamento menos futebolístico da história da ciência por parte de um cientista, cf. Gribbin (2003).

O termo reducionismo tem se tornado um xingamento no ambiente acadêmico. Um xingamento nebuloso e por vezes injusto. Como lembra Daniel Dennett (cf. Dennett 1998), o problema não é o reducionismo – encontrar as unidades ontológicas nas quais se ancoram determinado fenômeno natural –, mas o reducionismo ganancioso: atribuir todas as facetas e manifestações deste fenômeno a entidades que não têm, individualmente ou em conjunto, propriedades suficientes para explicar e prever o fenômeno em questão. Dennett cita como exemplo o reducionismo ganancioso de Skinner, com suas altas esperanças de explicar toda a mente como resultado de uma simples sucessão de condicionamentos. O que Nicolelis trata como isolamento da unidade funcional da mente – populações de neurônios – é uma clara e distinta baforada de reducionismo, tanto quanto enxergar o rim como um conjunto de néfrons (o que até o momento não só é visto como correto, como leva nefrologistas a salvar vidas todos os dias nos hospitais). A história dirá qual dos dois reducionismos – o celular ou o populacional – é ganancioso para explicar o cérebro, se algum é. E se as esperanças científicas de Nicolelis se concretizarem, vencerá o reducionismo populacional, e nenhum valor negativo deve ser atribuído a esta redução, pois reduzir neste caso significa tornar inteligível.

-- O autor --

Mas há no mínimo dois tipos diferentes de reducionismo (cf. Martínez 2011): o ontológico e o teórico. Se alguém diz que a “unidade funcional” do cérebro é o neurônio, está sendo reducionista ontológico, mas não necessariamente reducionista teórico. Um reducionista teórico acreditaria que tudo o que precisamos saber sobre o cérebro pode ser descrito em termos que envolvem o funcionamento de um neurônio (a teoria só precisa falar do neurônio, e dela derivamos o resto). Parece-me que Nicolelis defende bem razões pelas quais o reducionismo teórico ao neurônio é infrutífero, mas isso não obriga um reducionista ontológico a segui-lo. Motivo muito mais forte para abandonar o reducionismo ontológico ao neurônio é a existência de inúmeras células da glia que crescentemente têm sido mostradas como moduladoras e participantes em transmissão de sinais no sistema nervoso central, mas estas células sequer ganham menção no índice remissivo do livro de Nicolelis. Um sinal de reducionismo a neurônios, ainda que em populações?

Difícil julgar. O autor tem declarado que máquinas jamais poderão simular o funcionamento do cérebro humano, pois sua cantilena holista de que o todo do cérebro é maior que a soma das partes dita que as propriedades emergentes do órgão são irreprodutíveis artificialmente. Eu não apostaria todas as minhas fichas nisso, pois, se alguma lição pode ser derivada da história do “reducionismo” na ciência, é que o vitalismo vai mal das pernas desde que a ureia foi sintetizada por Friedrich Woehler em 1828, e este “neo-vitalismo de propriedade emergente” pode ter o mesmo destino. Reduzimos as propriedades da vida, ontologicamente, à física e à química. Mas não precisamos reduzir teoricamente – ninguém até hoje conseguiu reduzir a seleção natural, por exemplo, a explicações que só mencionam ondas e partículas.

É um problema, aliás, que pesquisadores da área biológica ainda considerem as teorias da física o grande quadro de referência ao qual devem prestar tributo todas as novas teorias em áreas como a neurofisiologia. Nicolelis soa exatamente assim quando constrói uma analogia cerebral da relatividade de Einstein para suas conclusões sobre o funcionamento do cérebro, falando em “continuum espaçotemporal” de neurônios e – o que parece uma derrapada – “princípio da incerteza da neurofisiologia”. Os próprios físicos ainda não sabem como unir o princípio da incerteza de Heisenberg com o universo relativístico de Einstein, juntar as duas coisas numa metáfora neurobiológica não parece prestar um grande serviço de esclarecimento.

