A vida com poesia: entrevista com Fabiano Calixto

"Ninguém sai ileso da leitura de alguns autores, assim como ninguém sai são e salvo de 44 horas semanais diante de uma máquina que o escraviza em busca da peça perfeita."

O que pode a poesia? Um poema se faz de quê? Qual é “o grande poema”?

O poeta e escritor Fabiano Calixto, já consagrado no time dos poetas contemporâneos, fala como a poesia entrou (e ficou) na sua vida. Calixto nasceu em Garanhuns (PE) e atualmente mora em São Paulo. É mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo, USP. Foi coeditor da revista Modo de Usar & Co. Em breve, sairá sua antologia A canção do vendedor de pipocas.

Fabiano tem mania de falar de poesia, é fã de heavy metal, de gastronomia (adora inventar receitas) e possui o blog Meu Pé de Laranja Mecânica.

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Amálgama – Como a poesia entrou na sua vida e na sua narrativa? Como foi inventar-se poeta?
Fabiano Calixto - A poesia apareceu na minha vida muito cedo. A primeira lembrança que tenho é de uma popular parlenda (“hoje é domingo / pede cachimbo / etc.” – que eu sempre entendia por “pé de cachimbo”, imagem que acho muito mais divertida, imaginativa e inusitada que a original – foi meu primeiro contato com o surrealismo). Meu pai recitava essa parlenda para mim quando eu era bem criança. E jamais a esqueci. Dela, acredito, tenha nascido esse interesse por rimas e outras maquinarias da poesia que muitos e muitos anos mais tarde eu iria curtir muito. Ainda quando criança meus pais me presenteavam com exemplares daquela famosa Coleção Disquinho – que foi lançada no Brasil nos anos 60 e cruzou décadas com histórias clássicas e universais, acompanhadas de músicas compostas por João de Barro e arranjos orquestrais de Radamés Gnatalli (sou muito fã de ambos). Eu era (e ainda sou) fascinado por essa coleção. As histórias eram rimadas e tal e eu cheguei a guardar algumas delas inteiras na memória. Elas afiaram minha noção melódica.

Mas até aí, claro, eu não escrevia poesia. Era apenas curtição. Algum tempo depois, quando entrei na escola e aprendi a ler, fui fazendo minhas escolhas de leitura, montando meu cardápio. Aos 10 anos, comecei a ouvir heavy metal (por conta da turnê do Kiss no Brasil, em junho de 1983 – aquele divertido circo de horrores me fascinou!). Eu adorava heavy metal, futebol e HQ. Tendo essa trinca no prato do dia, meu pai comprava para mim a revista Placar (onde o Juca Kfouri chegou a ser diretor de redação), títulos da Marvel (Superaventuras Marvel, Heróis da TV, O incrível Hulk, Homem-Aranha e Capitão América), a revista Metal e, claro, discos de heavy metal. Junte-se a isso a Coleção Vagalume, da Editora Ática, que devorei boa parte – os que mais gostei foram O escaravelho do diabo, de Lúcia Machado de Almeida, e O mistério do cinco estrelas, do Marcos Rey. Enfim, passava os dias lendo essas coisas e ouvindo heavy metal (Kiss, Accept, Ozzy Osbourne, Iron Maiden, AC/DC, Motörhead, Black Sabbath). Essa foi minha formação primeira. Na adolescência eu continuei lendo livros e HQ, mas estava mais interessado em heavy metal e formei, com amigos, uma banda das mais absurdamente barulhentas de que já se teve notícia. Me diverti à beça nessa época. Trabalhava no bar do meu pai e saía com amigos pelos botecos da cidade para beber cerveja e ver shows. Trabalhei também em metalúrgicas – nada mais heavy metal, não?

Só fui escrever poesia depois que desencanei de montar bandas, de tocar guitarra e tal. O interesse por poesia veio na escola, mais tarde – porque eu parei de estudar para tocar e depois fui fazer supletivo depois de velho. Nessas aulas, eu fui lendo poesia e me interessando cada vez mais. Acabei indo parar nos velhos manuais de literatura, que comprava nos sebos de Santo André, no ABC paulista, onde vivi. E ia devorando todos os poemas. Álvares de Azevedo e Augusto dos Anjos me impactaram logo de cara. (E ainda, pela noite andreense, havia um poeta, o Jambo, que aparecia nas mesas dos bêbados para trocar um poema por algum trocado ou por uma pinga. Foi o primeiro poeta que conheci. Sempre lia os poemas do Jambo, poeta marginal de verdade!). Bem, eu ia lendo os poetas românticos e, depois, os modernistas. Logo pintou a fissura de rabiscar algo. Foi aí que tudo começou. Ia escrevendo e mostrando para os amigos. Eram uns poemas bem ruins, mas como escrevi num texto recente: o que seria do mundo sem os poemas ruins?

