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Por que votei em Marina e agora votarei em Dilma

por Amálgama (11/10/2010)

Opinião de ALEXANDRE NODARI

-- Marina e Dilma quando ministras --

por Alexandre Nodari * – No dia 3 de outubro, eu, como outros vinte milhões de brasileiros, votei em Marina Silva para presidente. Por um lado, esse eleitorado votou na candidata verde por motivos os mais diversos – seja pela sustentabilidade, pelo foco na educação, pelo apelo à transparência, pela alternância, pela novidade, etc, etc –, mas, por outro, há um denominador comum que o reúne: a necessidade de se pensar e discutir o futuro do país para além da mera discussão de modelos de gestão.

Um dado (que se for encarado como uma trivialidade reforça a despolitização da eleição) é sintomático disso. Logo após as eleições, o filósofo Vladimir Safatle publicou uma coluna na Folha de S. Paulo, em que dizia, a respeito de Marina Silva, que “Cobrando os outros candidatos por não ter um programa, ela conseguiu esconder que, de todos, seu programa era o economicamente mais liberal”. A segunda afirmação – a de que o programa econômico de Marina Silva era o mais liberal – está correta apenas na medida em que a primeira também está: a de que os outros dois candidatos mais votados (Dilma e Serra) não apresentaram publicamente seus programas de governo (algo que Safatle esconde, como ele acusa Marina de fazer, por meio de um artifício retórico em que a inexistência dos programas de governo petista e tucano passa da ordem do fato – eles não existiam mesmo – para a ordem subjetiva – uma mera cobrança da candidata verde).

O programa econômico de Marina Silva, entre os dos três candidatos mais bem situados, era o mais liberal mesmo, pois não havia outro programa para servir de termo de comparação. Nesse sentido, poder-se-ia dizer igualmente o oposto: o seu programa econômico era também o mais estatalista. Quando só um dos jogadores põe as cartas na mesa, compará-las com as dos demais, que as escondem na mão (ou nas mangas), é um puro exercício retórico, por mais indícios que se tenha. A votação expressiva de Marina Silva no primeiro turno quebrou a lógica plebiscitária a que se queria reduzir as eleições e forçou Dilma e Serra a, enfim, colocarem as cartas na mesa.

Não se trata mais da disputa entre a mera continuidade do bem sucedido governo Lula, um dos melhores da história desse país, e as promessas eleitoreiras aliadas ao discurso do ódio e do medo. Trata-se também de pensar o futuro que queremos e iremos construir. Assim, a candidatura de Marina já cumpriu uma de suas missões: a coordenação da campanha de Dilma divulgou que lançará, após o dia 12 de outubro, o seu programa de governo; o que não foi feito no primeiro turno, segundo o presidente do PT, José Eduardo Dutra, porque Serra também não havia lançado o seu – revelando o desprezo pela candidatura verde, uma miopia analítica que transpareceu quando um intelectual petista no dia das eleições afirmou que não haveria onda verde. Em todo caso, o programa de Dilma, dizem as notícias, deverá enfatizar o meio ambiente como modo de se aproximar do eleitorado que votou 43, o que revela o quão rotundamente estava enganado esse mesmo intelectual ao dizer, nas vésperas da eleição, que Marina representava a falência do movimento ecológico brasileiro. Ao contrário, ela conseguiu colocar a discussão ambiental na agenda política do país (coroando uma história que vem dos tempos de militância socioambiental ao lado de Chico Mendes, e que passa, indubitavelmente, pelos seus anos à frente do Ministério do Meio-Ambiente no governo Lula, apesar de todos os contratempos). Além disso, na plataforma mínima que a candidata deve apresentar aos dois postulantes do segundo turno como discussão para um possível apoio, está o investimento de 7% do PIB em educação, que era sua principal bandeira de campanha (medida bem liberal, não?). Se os dois candidatos encamparem a proposta (ou mesmo um número mais próximo aos 7%), será uma imensa vitória política para o país.

Mas enquanto a campanha de Dilma busca incorporar a agenda política de Marina Silva, a de Serra, além de fortalecer o discurso do ódio e do medo (aos incautos que creditam o desempenho eleitoral de Marina a isso, caberia se informar melhor), tenta atrair o eleitorado de Marina por meio da Executiva Nacional do Partido Verde, com a proposta de cessão de Ministérios (dizem que seriam quatro, número que o PV talvez não tivesse nem em um eventual governo de Marina Silva).