Voltando à biologia e ao que chamei de “neo-vitalismo” de Nicolelis, Darwin, a propósito, dizia que a diferença de comportamento (e, portanto, de cérebro) entre o ser humano e os outros animais (especialmente vertebrados, cf. Dalgalarrondo 2011) é mais uma diferença de grau do que de tipo de capacidades e propriedades. Se não há muitos motivos para duvidar que conseguimos simular todos os comportamentos de um verme hoje, talvez não devemos ser tão dogmáticos quanto à incapacidade de simular o cérebro humano num futuro remoto, até porque a pesquisa de ponta de Nicolelis tem mostrado que máquinas podem “ler pensamentos” e traduzi-los em comandos computacionais, fazendo com que um primata em seu laboratório controle um robô do outro lado do mundo. Mas o debate entre defensores da inteligência artificial forte e fraca está longe de estar encerrado.

É importante tomar neurônios conjuntamente, mas nem todas as analogias do livro valem. Uma analogia que me interessa particularmente é a da herança multifatorial/poligênica, usada pelo autor como um exemplo de que os genes também são manifestantes das Diretas Já na democracia da manifestação do fenótipo. Não é bem assim. Em fenótipos complexos como a síndrome de Down, por exemplo, já se mostrou que a importância de cada gene é assimetricamente distribuída pela natureza, de forma que há uma “região crítica” do cromossomo 21 na qual há genes sensíveis à dosagem, como o DYRK1A, que são mais importantes que outros no resultado observado. Outro caso é o do famoso gene FOXP2, cujos estudos evolutivos e funcionais mostraram que também na manifestação da base genética da cognição o “voto” de cada gene não tem igual valor. Se a analogia populacional de Nicolelis tem essas nuances em genética, por que não teria na própria neurofisiologia, admitindo, heresia das heresias, algo de localizacionismo?

Se a história da neurociência pode ser reduzida a dois times – os localizacionistas-reducionistas de um lado, e os distribucionistas-holistas de outro –, parece algo que vale a pena disputar no livro de Nicolelis. Ainda mais quando os próprios autointitulados distribucionistas usam modelos teóricos de mapas somatotópicos (homúnculos cerebrais) que ironicamente lembram uma visão em que há regiões especializadas no cérebro (há no livro até uma imagem do mapa somatotópico provável do Pelé, localizando a área de representação da bola de futebol bem junto ao pé do homúnculo cortical).

Já fui a duas palestras de Nicolelis, em ambas não deixei de me impressionar com as possibilidades abertas pelo seu trabalho, e de me entusiasmar com a retórica Santos-Dumontista que está transformando a vida de crianças carentes no IINN-ELS em Natal. Muito além do nosso eu não deixa a desejar ao passar esta atmosfera mental do autor. Desde milhões de anos atrás nossos ancestrais hominídeos foram muito além de seus eus usando ferramentas, e hoje o trabalho de Nicolelis é de fato um ponto de inflexão em nosso entendimento do que significou, em termos funcionais, este passo em direção a um cérebro capaz de simular mais que um mapa de nossos corpos, mas um mapa de uma representação do próprio mundo em nossas habilidades mais valiosas – incluindo o pincel no cérebro de Da Vinci, o avião no cérebro de Santos Dumont e a bola no cérebro do Pelé.

A excelente linha de pesquisa de Nicolelis faz dele um cientista cotado para o Nobel. Seria mais que um orgulho nacional se ele fosse laureado: seria uma restauração da injustiça histórica contra Carlos Chagas, duas vezes nomeado formalmente, duas vezes nomeado informalmente, mas nunca laureado, em grande parte por causa da ação de grupos de detratores entre seus concidadãos cientistas (cf. Coutinho et al. 1999; talvez isso dê alguma pausa aos detratores mais ferinos de Nicolelis no Brasil). O grande mérito deste livro é mostrar como é a vida de um cientista heterodoxo no Brasil e no mundo. E, se minha humilde opinião de leitor e de biólogo pós-graduando em genética vale de alguma coisa, penso que Nicolelis merece seu Nobel de fisiologia/medicina – ainda que não mereça o de literatura.

::: Muito além do nosso eu ::: Miguel Nicolelis ::: Cia. das Letras, 2011, 504 páginas :::
::: compre na Livraria Cultura ou no Submarino :::

LEIA TAMBÉM
Evolução do cérebro: Sistema nervoso, psicologia e psicopatologia sob a perspectiva evolucionista, de Paulo Dalgalarrondo.

A perigosa ideia de Darwin: A evolução e os significados da vida, de Daniel Dennett.

Critique of Intelligent Design: Materialism versus Creationism from Antiquity to the Present, de John Bellamy Foster, Brett Clark e Richard York.