Pois então, aí em 1995, eu conheci, através de jornal da província, a livraria Alpharrabio em Santo André. Capitaneada pela poeta Dalila Teles Veras, a Alpharrabio armava uns lances bem legais com poesia na cidade. Foi um local de concentração de quem escrevia no ABC paulista, tanto para escritores experientes quanto para os novos. Lá eu conheci, além de Dalila, muita gente bacana, com quem troquei ideias e poemas. Zhô Bertholini, Jurema Barreto de Souza, Helio Neri, Danilo Bueno, Antonio Possidonio Sampaio, Guilherme Vidotto, entre outros. Daí publiquei poemas na revista A Cigarra, uma revista corajosa e generosa de poesia, editada por Zhô e Jurema, lá mesmo, em Santandré. Em 1998, publiquei, de forma independente, uma plaquete intitulada Algum – que teve direito até a lançamento, em casa, para os amigos, com porções de frutos do bar e muitas garrafas de conhaque Dreher. Dois anos depois, publiquei, graças à confiança e generosidade da Alpharrabio Edições, meu primeiro livro, Fábrica (2000). Foi aí que toquei fogo em Roma e o incêndio dura até hoje.

No seu livro Fábrica, sua poesia parece brotar de uma “brincadeira” de fazer poemas “pintando” a folha em branco com palavras. Como funciona sua fábrica de poesia?
Bem, no período de composição do Fábrica eu curtia muito estes versos do Waly Salomão:

sonho o poema de arquitetura ideal
cuja própria nata de cimento encaixa palavra por
palavra,
tornei-me perito em extrair faíscas das britas
e leite das pedras.

Como todo alucinado por poesia, eu tinha, à época, essa fissura de fazer um bom trabalho, de escrever um bom livro de poemas. A poesia é aquele intervalo imaterial entre a experiência desastrosa e o remorso que ela causa. É um desajuste. Obviamente, não há medida, nem fórmulas. Não há uma “fábrica de poesia”, mas há algo como uma “fábrica do poema”, que é a peleja da procura (quase sempre em vão). Acredito que tudo seja uma catástrofe em um poema. Pois então, quando comecei a montar o livro que se tornaria o Fábrica, eu estava fissurado num repertório de leituras específico, fechado. Estava lendo muito João Cabral de Melo Neto, Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Sousândrade, Júlio Castañon Guimarães, Ronald Polito, Carlito Azevedo, Claudia Roquete-Pinto, entre os brasileiros; e Marianne Moore, Wallace Stevens, Ezra Pound, Stéphane Mallarmé, Vladimir Maiakóvski e Robert Creeley, L=A=N=G=U=A=G=E Poetry, dentre os gringos. Além desses, que são, digamos, mais límpidos (como água), eu lia muito os Beats, Paulo Leminski, Torquato Neto, Waly Salomão, Chacal, que são mais turvos (como vinho).

E lia, ainda, nas máquinas da fábrica onde trabalhava, a pulsação de uma outra linguagem, que era uma linguagem hipnótica e desumana, que separava o mundo entre a peça perfeita (pureza) e o refugo (lixo). Nós, peões de fábrica, não comandávamos a máquina, éramos por ela comandados. Aquele ritmo nos levava a um transe tão violento que a máquina de aço se fundia à máquina orgânica e tudo se tornava uma coisa só: um relógio bizarro ou um coração aleijado, ambos desesperadamente melancólicos. Esse é o maquinário absoluto da fábrica de dementes que é o capitalismo, é a linguagem violenta do capitalismo. Me sentia como aquele homem de lata de Oz em busca de um coração – que era a minha metáfora para a inserção de poesia nos eventos da vida. Ninguém sai ileso da leitura de alguns autores, assim como ninguém sai são e salvo de 44 horas semanais diante de uma máquina que o escraviza em busca da peça perfeita. Enfim, essas leituras todas, essas angústias, foram minhas parceiras na composição de Fábrica. Naquele livro eu procurava uma poesia enxuta, mínima. Uma poesia seca, metálica, mas, por outro lado, queria que também pulsasse, que tivesse batimento cardíaco, que tivesse lirismo. Acho que neste livro encontrei esse tom.