Além de ser uma estratégia eleitoral equivocada, na medida em que o eleitorado do Partido Verde é ínfimo sem Marina (a qual já se posicionou contra uma decisão de apoio restrita ao âmbito do PV, propondo uma convenção mais ampla), a negociação é sintomática do modus operandi tucano. No último debate presidencial televisivo do primeiro turno, Plínio de Arruda Sampaio caracterizou, com palavras certeiras, o que é um governo tucano: um governo do “pessoal que tem nome e sobrenome” sobre os “que não têm nome”. Serra já despreza o eleitorado anônimo de Marina, achando que pode conquistá-los conquistando apenas os que têm nome, como Penna e Gabeira. A política e a gestão demo-tucana (se é que se possa separá-las nesse caso) é o do seqüestro da cidadania. Seqüestro econômico (com uma política de desmonte estatal, austeridade e arrocho salarial), político (a criminalização de movimentos sociais e reivindicatórios), da soberania (com uma política externa subserviente), e o que é mais importante, do futuro (uma política educacional e cultural risíveis, em que há ingerência nas universidades, em que não se contratam professores, em que não se expande o sistema universitário, em que a cultura é deixada nas mãos do mercado).

É claro que muito do antigo status quo se manteve ou se agravou com Lula: a política ambiental, a política agrária, os modos de diálogo político com o Congresso, etc. Todavia, é igualmente verdadeiro que a eleição de Lula em 2002, e avanços econômicos, sociais, educacionais e culturais de seus oito anos de governo petista criaram as condições objetivas e subjetivas que possibilitaram uma candidatura como a de Marina Silva (que repetiu, durante a campanha inteira, que era preciso tirar o eleitor do anonimato), trazendo milhões de pessoas para o protagonismo da cena política e social.

Não há como pensar o futuro se o presente é uma terra devastada. O presente de hoje não é, como o de 2002, um deserto sócio-econômico. Mas a manutenção desse rumo fará o presente de amanhã ser um deserto sócio-ambiental. Por isso votei em Marina Silva no primeiro turno. Agora, no segundo, votarei em Dilma. Primeiro, porque a história da militância socioambientalista se forjou dentro do PT. Segundo, porque, ao contrário de Serra, Dilma já sinalizou uma mudança programática (e não meramente discursiva), que contempla propostas de Marina (não há agenda sócio-ambiental possível com Kátia Abreu).

Mas o principal motivo para meu voto em Dilma é evitar o retorno do seqüestro da cidadania. Se alguém tem dúvidas que a política demo-tucana promove tal seqüestro, um dado deveria ser suficiente: a demissão de Maria Rita Kehl. O Estado de S. Paulo, jornal que declarou apoio a Serra, dispensou a psicanalista depois de ela escrever uma coluna em que argumentava como a ascensão social promovida pelo governo Lula implicava um ascensão política: “Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.”

A demissão não revela apenas uma intolerância com a posição diferente, mas com o conteúdo dessa posição, a saber, a de que os formadores de opinião, os “cidadãos”, não podem mais impô-la aos “não-cidadãos”. É para tentar voltar aos tempos em que o nome e sobrenome eram suficientes para determinarem os rumos dos anônimos que o Estadão apóia Serra e demite Kehl. Marina Silva, em seu discurso após as eleições, afirmou que a sua derrota era uma vitória: “Estamos em primeiro lugar de uma nova política que se inaugura no Brasil”. É para não voltar à velha política que agora votarei em Dilma. Como dizia Oswald de Andrade, “Voltar para trás é que é impossível. O meu relógio anda sempre para frente. A História também”.

* Alexandre Nodari é doutorando em Teoria Literária (UFSC). Desenvolve pesquisa sobre o conceito de censura e é editor do SOPRO. Blog: Consenso, só no paredão!

Amálgama

Site de atualidade e cultura, com dezenas de colaboradores e foco em política e literatura.

  • Leo

    ótimo texto amigo…fico feliz em ver alguém que votou na marina com tamanha consciência. Tenho visto muitos eleitores declarados de Marina assumiren-se Serristas de segundo turno, algo que eu não consigo entender. Marina foi uma grande ministra do Meio-ambiente de Lula, e não é possível nem imaginar que o Serra a chamaria para participar de qualquer cargo que seja…

  • Marina Silva,mulher admirada, competente e coerente. Deixou o governo lula porque estava divergindo da política da época. É claro que foi exposta como uma pessoa frágil e de idéias utópicas. Não podemos deixar de dizer que foi humilhada. Não compreenderia se ela apoiasse Dilma no final da reta. Compreensível seria sua neutralidade. Voltar ao que era antes seria um contra senso, na minha opinião.

