Acorda, amor! – A MPB e a censura às biografias não autorizadas

Chico, Caetano, Roberto e companhia defendem o patrimonialismo da memória. Não querem mais ser artistas do Brasil. Contentam-se em ser propriedade exclusiva de poucos parentes e amigos.

1.

Numa bonita canção dos anos 1970, chamada “Acorda, amor”, Chico Buarque cantava uma letra na qual os ditadores aterrorizavam seu sono. Desesperado diante “da dura”, Chico acordava a parceira e contava-lhe o pesadelo que, ao final da canção, percebia-se ser realidade e não sonho. Visado pela censura, Chico assinou com o pseudônimo Julinho da Adelaide, em parceria com um tal Leonel Paiva. Cheia de metáforas e meias-palavras, e sem a assinatura do compositor real, a canção passou pela censura da época. Hoje, Chico Buarque é a própria censura. As vítimas agora são os escritores brasileiros, calados diante da proibição às biografias não autorizadas endossada pelo compositor.

Meu caro amigo Chico, o que aconteceu? Chico hoje está “exilado” em Paris escrevendo seu novo romance (quem dera ele escrevesse uma autobiografia, essa seria também muito bem-vinda). Não obstante a distância, ele apoia artistas do quilate de Milton Nascimento, Djavan, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Roberto Carlos e Erasmo Carlos na polêmica que pega fogo no Brasil atual: a questão das biografias não autorizadas.

Capitaneados por Paula Lavigne, a toda-poderosa do grupo Procure Saber (nome paradoxal para artistas que são a favor da limitação da informação), os pesos-pesados da MPB parecem dispostos a tudo para evitar a publicação de biografias que não tenham sua chancela. Chegam até a acusar editores e autores de ganharem fortunas. Isso demonstra um profundo desconhecimento do imenso trabalho de um biógrafo.

Em entrevistas, a empresária Paula Lavigne parece querer deturpar o centro do debate: a questão é que os artistas querem ter exclusividade sobre o que vai ser escrito sobre eles mesmos. Lavigne condena relações financeiras para desvirtuar o debate. O Procure Saber trata o “lucro” do escritor como crime. Qual é o crime de um autor receber pelo seu (árduo) trabalho? Chico e Caetano têm todo o direito de lucrar com sua própria obra, suas músicas, seus textos, seus shows. Mas sobre o trabalho de outrem, não. A não ser que a biografia ganhe a marca de “autorizada”, aí a questão muda. Para isso é preciso censurar a priori toda e qualquer biografia que não passe pelos seus crivos geniais?

Chico, Caetano, Milton, Djavan, Gil, Erasmo e Roberto parecem se enganar em relação ao mercado biográfico brasileiro. Ele é, ao contrário do que dizem, muito diminuto. Caetano, Gil, Erasmo e Djavan, por exemplo, não têm biografias no mercado. Em qualquer outro lugar do mundo, artistas dessa importância já teriam algumas dezenas de obras sobre suas fundamentais participações no cenário cultural brasileiro. Chico tem obras de perfil, como o livro escrito pela jornalista Regina Zappa, mas nenhuma biografia de peso. A obra de Caetano foi esmiuçada por Guilherme Wisnik e ele mesmo escreveu a autobiografia Verdade tropical. Milton tem biografia autorizada. Gil também autorizou Gilberto Bem de Perto, em coautoria com a mesma Regina Zappa. Mas biografia de verdade, isenta, escrita por um pesquisador relevante, capaz de dar conta de grande parte de suas obras e de sua inserção na realidade de seu tempo, em paralelo com a vida desses gênios brasileiros, nenhuma!

O único contemplado, o “Rei”, censurou o livro Roberto Carlos em Detalhes, obra fundamental do historiador Paulo Cesar de Araújo. Roberto acusou Araújo de violar sua intimidade. Mas qual intimidade descrita no livro de Araújo era segredo? Quem não sabia que Roberto Carlos perdera uma perna na infância? Ele próprio cantou esse drama em “O Divã” (1972) e “Traumas” (1971). Quem não sabia do seu relacionamento com Myriam Rios? Ele a cantou em “A Atriz” (1985). E sobre o sofrimento do rei diante da morte de Maria Rita? Isso esteve em todos os jornais e revistas de 1999. Roberto sempre publicizou sua intimidade. Como separar o homem da pessoa pública quando o próprio nunca colocou a si esses limites? Os cantores da MPB, mais do que dinheiro, parecem querer controlar o que será dito sobre eles. Isso é extremamente perigoso. E quando eles morrerem? Quem decidirá sobre isso? A família?