Em Música possível, a poesia se faz a partir de uma realidade bruta que diz bastante da vida nas grandes cidades e da contemporaneidade. Por que fazer poesia com essa realidade oca, coxa, capenga – parafraseando Waly Salomão – uma realidade supostamente pobre de imaginação?
A psiquiatra humanista Nise da Silveira dizia que a imaginação é nossa realidade mais profunda. A realidade não é uma oposição fácil à imaginação. A vida em comunidade, como nas cidades, por exemplo, é a pedra fundamental de nossa relação com o mundo. E olhá-la com um olhar furioso e sarcástico é uma maneira de fazê-la crescer, de dar-lhe estruturas mais fortes. Então, acredito que a realidade não é pobre de imaginação, a realidade na verdade é o sonho da imaginação. Por mais longe do real que determinado escrito possa estar, ainda assim (e muitas vezes contra o gosto ou a intenção do autor), esse escrito está calcado no real, pois dele parte – toda a construção psicológica, social, ética e estética desse trabalho se construirá a partir de experiências com o real. Não adianta, estamos condenados ao real. E a realidade também tem isso de droga mesmo, de chapar, de detonar o espírito criador e com ele armar um embate, onde todos, inteiramente feridos, perdem. Ainda bem, pois só assim, perdidos e derrotados, podemos encontrar saídas.

Em Sangüínea, a amizade e o amor estão em evidência em poemas que representam conversas com amigos reais e imaginários, em momentos com sua mulher – são recortes “sangüíneos”, por assim dizer, no tempo da vida agitada, ruidosa e apressada que confirmam o estar vivo (e uma possível partilha disso) em um mundo que tem pressa, em que falta tempo para esses momentos com os amigos e com quem se ama. A poesia que sangra é capaz de suspender a temporalidade do leitor em tempos de muita pressa?
Acho que só essa poesia sangrenta pode nos deixar suspensos. E por dias seguidos, às vezes semanas, meses. Não raras vezes, pela vida inteira! Há poemas que, quando acabamos de ler, continuam pulsando em nossa memória incessantemente, tornam-se parte da gente, como nosso fígado ou nossos rins. Esses são os poemas que valem a pena. O grande poema é aquele que nos sabe de cor. Pois bem, se esse tipo de escrita vampírica, nietzschiana, arruaceira não puder nos deixar suspensos, então nada poderá. O Sangüínea existe daquele jeito por causa de muitas coisas que rondavam minha cuca e minha vida no período, entre as quais, a poesia da Angélica Freitas. A poesia da Angélica resgatou uma coisa boa da poesia que é o humor e a anarquia. Mas não qualquer humor, e sim um humor enviesado & refinado. A poesia da Angélica bagunça o coreto e passa a mão na bunda do guarda! Li e fiquei fã na hora. Isso mexeu com meu modo de compor e este livro resultou também disso. Eu acho que é um livro anárquico. And I like it!