    Mudando o foco, acho o AMÁLGAMA um dos mais brilhantes sites do momento. Escrito por pessoas jovens e com opinião. Mas creio que para não perder tanto essa credibilidade conquistada poderia ser um pouco mais isenta nesta eleição.
    O Estadão, por exemplo, copiando a forma de fazer jornalismo dos Estados Unidos, caiu muito no meu conceito quando deixou de lado a imparcialidade.
    Abraços fortes

  • Hercilio Domingos Gama

    Eu tambem concordo e apoio o amigo. Marine é a melhor mais na sua ausencia a melhor é Dilma. Serra Jamais. depois que vi sua vida politica proscrita caiu a ficha.

  • Ary Martini

    Ocorre que Marina, ganhando, não teria, em hipótese alguma, a capacidade de recuperar esse passivo socioambiental. Sem base parlamentar, sem quadros, sem militantes, o PV ficaria inteiramente nas mãos da direita (como está hoje). A própria candidata não conseguiu ir além de chavões, muitos dos quais, primários. Pedindo licença para discordar, acho que o voto no PV foi no limite da irresponsabilidade. Muitas pessoas ainda não se deram conta que, ao se apresentar como “alternativa ao debate plebiscitário”, Marina se posicionou de uma lado na velha e boa luta de classes. Agora, marina, num momento crucial, espera pela convenção do PV para se manifestar. Será que ela tem dúvida quanto ao lado que deverá apoiar? Alguém imagina Lula e Dilma com essa dúvida se fosse Marina a disputar com o Baixaria? Se Baixaria ganhar essa eleição, a esquerda levará décadas para chegar ao governo. Mecanismos serão criados, com a ajuda do STF e TSE, para impedir “aventuras”. afinal, não ;é o que ocorre nos EUA, onde há mais de 200 anos dois partidos de direita se alternam no poder.

  • Ertha Lucia

    É. como diria o Millor. E se nós derdermos no 2º turno? Como você vai explicar essa forma mirabolante de exercer política progressista, pondo em risco o que se acumulou a duras penas. Um Brasil a mercê de egos. É. Pobre dos pobres

  • Ertha e Ary: veja bem, eu não errei, Marina não errou. Quem errou foi o Lula. Por 7 anos, ele fez a Marina engolir sapos, tratorando a questão ambiental em nome dos ruralistas, os quais, além de tudo, agora votam, em sua maioria, no Serra. Precisou ela sair do governo, do partido, se lançar candidata a presidente e fazer 20 milhões de votos pra Lula e Dilma se darem conta de sua real importância. Dilma já sinalizou a possibilidade de vetar o novo Código Florestal, algo que Marina jamais conseguiria dentro do governo. O programa de Dilma enfatizará o meio-ambiente. Não há que se falar em luta de classes aqui. Quem tentou fazer uma conciliação impossível de classes foi o Lula, achando que os setores mais retrógrados e reacionários do país, os ruralistas, estariam ao seu lado.

  • Ezio Jose

    Se Marina aceitar cargos no governo Serrista, caso ele ganhe, está enterrando seus propósitos e mostrando que tudo que disse foi pura hipocrisia. Quanto ao Serra convidá-la não será nenhuma surpresa. Ele nunca cumpre com a palavra. Temos exemplos e muitos exemplos.

  • Leopoldo

    O que me desagrada sobremaneira é a política de alianças que o PT mantém com sarneys e cia., o loteamento de cargos (tudo bem, eu sei que qualquer partido que chegue ao poder faria isso, o que não atenua o problema dessa conduta), a partidarização da maquina estatal e o autoritarismo praticado especialmente contra a mídia. Não fossem esses fatos, meu voto já seria da Dilma, mas eles me deixam indeciso.

  • Respeito, e não poderia ser diferente, sua opinião sobre o governo Lula. Mas, considerando que a candidata é Dilma Roussef, indivíduo e não uma extensão do atual presidente, gostaria de ler sobre sua opinião sobre ela e sua história e trajetória.