2.

Então é isso, a vida privada será tratada como patrimônio de pouquíssimos, como vem acontecendo? Chico, Caetano, Gil, Roberto, Erasmo, Milton e Djavan defendem o patrimonialismo da memória. Não querem mais ser artistas do Brasil, da sociedade brasileira. Contentam-se em ser propriedade exclusiva de poucos parentes e amigos dignos da honra. É pouco para uma geração que quis mudar, e de fato mudou, o Brasil. Mas ainda é possível que eles percebam do que se trata e mudem de opinião. “Acorda, amor”! Acordem, amores!

Hoje em dia, diante da brecha aberta pela censura de Roberto Carlos, é quase impossível lançar biografia no Brasil. Quando um artista não gosta de qualquer descrição de sua vida em livro, entra com uma ação, ainda que o incômodo escrito esteja documentado. As editoras se tornaram medrosas; seus setores jurídicos, com medo de perder o emprego, entraram em pânico e procuram “cabelo em ovo” para dificultar a publicação. A limitação da informação gera posturas deletérias na sociedade, seja nas vítimas, seja nos algozes. É contra esse embrutecimento que é necessário lutar. É contra este “Cálice” que é “preciso estar atento e forte”.

Os artistas querem que as biografias passem por autorização? Será que irão autorizar verdades que não lhes agradem? Será que daqui a pouco também os jornais e revistas vão ter que pedir autorização para publicar algo sobre a carreira desses artistas? Um inocente pode perguntar: e os casos de acusações infundadas e inverdades publicadas? Ora, onde houver excessos, que venha o peso da lei. Para isso existe o Código Penal. Que se punam os maus biógrafos. Mas, sobretudo, que não se condenem a priori os bons profissionais, aqueles capazes de dar uma dimensão histórica e social à vida de um sujeito. Censura a priori, não — é assim em qualquer país democrático.

Com medo dos excessos, alguns críticos optaram pela prevenção medrosa da censura, como Francisco Bosco, filho do compositor João Bosco. Em duas colunas d’O Globo, o (quase) sempre coerente Bosco argumenta a favor da privacidade em detrimento da liberdade de expressão. É o mesmo veredicto do juiz que proibiu o livro de Paulo Cesar de Araújo, de que Bosco diz gostar. Ele concorda com a censura ao livro? Concorda com os excessos de Roberto? E Roberto está visivelmente se excedendo. Ganha a primeira batalha, prosseguiu sua carreira de censor aloprado. Agora não mais se debate a intimidade. O “Rei”, em épocas passadas um “alienado” sem opinião política, tornou-se nos tempos atuais um militante do seu próprio ego.

A última censura de Roberto Carlos atingiu a obra da pesquisadora Maíra Zimmerman, que havia lançado o livro Jovem Guarda: Moda, Música e Juventude, publicado este ano. A obra tratava da moda na Jovem Guarda, um movimento cultural dos anos 1960 da maior importância e ainda muito mal estudado, do qual Roberto participou. Não havia menção à intimidade do “Rei”. Mesmo assim, Roberto proibiu a obra. Motivo: não gostou de ser veiculado em livro sem autorização. Qual é o sentido “privado” de tal atitude? Agora vamos ter que pedir autorização de Roberto para falar da Jovem Guarda? Teremos que pedir a Caetano para falar do Tropicalismo?

A questão das biografias não se limita aos artistas da MPB. A questão real é: apenas biografias autorizadas podem ser publicadas? Ou vamos ter que pedir licença aos herdeiros de Getúlio Vargas para escrever sobre o “populismo”? Ou pedir a Lula para falar sobre o Brasil dos anos 2000? Teremos, algum dia, que pedir a José Sarney para falar do Maranhão? Fernando Morais pretende escrever uma biografia de Antonio Carlos Magalhães. Terá que consultar a família do coronel para ver a obra publicada? Isso não faz sentido.

Há outro lado da questão pouco comentado até agora nas discussões dentro e fora da internet. Caetano Veloso posicionou-se contra Roberto Carlos quando esse vetou a obra de Paulo Cesar de Araújo, em 2007. Por que agora, seguindo as diretrizes de sua ex-mulher, Caetano concorda com o “Rei”? Será que o baiano apagaria de sua biografia autorizada o apoio dado a Araújo em 2007?

3.