Percebem-se, ao longo da sua obra, flashes de beleza e delicadeza tirados do “nada”, em cenas comezinhas em casa ou na rua. Você acredita que a linguagem poética hoje precisa (talvez mais) pinçar e iluminar a beleza, a delicadeza, a música, o amor, o sangue, sobretudo o gosto da palavra?
A poesia só precisa de poesia. Não acredito em nenhum tipo de lei ou regra para a poesia. Existem possibilidades infinitas. Nalgumas vezes funciona, noutras não. Num belo filme que retrata a vida da grande poeta chilena Violeta Parra – Violeta se fue a los cielo (2011), de Andrés Wood –, há uma fala muito bonita, anárquica, que vem ao encontro com o que eu acredito em termos de criação. Quando o jornalista pergunta a Violeta quais conselhos daria aos jovens cantores/ compositores, a poeta responde: “Tal vez les diría que escriban como quieran, que usen los ritmos que les salgan, que prueben instrumentos diversos, que se sienten en el piano y destruyan la métrica, que griten en vez de cantar, que soplen la guitarra y que tañan la trompeta, que odien la matemática y que amen los remolinos. La creación es un pájaro sin plan de vuelo que jamás volará en línea recta.” É isso! Destruir para construir, como quer o Walter Benjamin naquele texto lindo sobre o caráter destrutivo, onde, escreve o brilhante filósofo alemão: “O que existe ele [o caráter construtivo] converte em ruínas, não por causa das ruínas, mas por causa do caminho que passa através delas”. Quanto a mim, fiz essa escolha, de escrever somente sobre coisas que tateei, que vivenciei, vi e tal. E faço isso sem seguir regras, pois elas não me interessam. Não sei se isso é melhor ou não, mas tenho certeza que é o que gosto de fazer. E se isso interessar a alguém, de alguma maneira (ainda que mínima), já fez valer a pena. Se não interessar a ninguém, ainda assim vale a pena também.

A chuva está sempre presente na sua poesia – uma presença fortemente lírica. Lembra-me Gene Kelly encantado na chuva… A chuva também te encanta – que encantamento é esse?
A chuva é minha cantora preferida. É também minha contadora de histórias predileta. E minha musa. Gosto muito da chuva em todas suas performances – garoa, chuva de granizo, tempestades. Sempre gostei. Nela me encanta tanto o som quanto a imagem. Adoro as cenas de chuva do cinema – acho quase impossível errar uma cena de chuva no cinema. Você já notou como a chuva nos abraça quando caminhamos com ela pelas ruas? Já notou como ela encharca nossa camisa e nos aperta tão forte que parece que se colou à nossa pele? A chuva está sempre cheia de si. Há filmes que amo onde sempre há coisas caindo do céu, às vezes um mutante, às vezes sapos, às vezes uma vaca, às vezes a chuva.

Você fez um livro de poesia com receitas diferentes e bem criativas, para crianças, que se chama Pão com bife. Você também virou chef?
Eu, virar chef? Eu sempre fui! Faço, além de um delicioso bolo de tubaína e uma extraordinária sopa de conhaque, o melhor ovo frito do mundo! Então, o Pão com bife foi uma experiência legal, que curti muito. Nunca planejei escrever um livro infantil, mas quando estava na faculdade, no último ano, tive um curso sobre literatura infantil. Eu já estava de saco cheio da faculdade e queria acabar logo, então achava que aquele curso seria um calvário. Para minha surpresa, foi um dos melhores cursos da graduação! As aulas eram ministradas pelo Marcos Moraes (hoje professor do IEB-USP). As aulas eram muito legais, Marcos tem uma mente vivíssima. No fim do curso, Marcos propôs duas coisas para a turma, como trabalho final: escrever um artigo ou um livro. Optei pela segunda opção. A ideia era fazer um livro infantil mesmo – montar um livro, desde a escrita até o objeto final, com ilustração e tudo mais. Foi aí que surgiu o Pão com bife. Cinco anos depois, a convite do poeta Fabio Weintraub, o livro foi publicado pela Edições SM.

No seu percurso da fábrica ao sangue, passando pela música, inventando receitas como salsicha com rapadura, o que mudou na sua poesia? A forma ainda ocupa um lugar importante na sua criação?
Tudo muda a todo momento em minha poesia. A forma é a minha poesia, na verdade. Falo de coisas simples o tempo inteiro, de dúvidas, e procuro experimentar modos de dizer diferentes. Meu verso, por exemplo, sempre foi se enchendo, ampliando o fôlego. De Algum (onde o verso mínimo predomina) até Nominata morfina (onde só há poemas em prosa), minha linguagem foi tornando-se cada vez mais espaçosa. Foi caminhando, sem que eu tivesse programado, para a prosa. É uma maneira, dentre tantas, de degustar as formas.

Qual foi (é) o papel dos poetas que você leu (lê) na sua obra?
Tudo o que li está em minha poesia. Tudo que vi. Tudo que ouvi. Tudo que vivi.