  • Pingback: Você quer mudanças? Eu também. « Urbanamente()

  • mario hermes

    Infelizmente, o discurso bonito dos teóricos de uma esquerda infantilizada, como diria o hoje renegado Lenin, vai se encontrar, caso a história nos condene ao retorno dos neoliberais tucanos à Presidência, na passeata dos professores por melhores salários, dos metalúrgicos, dos aposentados, dos sem-teto, dos integrantes do MST, todos no mesmo lado da cerca levantada pela PF.ou o Exército, nos confrontos futuros, e de novo os Nodaris da vida, vão continuar acusando o PT pelos erros estratégicos, na luta pelo meio-ambiente saudável. Espero estar errado, que a história não se repita como farsa, e que a quela frase antiga não ecoe novamente, de que a esquerda só une no cárcere.
    A miopia do varejo ambiental, pode sair mais caro de uma aventura no simba-safari.

  • mario: foi Lula quem preferiu se aliar a esse setor da vanguarda esquerdista que são os ruralistas. Se você não considera isso um erro estratégico – perdeu Marina e os ruralistas foram de Serra -, então a miopia não é minha.

  • Everton

    A marina demonstrou o valor das suas ideias, mas o que não pode e contrariar todo o discurso apoiando o candidato tucano que mente descaradamente na frente das cameras. E mas alguem ja investigou com seriedade a relação da folha da veja e da globo com os tucanos. E estranho parece ate que são eles que estão concorrendo, isto faz pensar qual sera o lucro que estes meios de comunicação estão tendo com isso deve ser algo que vale a pena, pelo esforço que fazem.

  • Davi

    Eu voto na Maria, pois acredito na honestidade dela. Ela não rouba e não deixa roubar.

  • Flávia

    Eu devo dizer que fiquei verdadeiramente emocionada. Tenho os olhos turvados, nesse exato momento, por lágrimas. Não sei dizer porque, só posso dizer que elas surgiram no momento em que li o nome Marina Silva, no último parágrafo, e me dei conta de que ela tem o mesmo sobrenome do Presidente Lula. Claro que eu já sabia disso, mas esse fato me atingiu como um sopro de vento no último parágrafo do seu texto e bagunçou meus cabelos e o que está abaixo deles. Eu votei em Dilma no primeiro turno, não posso dizer que me arrependi, mas certamente me honraria mais ter votado em Marina. Marina é Silva, ela não tem ‘nome e sobrenome’, mas ela os forjou. Ela fez do seu nome uma referência, assim como Lula. Marina e Lula representam a ascenção dos sem-nome, dos Silva. É com orgulho que olho pro meu país e vejo que não é necessário ser mais que um Silva pra fazer história, chegando à presidência ou não.

  • Élton

    Ao mesmo tempo que ela foi ministra de Lula, ela também saiu do Ministério e em seguida saiu do PT, mas é claro, continuaram sendo amiguissimos, e a Marina está apoiando a Dilma… Se Marina fosse tão parceira da Dilma assim apoiaria a Dilma…

    E TODO mundo sabe que o PT foi o maior loteador de Ministérios que já houve no Governo… O José Dirceu sabia o que de Casa Civil, o Franklin Martins outro terrorista… Tomaz Bastos, Ministro da Justiço, onde vamos parar, Berzoini ofendeu os Aposentados (no ministério do Trabalho), foi para o Banco do Brasil (acho… teve que mudar o cara de ministério e tal…). LOTEAR CARGO e prometer ministérios é coisa do PT SE ASSOCIOU com o PMDB para ter mais tempo televisivo, prometendo cargos futuros… fora o Apoio na Camara… não sejam cegos…

    E o José Dirceu voltará! E quem reclama que Serra fala bem tanto quanto Collor, não se esqueça que o Collor apóia a Dilma, assim como o Sarney OUTRO LOTEADOR de cargos, nesse caso para familiares e amigos… NÃO SEJAM CEGOS! FORA A ERENICE… FORA O PALOCCI, fora um monte de gente que estava no governo e saiu pela porta de tras. FORA O DINHEIRO DO PAN que estrapolou MAIS de 1000% o orçamento, isso já na Gestão do Lula e ninguem falou nada no nosso querido Rio de Janeiro… NÃO SEJAM CEGOS!