Enquanto a MPB parece naufragar na mesmice da censura, surgiu um arauto da liberdade: Alceu Valença. O pernambucano foi claro em seu perfil no Facebook ao dizer: “A ideia de royalties para os biografados ou herdeiros me parece imoral. Falem mal, mas me paguem…(?) é essa a premissa??? Nem tudo pode se resumir ao vil metal!”. Alceu, infelizmente, é exceção – o que só engrandece sua coragem e determinação.

Triste é perceber que não é a primeira vez que alguns de nossos mitos da MPB se colocaram a favor da censura e da limitação da informação no Brasil. Roberto Carlos apoiou a censura do governo Sarney ao filme de Jean-Luc Godard, Je Vous Salue Marie, em 1986. Gilberto Gil também se colocou no papel de censor. Segundo o jornalista Pedro Alexandre Sanches, em recente coluna, uma biografia de Gil assinada pelo jornalista Tom Cardoso em 2009 foi desautorizada pelo artista e nunca veio à tona.

Chico Buarque, em exílio parisiense, diferente do sabiá que uma vez cantou, tampouco parece ter saudade de lutar contra a censura. Hoje em dia, ele próprio é o dono da temida tesoura. Uma pena. Há anos Chico se autocensura. Ele próprio proíbe que sua peça Roda Viva (1967) seja reencenada e republicada. Ficamos impossibilitados de reler e rever esse marco do teatro brasileiro. Agora Chico quer proibir as biografias não autorizadas.

É, meu caro amigo Chico, faça como o sabiá de sua canção e volte para o Brasil. Volte para a realidade dos autores nacionais, volte para a luta que durante tanto tempo foi sua bandeira. Ou teremos que fazer valer o direito democrático à informação apesar de você?


  • André Martins

    Escrever a biografia de alguém equivale a esmiuçar sua intimidade. Ninguém deve ser obrigado a aceitar que sua intimidade seja esmiuçada sem permissão.

    • Hugo Silva

      Escrever a biografia de uma PESSOA PÚBLICA equivale a esmiuçar dados públicos (tanto porque já eram públicos como porque foram tornados públicos pela própria pessoa como por outras pessoas eventualmente entrevistadas). Não é uma questão de ser obrigado a aceitar: uma biografia é como uma reportagem, não pode estar vinculada a uma autorização. Isto é censura.

      No fundo a discussão é sobre qual deve ser a regra geral: toda biografia está proibida, a menos que autorizada pelo biografado ou, na falta deste, sua família (a regra atual); ou toda biografia está permitida, ressalvado o direito de eventual ofendido em sua imagem ou intimidade ter os seus danos ressarcidos.

      • André Martins

        Essa é a SUA definição de biografia. As biografias que eu li contavam detalhes inclusive da vida amorosa do biografado.
        Além disso, essa história de escrever biografias baseadas em dados públicos (ou publicados) é muito complicada. Nesse caso do Chico Buarque temos um exemplo: ele acusa o biógrafo de reproduzir uma frase publicada num jornal muito suspeito como sendo sua sem conferir a autenticidade.
        E não é porque a pessoa é pública que ela perde o direito à intimidade.
        Imagine como seria a biografia do José Dirceu escrita pelo Reinaldo Azevedo, ou a do José Serra escrita pelo Paulo Henrique Amorim?

        • Hugo Silva

          Lógico q não há perda do direito à intimidade, entretanto, é inegável que a intimidade de uma pessoa pública é completamente diferente da intimidade de uma outra pessoa qualquer. Não se trata de limitações ao direito, mas sim ao reduzido tamanho da esfera íntima de uma pessoa pública. No seu exemplo, é parte da vida privada ou íntima de Kennedy seu caso com Marilyn Monroe?

          Eu não vejo porque a possibilidade de erros, de abusos, de má-fé e etc deveria servir para limitar o direito à liberdade de expressão. A censura prévia deve ser vedada em uma democracia. O que deve existir tanto em relação à biografias, como em relação a qualquer matéria de cunho jornalístico, é a possibilidade de contraditório, de debate público de ideias, de direito de resposta. No seu exemplo, se Chico Buarque acha q está incorreta a informação que a conteste. O leitor é quem deve julgar se a biografia teve sua relevância prejudicada por isso.

          Assim, não vejo problema nenhum em existirem biografias escritas por inimigos, conforme o seu exemplo. O que não pode ser vedada é a resposta. Novamente: estamos falando em proibir toda biografia, exceto em caso de autorização, quando a regra deveria ser o contrário.