Science: A history (1543-2001), de John Gribbin.

– Martínez, Sergio F. Reducionismo em biologia: uma tomografia da relação biologia-sociedade. In Abrantes, Paulo C. et al. Filosofia da Biologia. Artmed, 2011.

– Coutinho, Marilia; Freire-Jr., Olival & Dias, João Carlos Pinto. The Noble Enigma: Chagas. Nominations for the Nobel Prize. Mem Inst Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Vol. 94, Suppl. I: 123-129, 1999.

Eli Vieira

Biólogo (UnB), geneticista (UFRGS e University of Cambridge), humanista, pensador.

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Manoel Galdino
Manoel Galdino

Ainda não terminei de ler o livro, mas tive impressão similar. Só que eu não sou geneticista, sou cientista político. Mas é um assunto que me interessa e muito, principalmente porque meu pós-doc provavelmente terá um pouquinho de genética (genética quantitativa, hereditariedade de traços, essas coisas).

Valeu pela resenha. E se tier alguma indicação de livro básico/clássico de genética quantitativa (mas não vai indicar o Fisher!), ou mesmo de neurociência, agradeço tbm.

Hugo Silva
Hugo Silva

Muito interessante a resenha.
Parabéns!

Eli

Manoel, de neurociência eu indico o clássico Kandel et al., Principles of Neural Science. Este é livro-texto denso mesmo. Em divulgação de neurociências, recomendo os livros de Vilayanur Ramachandran (Fantasmas no Cérebro) e Oliver Sacks.
Em genética quantitativa, depende dos seus propósitos. Tem livros para evolução, e livros para técnicas em genética epidemiologica. Neste último o Handbook of Behavior Genetics (Yong-Kyu Kim) tem bastante coisa. Espero ter sido útil.

Hugo,
obrigado!

Bernardo Santos

Oi Eli,

É isso aí. O livro ficou um pouco panfletário, e isso me cansou um pouco – mas o pior são as metáforas quase românticas usadas o tempo todo. Parei de ler logo no começo, passei outras leituras na frente mas pretendo retomar. Parabéns pela resenha, ficou muito boa.

Abraço!

Camilo Jr.
Eli, Resenha excelente! Eu sempre fui meio adverso ao Nicolelis precisamente nesse ponto: é um grande cientista, mas não raro defende posições ainda controversas com um discurso absolutista que mais parece extraído do dogmatismo eclesiástico medieval. Quando leio um livro de Pinker em que este expõe algo que é seu ponto de vista ou de sua corrente, mas que ainda é discutível, ele destaca o que pensa, contrapõe ao que os rivais pensam e, em seguida, deixa claro que só mesmo o tempo e mais estudos dirão quem está com a razão, caso ambas as correntes não estejam certa num… Leia mais »
Jamil Orlandelli
Jamil Orlandelli

Eu ainda não lí o livro, mas gostei da resenha. Interessante é saber o que pessoas comuns dizem sobre o livro. Como este artigo publicado no jornal abaixo. O artigo está no verso da primeira página.
http://www.diariodevotuporanga2.com.br/21-08-2011/ . Um abraço

Adriano
Adriano

Pessoas comuns?
Parabéns pelo discernimento

Bernardo Santos

Só para registro, fiquei impressionado e decepcionado com a reação do Nicolelis a essa resenha. O cara pediu as “credenciais” do Eli para falar de neurociência. Francamente…

Bernardo Santos

Ah sim, e sugeriu que o Eli teria uma “agenda oculta” escondida sob essa resenha! Só imagino, talvez ele seja um infiltrado a soldo dos localizacionistas?

Alaer Garcia
Alaer Garcia
Caro Elí Caro Eli, Vou dar minhas credenciais- Ex -cirurgiao vascular,69, aposentado,curso de Filosofia e tentativa de ser ensaista-paixao pela ciencia. Adoro K.Popper- : somos maquina eletro -quimica. Se existe filosofia é porque, desde Kant, provou que nao temos representacao mental de Tempo e Espaco. e eu acrescento nem de Energia. Fui amigo de H Del Nero- ´O sitio da mente´- brilhante- morreu recentemente,cedo. Nao li o livro,e depois da sua resenha ,muito boa, para entendedor basta. Nao gostei de o Erro de Descartes´ de Damasio. Nao gostei de Nicolelis na Flip de Paraty. Juntando as pecas- Ele esta com… Leia mais »
Eli

Alaer,
muito divertido seu comentário.
Sobre “vir do macaco”, bem, Darwin jamais disse isso. Mas já que foi ironia, deixemos passar.
Abraços.