    Em que tipo de falcatrua o Serra, já foi envolvido!?!?!?!?!? Alguem que ele nomeou que roubou!?!?!? Que ele diz “Não sei de nada…”

    A Dilma tem experiencia em que? Foi vereadora, pelo menos? O Lula tem uma história BEM diferente da dela…

    EU VOU DE SERRA, por sua inteligencia, experiencia, posso errar, mas se errar amanhã não voto nele!

    Abraço!

    • Clarisse F.

      Inocência achar que Serra não tem seu nome sujo. Basta observar que ele tem 17 processos nas costas dele, vários por calúnia e injúria. Dilma? Nenhum.

      A associação com o PMDB é necessária para que se obtenha maioria na câmara e os projetos sejam aprovados; sem a maioria, o PT ficaria impossibilitado de governar. Temos que deixar de lado essa inocência adolescente de que o partido conseguirá manter-se 100% fiel às suas ideologias e conseguir governar. Pelo menos no atual quadro político, isso é praticamente impossível.

      Caso Serra ganhe, sabe o que ele fará? Buscará uma aliança com o PSDB, as soon as possible.

      • Clarisse F.

        Ops, *PMDB, hehe.

    • Flavia

      Nao erre, acerte! Amanha pode ser tarde demais…
      VOTA NA DILMA!! 13!!
      Nao se esqueça de que ITAMAR FRANCO ERA VICE DO COLLOR, Itamar que se elegeu senador em Minas pelo PSDB um dos principais cabos eleitorais de Jose Serra.

  • celso

    Boa an’alise do contexto politico brasileiro, com uma visao al’em da disputa eleitoral. Estamos com DILMA !! Sem retrocesso!!

  • Luís

    Independentemente das boas intenções da candidatura Marina, não há outro voto possível a não ser em Dilma, agora, para quem quiser impedir o país de sucumbir ao fascismo talibã que levou a eleição para o segundo-turno.
    Para quem consegue enxergar além do próprio umbigo, é impossível pensar em entregar o comando do país a quem demoniza Dilma numa legítima cruzada medieval, ou a quem dá todas as dicas de que loteará o “pré-sal” sem qualquer preocupação com o futuro… isto significará a volta da concentração de renda, do poder total da grande mídia sobre o governo, da elitização completa!!!
    Agora, é DILMA!!!

  • Hilton de Sousa

    Eu votei na Dilma desde o primeiro. Mas gostei muito da sua justificativa, e acredito que o eleitor da Marina é muito conciente e politizado. Então não vai entrar nessa “onda ambientalista do Serra”, porque como foi dito; não exciste ambientalismo sustentável com Kátia Abreu. E outra os eleitores de Marina não votaram nela apenas por seu perfil ambientalista, mmas por outros tantos que ela conseguiu demonstrar nesta campanha.
    Hilton de Sousa

  • Élton,

    Achei importante a sua manifestação de repúdio ao PT, eu guardo as minhas com toda ênfase, mas guardo o meu repúdio ao PSDB com todo rancor. Você postou sua opinião aqui e ninguém te censurou aqui, mesmo chamando aos que apoiam Dilma de “cegos”. Mas pela leitura que eu fiz aqui, pude observar que tecem comentários pessoas que enxergam bem mais além do que patenteiam as notícias dos grandes jornais. A imprensa está com ele, Serra. Eu tinha onze anos quando vi a Globo manipular as eleições presidenciais de 1989. Dias depois colavam um adesivo nos carros que dizia : Lulla molleu na pllaia… Para o Brasil, de um modo geral, o Collor tinha uma reputação tão incólume quanto o Serra possui hoje. Serra não se mostra porque o escondem, não ataca porque terceiriza os ataques. Não vou esperar a história se repetir. Eu não me imaginaria dizendo uma coisa destas, mas: “Antes pegar gente que foge com dinheiro na cueca do que não pegar quem manda um caminhão de dinheiro via off shore todo mês sem que ninguém desconfie”. O Serra tem um primo que é o cara da grana. Você já ouviu falar? Não? Não se preocupe, os jornais fazem vista grossa para as contas que ele opera num paraíso fiscal no Caribe. Enfim, vou de Dilma, a menos nociva entre os dois.