          • André Martins

            Se o Kennedy usou verba pública ou servidores públicos para possibilitar os encontros com a Marilyn Monroe então suas puladas de cerca são parte de sua vida pública, caso contrário fazem parte de sua vida privada e só interessa aos envolvidos.
            Liberdade de expressão é para ideias próprias, e ainda assim não é um direito absoluto, expressar a descrição da vida alheia não é um direito.
            Não adianta garantir o debate público de algum detalhe da vida íntima da vítima, isso não desfaz o dano, só o piora.

            • Hugo Silva

              Não, meu amigo. O caso entre os dois é um fato público e notório porque tornado público, mesmo que não tivesse utilizado verba pública ou envolvido servidores públicos. A intimidade é inviolável enquanto permanece íntima. Por exemplo, o citado pelo artigo: a perda da perna de Roberto Carlos na infância poderia pertencer a sua intimidade, mas o próprio tornou o fato público.

              Por isso, acho que você confunde a afirmação do autor do texto sobre vida privada. Ele está falando dos casos de pessoas célebres quando partes da vida privada são tornadas públicas, ou pela própria pessoa, ou por terceira pessoa (que não o biógrafo e o biografado).

              Eu não concordo que haja violação da intimidade e a própria Constituição da República proíbe isso. Agora o Código Civil vai além proibindo toda biografia que tenha fim comercial, exceto se autorizada. Além disso, não prevê a hipótese de informações públicas, ainda que consideradas vexatórias pelo biografado (como um casamento ou um parentesco), possam ser publicadas sem depender de autorização.

              • André Martins

                O caso é público porque foi divulgado (se indevidamente eu não sei) e notório por causa da curiosidade mórbida do ser humano. A mesma torpeza que produz sites como o Cabuloso ou programas estilo Datena.
                Creio que você que está confundindo. Só porque a informação privada que a pessoa não quer ver divulgada já foi divulgada antes não autoriza ninguém a continuar a divulgação e a ampliar o possível dano. Sendo assim receptação não seria crime.

                E ainda não entendi como pode o debate público resolver a questão da divulgação de informação vexatória.

                • Hugo Silva

                  Não estou falando de intimidade que é violada por uma terceira pessoa que utiliza-se de meios fraudulentos. Veja que um ato pode ser íntimo e envolver um ou várias pessoas. Se eu converso com vc sobre determinado assunto e digo a um biógrafo que conversei com vc sobre determinado assunto, eu estou tornando este ato público e não estou violando a sua intimidade, mesmo que vc acredite que ela está sendo violada. Da mesma maneira, se duas pessoas têm um caso que querem manter em sigilo e uma delas revela o caso ou elas se beijam na frente de outras pessoas que não tenham dever de sigilo, o caso passa a ser público.

                  Veja que o fato de algo tornar-se público apenas reduz a intimidade, não acabando com ela. Se uma das pessoas revela que tem um caso com outra não há violação da intimidade; entretanto, se essa mesma pessoa divulga vídeo com momentos íntimos utilizando-se de ardil (prometeu que apagaria, foi feito sem o conhecimento da outra pessoa, etc.), está violada a intimidade.

                  Atos realizados em frente a outras pessoas ou em lugares públicos são, via de regra, atos públicos. Veja que a intimidade cede ao consentimento tanto expresso quanto tácito. Se vc sabe que existe uma terceira pessoa ou a própria natureza do local não permite a uma pessoa acreditar no caráter reservado dos atos praticados lá (praças, estádios, etc), não há que se falar em intimidade violada.

                  Não sei de onde vc tirou que eu disse que o debate público resolveria a questão da divulgação de informação vexatória. Falei em debate público apenas quando vc citou a contradita de Chico Buarque quanto à natureza idônea da fonte apresentada pelo biógrafo. A intimidade de Chico não foi violada. Estamos falando de ser a fonte idônea ou não: isto deve ser objeto de debate.

                  No mais, sou favorável a que se cumpra a Constituição: art. 5º, IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o
                  anonimato; V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o
                  sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.