Alaer Garcia
Alaer Garcia
Eli- Gostei de vc dizer ´divertido´, pois nao deixa de ser um tipo de humor,que faz parte da Neurociencia. Mais divertido foi alguem dizer que Nicolelis quer ser novo Santos Dumont. E a historia da Ciencia é tenebrosa. Nem por isso deixemos de cultiva-la. O problema é a Politica. Qdo formei na USP de Rib.Preto -68, media de vida do brasileiro,era 54 anos, e hoje 75. E apos 42 anos de formado nimguem recebeu se quer uma homenagem por este fato. Entao Nicolelis,fala bem e do Jo soares em diante esta fazendo politica para melhorar nossa ciencia. Nao que Darwin… Leia mais »
Eli

Alaer,
se vier a Porto Alegre qualquer dia, não deixe de entrar em contato, sinto que o senhor é companhia perfeita para um papo sobre ciência e uma cerveja.
Abraços.

Amom
Amom

Caro Eli, isso é um livro científico, ele não escreveu um romance, não pretende ganhar o Nobel de literatura. Acho que deveria ter mais respeito pelo gênio e estudar um “pouquinho” antes de criticar anos de pesquisa, séria, com argumentos superficiais.
Abraço e mais humildade meu querido!!!

Francisco Boni

O livro do Nicolelis é um livro de divulgação científica que fala sobre filosofia e, como o Eli demostra, com argumentos superficiais sobre filosofia da mente/neurociência.

Sua reclamação sobre “respeito” não passa do nível em amarelo aqui: http://bulevoador.haaan.com/2011/09/26323/

Eli

Amom, comentarei quando você apresentar um argumento, em vez de fazer como o próprio Nicolelis, que apenas me adjetivou, me acusou de ter agenda oculta, me bloqueou no Twitter (oh céus) e me desafiou a apresentar artigos de uma área à qual eu não pertenço, sendo que mesmo na área que atuo (genética) ainda não tenho artigos porque sou um mero estudante de mestrado. O livro dele é de divulgação, fala de história e filosofia da ciência, e nessas áreas eu tenho, sim, experiência suficiente para comentar, como ocorreu na resenha acima que você sequer tentou refutar. Abraços.

Mário SF Alves
Mário SF Alves

Gostei do seu comentário. Assisti uma aula magna do Nicolelis na UNB; o cara é impressionante. E quanto ao “O autor tem declarado que máquinas jamais poderão simular o funcionamento do cérebro humano, pois sua cantilena holista de que o todo do cérebro é maior que a soma das partes dita que as propriedades emergentes do órgão são irreprodutíveis artificialmente.” creio o autor tem razão de sobra para pensar assim, mesmo porque, desconheço qualquer estudo científico que sequer descreva minimamente o fenômeno consciência.
No mais, vida longo ao Professor Nicolelis. Com ou sem o Nobel.

Gabriel Gabbardo
Eu sou completamente leigo na área de neurociência. Não entendo patavina. Nesta área, o livro do Nicolelis não me ensinou absolutamente nada. Como obra de divulgação, é fraquíssima. A comparação com “O Gene Egoísta”, do Dawkins, e “Breve História do Tempo”, do Hawking, é absolutamente constrangedora para com Nicolelis. Afirmar diretamente que o pessoal que discorda de ti dentro da academia é descendente da frenologia é um absurdo por si só; afirmar, indireta e covardemente, que o epessoal que discorda de ti dentro da academia está a um passo do nazismo (que usou da frenologia a torto e direito) é… Leia mais »
Amom
Amom

É meu jovem, você me convenceu. Eu é que não tenho mesmo experiência suficiente para comentar sua excelente resenha. Devo ter me enganado esses anos todos, afinal, sou um mero Pós-doutor em Filosofia pela UL e Doutor em História pela USP. Tenho mesmo que me calar.

Abraço e bom mestrado criança.

Eli

Sem argumentos, Amom? Acontece com todos nós. Acho que é falta de zinco na alimentação.