  • ana claudia

    Eu acho uma mentiramarina não está apoiando ninguem , a dilma só vive na cola do lula nunca fez nda se ela fosse de outro partido ninguem votaria nela, mais respeito

  • Margarete Pinheiro

    Eu participei da fundação do PT e da sua construção. Fui militante da corrente interna Democracia Socialista que defendia a convivência democrática de todas as correntes no interior do PT para torna-lo um partido de massas. Mas a corrente majoritária preferiu expulsar as correntes mais radicais, para agradar a grande imprensa. Militantes antigos que se sacrificaram para construir um partido diferente viu-se classificados como “dinossauros” . Era necessário amenizar o discurso, atraindo aventureiros para o PT. O partido inchou de oportunistas querendo se eleger pela legenda. Uma ala da corrente majoritária, que tem raízes nos movimentos populares tentou barrar esta adulteração do programa e organização do Partido.
    As vezes eu entro numa melancolia e fico relembrando os tempos dificeis que atravessamos para legalizar o partido em Minas Gerais. A campanha de filiação, nucleação. Viajavamos finais de semana, com nosso próprios recursos, para construir o PT. Era o tempo de Seu Joaquim, Seu Milton, Dona Helena Greco, Ignácio Hernandes, Jorge Nahas, Dirlene Marques, entre tantos outros companheiros. Era um PT que tinha a inocência de uma criança. Mas tudo que nasce tem que crescer. O PT se tornou uma referência nacional, não era mais um partido de quadros, tornou-se um partido de massas, gerido por militantes que defendiam um partido moderado e por parlamentares e seus gabinetes. Na fase de maturidade, novos desafios estavam colocados para o partido. Não bastava o papel critico do PT atuando no Legislativo. A sociedade cobrava um modelo de gestão do PT. Os resultados estão aí para todos verem. O PT provou que dá conta de gerir o país, mas ao se tornar confíavel para a burguesia afastou-se dos seus princípios básicos. Entretanto, o PT tem uma história que são suas raízes, embora o caule se apresenta doente, suas raízes ainda estão saudáveis. O voto na Marina Silva, para mim, foi uma forma de protesto e busca de alternativa aos dois candidatos. Neste segundo turno cabe a Dilma posicionar-se, incorporando as principais itens abordados pela Marina, não de forma oportunista, mas em respeito aos 20¨% de votos que ela teve, do mesmo modo deve proceder com José Serra. Afinal, se eleita, ela se tornará presidenta de todo o país. O que ela não pode cair é no maniqueismo do Serra, que se coloca enquanto candidato do “bem”, passando a mensagem de forma subliminar que a Dilma é do mal, por ter participado da guerrilha. E irresponsável de sua parte levar o eleitor a construir esta associação anacrônica, demonstrando o seu conservadorismo, típico dos setores de direita.

  • Carlos Gilberto Gusmão

    Caros leitores: Voçes estão esquecendo que a Marina recebeu aquela quantidade de votos, também por ser protestante. Varios pastores de diversas igrejas, pediram votos para ela. Além dos boatos que a Dilma falou que nem Jesus tomava a eleição e a questão do aborto.

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  • Realmente, artigo muito bem escrito. Por isso mesmo, permito-me discordar em vários pontos. Lá vai:

    “Oito anos de governo petista criaram as condições objetivas e subjetivas que possibilitaram uma candidatura como a de Marina Silva”. É verdade, mas não pelos motivos apontados pelo autor. A condição objetiva foi a demissão de Marina, pessoa reconhecidamente séria e coerente, que teria que ter entrado nos “esquemas” para continuar no governo. Como não quis ir contra suas convicções, saiu.

    “a história da militância socioambientalista se forjou dentro do PT.” Isso não é bem assim. Muitos ambientalistas históricos, como o Lutzenberger, nunca foram do PT.

    “o contrário de Serra, Dilma já sinalizou uma mudança programática”. Bem, tendo acompanhado muito de perto a política ambiental da administração do PT em Porto Alegre, não acredito nisso. O PT fez uma aliança com os muito pobres e com os muito ricos. Os muito ricos produzem a tranqueirada consumista que abastece os muito pobres – o que interessa é que o pobre “tenha o seu carrinho”, mesmo que as cidades brasileiras não tenham lugar para tantos carros, e mesmo que o pobre more numa área de risco, aonde tudo será levado pela próxima enchente ou deslizamento.

    “Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País”. Bem, na minha opinião, continua tudo como dantes no quartel de Abrantes. Qual é a diferença dos bolsa disso-e-daquilo para o clientelismo de antigamente? A única diferença é que hoje tudo é feito via cartão eletrônico e administrado (mediante pagamento, evidentemente) pelo oligopólio bancário brasileiro.