                  • André Martins

                    Aparentemente estamos tratando de assuntos diversos. As biografias que eu já li incluíam detalhes (alguns bem picantes) da intimidade do biografado. Por isso quando você escreve “O que deve existir … em relação à biografias … é a possibilidade de contraditório …” eu entendo que abarca tudo que está na biografia, inclusive esses detalhes. No caso em questão, o Chico Buarque está vivo para lembrar o contexto que torna improvável que ele tenha dado a tal declaração, mas se ele já tivesse morrido os herdeiros teriam como fazê-lo?
                    Me parece que sua idéia de biografia se restringe apenas a informações que já são públicas. E quanto às informações tornadas públicas por terceiros, creio que nas relações privadas está implícita a preservação das mesmas. Se eu gravo um vídeo de sexo eu espero que minha parceira não saia divulgando por aí, mesmo que eu não tenha feito um pedido formal em duas vias.
                    “X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;” não significa que a intimidade pode ser violada desde que haja uma reparação financeira.

                    • Hugo Silva

                      Não, não. Estava escrevendo sobre a questão do mérito da biografia (é boa, é ruim, é verídica, etc.) que era a contestação que Chico fazia e que, aliás, qualquer um poderia ter feito. O que tornaria mais provável que a contestação fosse feita é mais debate e não esse nível anêmico de debate que temos no Brasil. Mais uma razão para não só permitir, como incentivar que escrevam.

                      O que vai no seu segundo parágrafo já está respondido no meu comentário anterior: se uma “pessoa divulga vídeo com momentos íntimos utilizando-se de ardil (prometeu que apagaria, foi feito sem o conhecimento da outra pessoa, etc.), está violada a intimidade”. Vc inverte a minha afirmação como se eu tivesse dito que a pessoa precisa dizer que não quer o vídeo publicado. Eu escrevi: “Veja que a intimidade cede ao consentimento tanto expresso quanto tácito”. O consentimento é necessário para que a intimidade seja desprezada, não para que seja preservada.

                      Entretanto, concordo que o inciso não significa que possa ser violada desde que haja reparação. Também nunca disse o contrário e sua afirmação me parece deslocada e sem sentido.

                      No mais, parece mesmo que vc andou lendo “biografias” que mais parecem reportagens de revistas de fofoca. Entretanto, tomar o pior da espécie como o exemplo que gera a regra a ser seguida é q não dá. Porque há sensacionalismo não nos leva a proibição do direito de informar. Deveria levar-nos a regras que coíbam as violações. Devemos ter cuidado para não jogar a criança fora junto com a água suja.

                    • André Martins

                      A biografia Eu Não Sou Cachorro Não é considerada de muito boa qualidade, mesmo assim parece conter erros bem grosseiros. Mas a questão principal é porque a vítima do erro tem que se contentar com um simples aumento de probabilidade de que os erros serão corrigidos.

                      Você escreveu:
                      “Se eu converso com vc sobre determinado assunto e digo a um biógrafo que conversei com vc sobre determinado assunto, eu estou tornando este ato público e não estou violando a sua intimidade, mesmo que vc acredite que ela está sendo violada.”
                      Agora você escreve:
                      “O consentimento é necessário para que a intimidade seja desprezada, não para que seja preservada.”
                      Me parece que são afirmações incoerentes.

                      Você disse ser favorável ao artigo 5º, apenas salientei um dos incisos. Muito mais coerente com a proibição das biografias não autorizadas.

                      Li poucas biografias mas não me consta que qualquer delas fosse considerada fofoca rasteira. Proibir livros sobre um movimento cultural seria jogar a criança fora. Proibir livros sobre detalhes da vida de um personagem específico desse movimento não é. O direito de informar não é absoluto.

                    • Hugo Silva

                      As duas afirmações falam sobre coisas diferentes. Na primeira, não há violação à intimidade, conforme está escrito. Falar algo para alguém não pressupõe por si só privacidade.

                      Amigo, nenhum artigo da CR é compatível com autorização para escrever e publicar algo: isso é censura prévia, o que é proibido pela Constituição. Defender que biografias possam ser proibidas simplesmente porque não autorizadas é inconstitucional. Leia novamente o inciso que vem antes desse: “IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística,
                      científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

                    • André Martins

                      A biografia Eu Não Sou Cachorro Não é considerada de muito boa qualidade, mesmo assim parece conter erros bem grosseiros. Mas a questão principal é porque a vítima do erro tem que se contentar com um simples aumento de probabilidade de que os erros serão corrigidos.

                      Você escreveu:
                      “Se eu converso com vc sobre determinado assunto e digo a um biógrafo que conversei com vc sobre determinado assunto, eu estou tornando este ato público e não estou violando a sua intimidade, mesmo que vc acredite que ela está sendo violada.”
                      Agora você escreve:
                      “O consentimento é necessário para que a intimidade seja desprezada, não para que seja preservada.”
                      Me parece que são afirmações incoerentes.