O que tem lido?
Eu vivo consumindo arte. Sempre ouvindo, vendo, lendo, curtindo algo. Estou atualmente lendo toda a obra do Roberto Bolaño – autor extraordinário que transformou muita coisa em mim, em meu pensamento, escritor que parece saído diretamente de algum boteco do centro da cidade, carregando consigo todas as histórias do mundo, altamente eletrificadas, tudo no texto de Bolaño pulsa, sofre, gargalha, desconfia, é uma tamanha vida, uma tamanha beleza que saímos atordoados, perdidos e encantados. Como ele diz em algum lugar: “Fazer surgir novas sensações – subverter a cotidianidade. Larguem tudo novamente, lancem-se pelos caminhos”. Sempre volto a algum clássico – reli faz pouco o Dante e pretendo, após a viagem bolañesa, reler o Guimarães Rosa todo. Dos escritores que leio com total fascinação hoje em dia: Carlito Azevedo, Marcelo Montenegro, Angélica Freitas, Fabrício Corsaletti, Bruno Azevêdo, Ricardo Domeneck, Nuno Ramos, Vitor Ramil, Marília Garcia, Reuben da Cunha Rocha, Bruno Brum, Chacal, Diego Vinhas, Coffin Souza, Dirceu Villa, Angeli, Mário Bortolotto, Xico Sá e Paulo Rodrigues – autores que estão na ativa, nos proporcionando momentos de lucidez e loucura ímpares. Dentre os escritores gringos: Manuel de Freitas, Benjamín Prado, Heriberto Yépez, Enrique Vila-Matas, Alan Moore, Lawrence Ferlinghetti, Neil Gaiman.

Das bandas que ouço com extremo prazer: Ghost, Flageladör, Los Tiki Phantoms, Uncle Acid & The Deadbeats, The Black Belles, Venomous Maximus, The White Stripes, Wander Wildner e Giallos. Além dessas bandas, eu tenho ouvido muita música caipira (que amo profundamente) – Tonico & Tinoco, Zé Mulato & Cassiano, Leo Canhoto & Robertinho, Milionário & José Rico, e, principalmente, Tião Carreiro & Pardinho. Falando em cinema: Alejandro González Iñárritu, Claudio Assis, Zé do Caixão, Jean-Luc Godard, Ivan Cardoso, Lars Von Trier, Peter Baiestorff, todo o cinema da Boca do Lixo paulista (sempre!), séries americanas e filmes de terror B. Leio também muita literatura anarquista: Pierre-Joseph Proudhon, Max Stirner, Emma Goldman, Piotr Kropotkin, Mikhail Bakunin, Errico Malatesta, Hakim Bey, entre muitos outros. Tenho lido com muito interesse o trabalho fino do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro.

“De que não se faz um poeta”?
De bundamolismo, de babaquices, de títulos, de sobrenome, de balbucio, de maucaratismo, de chupação de bolas, de versos, de medo.

Novidades para este ano?
Publicarei uma antologia de meus poemas (A canção do vendedor de pipocas) em breve. Logo depois, publico um livro de inéditos, intitulado Nominata morfina. Além disso, tenho um projeto de traduzir poemas de Kenneth Rexroth (em parceria com o poeta Reuben da Cunha Rocha), que pode ser que se finalize este ano também. Tenho outros projetos de tradução em pauta – todos de poesia –, mas me faltam tempo e ânimo ultimamente. Estou psicografando um romance de Lewis Carroll. Fora isso, estou escrevendo um romance e um livro de contos. E gostaria de fazer um filme.

Surpresas reservadas para nós leitores em Nominata morfina? Adianta alguma(s)?
É o livro mais bonito que já escrevi. Pelo menos é o que eu e meu monstro achamos.



  • Mônica

    Entrevista fantástica!
    Leve e intensa…
    Beijos e parabéns!!!

  • Leandro

    Essa entrevista está simplesmente calixtotélica.

  • Vânia Borel

    Que delícia de entrevista! Parabéns a ambos!

  • http://www.myspace.com/danielcerimarco Daniel Cerimarco

    Muito boa entrevista. E me ajudou a entender várias coisas, ex:
    não conseguia sentir a liberdade que o Fabiano comenta no ” Fabrica”, mas sim nos outros livros. Mas lendo a entrevista
    compreendi a Fabrica como ela é. Coisa que qualquer peão de fabrica já sentiu. Parabéns …

  • C.Antonholi

    D+ a entrevista, pulsante & sublime. sucesso ao Calixto!

  • Nath

    Que bacana!

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