    A comprovação de que, para o PT, meio ambiente não passa de marketing, mesmo assim secundário, está no artigo “Marina, a Traíra”, publicado no blog da Dilma pouco antes do primeiro turno e depois retirado. Ali está, com todas as letras, o que o “PT profundo” pensa das idéias da Marina.

    É verdade, o Serra provavelmente não avança mais na questão ambiental por causa da Kátia Abreu. Em todo caso, convém analisar a administração ambiental do estado e da cidade de São Paulo para avaliar sua posição a respeito. A administração ambiental estadual é composta por pessoas competentes, muitas vezes bem-pagas e que sabem que o seu objetivo é a preservação ambiental. Na administração municipal, o quadro é o mesmo, com a diferença de que os salários são modestos. Além disso, também vale ressaltar que o secretário municipal da cidade de São Paulo é um ex-petista, que hoje parece sentir-se bem na administração “demotucana”. Então, conviria entrevistá-lo ANTES de sair fazendo campanha para a Dilma, afinal ele deve saber mais do que nós, certo?

    Então, caro Alexandre, você pode votar na Dilma por razões ideológicas, ou pela teoria. Se formos avaliar a prática ambiental, seus argumentos não têm respaldo. Por sinal, o governo federal está sendo réu em muitas ações populares e ações civis públicas, ações estas ajuizadas por ambientalistas e por diversas comunidades afetadas pelo “progresso a qualquer custo” hoje em curso. Num eventual governo Dilma, a quantidade destas ações deve aumentar, e muito, dado seu perfil claramente “antiecológico”.

    Last but not least, boa parte dos eleitores da Marina é composta por gente que foi convencida pelos marinistas a mudar seu voto do Serra para a Dilma. Também há muita gente que não gosta de arrogância, de despreparo e de dólares nas cuecas, ou seja, são votos anti-PT. É a revolução ética e socioambiental em curso, na sua versão brasileira!

  • Para relembrar, artigo postado no “Blog da Dilma” e retirado pouco depois do primeiro turno:

    “Marina Silva, a traíra

    Marina Silva é uma grande traidora. Traiu o povo brasileiro quando se posicionou contra o crescimento do país. Traiu o presidente Lula. Traiu o PT. Traiu também a memória de Chico Mendes quando se uniu àqueles que, disfarçadamente, alegraram-se com a morte do grande líder seringueiro. Marina Silva jogou no lixo uma biografia de defensora dos povos da floresta, defensora da Amazônia. Traiu por despeito e por vingança. Ela alimentava esperanças de que o presidente Lula a escolhesse para ser sua sucessora, e quando percebeu que não seria a escolhida deu o bote tal qual uma cascavel. Marina não foi escolhida pelo presidente Lula porque não tem capacidade, conhecimento e caráter para governar um país, porque não seria capaz de manter a política econômica de crescimento e desenvolvimento, não conseguiria gerir os programas sociais do governo. Não seria capaz de entender a importância das descobertas no Pré-Sal pela Petrobras, nem conseguiria atribuir tais riquezas ao povo. Marina Silva, é óbvio, não vai para o segundo turno, mas vai para o colo do Serra /PSDB/DEM, que ela combateu nos 30 anos em que esteve no PT. Marina mostra que não tem pudor nem ideologia, é só uma ecochata fazendo o jogo sujo do poder por despeito e vingança. Está se vingando do presidente Lula porque não a escolheu, pouco se lhe dá prejudicar o país e milhões de brasileiros, desde que alcance seu objetivo de vingança. Marina é muito religiosa, ligada à Assembléia de Deus, mas não é nenhuma santa. É apenas uma traíra.

    Jussara Seixas”

  • M Santos

    Obrigado, meu caro jornalista, por me dizer quem é Marina. Eu a imaginava como uma comunista ferrenha, com idéias de estatização e bolivarianismo maduro/chavista, cuja ideologia contaminou a América Latina. Hoje, mudei de opinião. Só que, ao contrário de você, que certamente é um comunista ferrenho, vou votar em Marina, só por causa do teu artigo. Em eventual segundo turno entre as duas, eu iria votar em Dilma, por considerar Marina pior do que ela, ideologicamente falando. Hoje, ao ler seu artigo, mudei meu voto. Marina é a escolha certa. Muito obrigado pela sua colaboração.