Wolfgram
Wolfgram

Excelente comentário Amom. “Deus existe porque eu sou Doutor Formado na USP”
“A resenha é ruim porque eu sou Doutor Formado na USP”

Bernardo Santos
Bernardo Santos

Incrível e lamentável que dentro da academia ainda haja tanta gente que acha que “autoridade” e “experiência” são argumentos numa discussão.

Amom, se você tem experiência para comentar a resenha, que tal fazer o seguinte: comente a resenha. Aponte onde o autor está errado, quais os equívocos que cometeu, qual seria a interpretação alternativa mais correta, ao invés de pedir por “respeito aos anos de pesquisa” (que por sinal não foram desrespeitados, mas louvados).

Valdir Pessoa
Valdir Pessoa
Eli, Parabéns pela excelente resenha do livro de Nicolelis! O livro me trouxe algumas referências muito interessantes sobre recrutamento crossmodal e projeção do nosso eu para o espaço alocêntrico que aproveitei em seminários da disciplina Sistemas Sensoriais. Contudo, você está coberto de razão quando critica a maneira parcial como Nicolelis contrapõe o holismo (agora distribucionismo) x localizacionismo (confundido com frenologia). Estes debates já estão ultrapassados, ganharam roupa nova, assim como ocorreu com o processamento hirárquico x paralelismo, fatores genéticos x fatores ambientais e tantos outros. Para biólogos ou outros profissionais que possuem um pé na história das Neurociências e um… Leia mais »
Caroline
Caroline

“O livro me deixou com a certeza quase absoluta que ele está no grupo dos gênios habitado por Picasso, entre outros: o tipo de gênio que quero longe, bem longe, de mim.”

Gabriel, gostaria que explicasse melhor essa sua opinião! Se foi uma ironia (pq desculpe, pra mim não ficou claro) quero saber suas questões mais a fundo. Obrigada.

trackback

[…] Para uma resenha crítica do livro, ver Muito além do muito além do nosso eu, escrita por Eli Vieira […]

Alaer Garcia
Alaer Garcia

Caro Eli
Ja que o espaço que nos separa nao da p encontrar vamos fazer outro comentario.
Andei pensando e pensando andando lembro de Sto Agostinho , que nao foi santo ,por isso as igrejas deixam ele de escanteio, mas foi genio antropologico. A historia do Tempo e habitos e vicios.
Ja comecei a escrever- Neurociencia e Sto Agostinho , se quiser uma carona , ou alguem disposto, vamos publicar.
A Neurociencia esta atrasada mais de 50 anos..
abl

Roberto
Roberto

“Se não há muitos motivos para duvidar que conseguimos simular todos os comportamentos de um verme hoje, talvez não devemos ser tão dogmáticos quanto à incapacidade de simular o cérebro humano num futuro remoto”

Sugiro que você leia um artigo na revista de ceticismo “Skeptic” intitulado “A.I. GONE AWRY: The Futile Quest for Artificial Intelligence”. É um balde de água fria em quem acredita na possibilidade de simular o cérebro humano em um computador.

Marcio Amaro
Marcio Amaro

Parabéns

Francisco
Francisco
Ótima análise. O meu interesse específico no livro do Nicolelis é procurar algum insight sobre inteligência artificial (minha área de pós-graduação). Comecei a ler o livro ontem e estou pela página 120. Em comparação com o “The Feeling of What Happens” do António Damásio, que também estou lendo, parece uma leitura mais “veloz”, mas não diria pobre. Se algumas anedotas já conhecidas pelo brasileiro comum fossem retiradas, o livro teria mais ou menos o mesmo número de páginas do Damásio. As primeiras páginas do Nicolelis me deixaram um pouco entediado – o movimento Diretas Já nunca me empolgou muito. Também… Leia mais »
Edson
Edson

O meu interesse específico já é procurar algo que eu desmantele o reducionismo, no Direito, para minha área de graduação. Edson Stofela.

sidnei luis fermino
sidnei luis fermino

Oi adorei.. muito obrigado, amei a
maneira que vc usou para descrever essa resenha…me fez se interessar pelo
livro….mas vc já leu o livro reverso… se trata de um livro
arrebatador…ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os
tempos…..e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando
dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na
história…..acesse o link da livraria cultura e digite reverso…a capa do
livro é linda ela traz o universo em destaque.

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?

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