                      Você disse ser favorável ao artigo 5º, apenas salientei um dos incisos. Muito mais coerente com a proibição das biografias não autorizadas.

                      Li poucas biografias mas não me consta que qualquer delas fosse considerada fofoca rasteira. Proibir livros sobre um movimento cultural seria jogar a criança fora. Proibir livros sobre detalhes da vida de um personagem específico desse movimento não é. O direito de informar não é absoluto.

                    • André Martins

                      A biografia Eu Não Sou Cachorro Não é considerada de muito boa qualidade, mesmo assim parece conter erros bem grosseiros. Mas a questão principal é porque a vítima do erro tem que se contentar com um simples aumento de probabilidade de que os erros serão corrigidos.

                      Você escreveu:
                      “Se eu converso com vc sobre determinado assunto e digo a um biógrafo que conversei com vc sobre determinado assunto, eu estou tornando este ato público e não estou violando a sua intimidade, mesmo que vc acredite que ela está sendo violada.”
                      Agora você escreve:
                      “O consentimento é necessário para que a intimidade seja desprezada, não para que seja preservada.”
                      Me parece que são afirmações incoerentes.

                      Você disse ser favorável ao artigo 5º, apenas salientei um dos incisos. Muito mais coerente com a proibição das biografias não autorizadas.

                      Li poucas biografias mas não me consta que qualquer delas fosse considerada fofoca rasteira. Proibir livros sobre um movimento cultural seria jogar a criança fora. Proibir livros sobre detalhes da vida de um personagem específico desse movimento não é. O direito de informar não é absoluto.

        • Danilo Albergaria

          Antes a biografia do José Dirceu escrita pelo Reinaldo Azevedo, ou a do José Serra escrita pelo Paulo Henrique Amorim, do que a biografia do José Dirceu escrita pelo Paulo Henrique Amorim ou a biografia do José Serra escrita pelo Reinaldo Azevedo. Pelo que o Procure Saber está defendendo, só as últimas vão poder existir.

          • Daniel Lopes

            é isso.

          • André Martins

            Isso e mais toda a internet, jornais e revistas para quem quiser saber da vida pública dos dois.

  • André Martins

    “Ora, onde houver excessos, que venha o peso da lei.”
    Foi o judiciário ou um bando de jagunços que proibiram as tais biografias?

    “Então é isso, a vida privada será tratada como patrimônio de pouquíssimos, como vem acontecendo?”
    Sim, como poderia ser diferente?

    “Há anos Chico se autocensura.”
    Isso não existe.

    “Ou teremos que fazer valer o direito democrático à informação apesar de você?”
    Isso é uma ameaça?

  • Carlos Assis

    sou contra esta censura absurda , num pais sem memória , precisamos saber quem são estas pessoas , o que fizeram , o que sofreram e o que ganharam.A imbecialidade brota em todo canto

    • André Martins

      Não entendi, por que precisamos saber? A obra dessas pessoas está aí para ser analisada e criticada. Por que precisamos saber mais?

  • Irís Gomes

    Me parece que no caso do RC foi a forma como o Paulo abordou a história dele que ele não gostou aliás ficou profundamente triste ,constrangido enfim ,já houve muitas histórias contadas sobre o RC em revistas ,livros que ele não foi contra agora mesmo no livro do Erasmo onde ele narra histórias difíceis que eles enfrentaram mas a o modo como o Erasmo conta é tão engraçada que RC gostou que eu siba RC só barrou 3 livros até hoje um foi do ex mordomo onde ele alegou que o livro era uma inverdade no seu todo….. do paulo e recentemente a que fala sobre a jovem guarda!!!E nem quis indenização financeira preferiu mesmo embargar os livros, pois ele não quer que o seu público venha ser enganado por gente mal intencionada que só quer ganhar dinheiro a qualquer preço, mesmo passando por cima dos outros!!!!!

  • Diane Rocha

    Todo mundo sabe que RC lindo por sinal já o vi bem de pertinho,tem uma parte de sua perna que é mecânica não é segredo pra ninguém, ele até já falou sobre isso tanto em música como o Divã e em entrevista, agora é a maneira de como se fala disso que pode magoar ora e tem pessoas muito cruéis a gente sabe disso ainda usar isso pra ganhar dinheiro é de uma falta de caráter muito grande !!!!!

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