Readequação conservadora

A esquerda aponta dedos e busca culpados após as eleições.

katiaabreu

O Brasil acordou no dia seguinte às eleições mais conservador, ou ao menos tornou-se mais coerente consigo mesmo. Não é novidade que o Brasil é um país conservador e que pautas progressistas são comumente tratadas como “coisa de bandido” ou “coisa de drogado e maluco”. Aborto, direitos LGBT e indígenas, direitos humanos como um todo, descriminalização das drogas, dentre outras pautas, nunca prosperaram num país marcado pela hipocrisia, onde mulheres que abortaram são contra o aborto, onde muitos gays votam em homofóbicos e por aí vai. Somos um país de contradições inúmeras e as urnas refletem isso.

De um lado, PSOL e candidatos progressistas tiveram boa votação, como Freixo e Jean Willys; por outro, temos Bolsonaros reeleitos batendo recorde, Russomano, e Alckmin reeleito em primeiro turno.

As razões para esta suposta guinada conservadora, que eu chamaria apenas de readequação conservadora, são muitas. O problema de muitas análises feitas, porém, é encontrar culpados onde eles não estão e tirar a culpa de quem efetivamente a tem.

Explico.

Dia seguinte à eleição pipocaram as “análises” raivosas de que Junho seria culpado pelo conservadorismo, afinal as milhões de pessoas se manifestando por transporte público, serviços públicos de qualidade e afins deviam mesmo ser todas coxinhas reacionárias. Marina, por sua vez, seria outra grande culpada, com sua agenda francamente conservadora e que, agora, irá ainda apoiar o Aécio, uma figura ligada à pior direita do país. Sobrou, claro, espaço para atacar os estúpidos paulistas que elegeram Alckmin, Serra e uma bancada conservadora com Coronel Telhada e Feliciano capitaneando o barco.

Junho enquanto movimento difuso

Junho se iniciou como um movimento francamente de esquerda, atrelado ao MPL e ao direito ao passe livre e contra a privatização dos transportes e o aumento das tarifas. Uma revolta popular que foi tomando força e se espalhando pelo país. Tinha tudo para ser mais uma das séries de mobilizações sociais de esquerda que têm seu momento (ou momentum) e depois desaparecem, tendo conquistado algum avanço ou ao menos imposto uma pauta.

A violência política absolutamente inaceitável que se seguiu às manifestações acabou por amplificar as mobilizações que, uma vez vitimando pesadamente jornalistas, fez com que a maré virasse e mesmo a mídia ficasse ao lado dos que se manifestavam. A violência foi o divisor de águas e foi usada indistintamente por governos tucanos, petistas e por aliados de ambos.

Mudada a maré, os protestos, que já possuíam um caráter difuso, acabaram por ver suas pautas alargadas e mesmo apropriadas por diversos grupos que passaram a ir às ruas. A partir deste ponto não havia mais controle. Setores de direita passaram a participar das manifestações, culminando em episódios de violência, como em São Paulo, em que membros de partidos de esquerda foram agredidos pela turba.

Em resumo, Junho foi um momento único, difuso, de múltiplas pautas e, pese ter sido iniciado e mantido pela esquerda, foi também apropriado por outras tendências políticas. Mas não pode, de forma alguma, ser responsabilizado pelo resultado das urnas. Tenho insistido no caráter progressista, que foi hegemônico nas manifestações e que em muitos lugares acabou sobrevivendo por pelo menos um ano e desembocado nos protestos anti-Copa pelo país. Tivemos contradições, sem dúvida, mas o caráter progressista foi dominante.

Acrescento ainda que vejo muitos pontos em comum entre os protestos de Junho e o movimento dos Indignados, na Espanha. São muitas as semelhanças, a contar pelo caráter difuso e pela multiplicidade de atores e, agora, pelo crescimento enquanto reação dos conservadores nas eleições imediatamente posteriores às grandes mobilizações.

No Brasil como na Espanha, os conservadores reagiram às massas nas ruas e obtiveram significativas vitórias. O Brasil não está isolado. Na Espanha houve, posteriormente, o surgimento de uma nova força política, o Podemos. Resta saber se o Brasil seguirá com a formação de uma ou várias novas forças ou mesmo se seguirá o caminho do fortalecimento da esquerda já institucionalizada.

São Paulo e o conservadorismo

São Paulo observou um alto índice de abstenções e votos nulos/brancos ao mesmo tempo em que a presença de candidatos majoritários progressistas era pequena. Alckmin não ganhou apenas porque o eleitor paulista é conservador e ponto (apesar de sê-lo), mas também porque a esquerda não foi capaz de se organizar. Setores importantes dos protestos de junho e movimentos sociais apoiaram o voto nulo ou a abstenção (pese as votações de candidatos do PSOL como Ivan Valente e Giannazi terem sido altas) e o PT abusou da boa vontade ao tentar impor um desconhecido e conservador Padilha, que não foi sequer capaz de atrair os votos das áreas tradicionais do petismo na capital paulista.

Havia um sentimento de esgotamento entre muita gente frente a uma eleição em que os candidatos principais buscavam se mostrar todos cada vez mais conservadores, e isto se refletiu na votação para deputados. O eleitorado conservador se viu privilegiado e cresceu, ao passo que o progressista se viu sem opções.

O PT errou, o PSOL errou ao sacar Safatle por Maringoni, e a esquerda foi incapaz de mostrar sua força e reagir. Ambos os partidos, aliás, compreenderam muito mal o que foi Junho, preferindo repudiar ou se afastar dos movimentos e fatos ao invés de buscar entender as lições dadas.

Bruno Paes Manso também explicou porque Telhadas da vida conseguiram tamanha votação. O medo traz votos e a questão da segurança é um tema importantíssimo em um estado como São Paulo (ou em qualquer outro). Num país onde “bandido bom é bandido morto”, o crescimento da violência acaba privilegiando em um primeiro momento os mais radicais que pregam combater, não a violência em si, mas o suposto violento, eliminado-o.

Marina Silva “russomanou”

Uma das maiores surpresas da eleição foi, sem dúvida, a derrota de Marina. Seu primeiro e principal pecado foi lançar seu programa. Lançar e recuar menos de 24 horas depois em área crucial, como a dos direitos humanos, afastando já de início o eleitor progressista de sua candidatura, enquanto Dilma fingia se importar com este eleitor.

Marina acabou disputando muito mais o eleitor conservador de Aécio que o progressista que ainda apoiava Dilma ou que estava em dúvida (notem que não estou reduzindo os eleitores de ou ou outro lado ao conservadorismo ou progressismo, apenas traçando linhas gerais), e apostou numa “nova política” baseada em discursos retrógrados, em aliados retrógrados e conservadores e recuos fica difícil de sustentar.

Nos debates televisivos Marina se saiu muito mal. Fraca, pouco propositiva, repetitiva, sem brilho. Não soube se portar e por vezes ficou na defensiva, e quando atacou não soube fazê-lo, tendo em vista especialmente que parte do seu eleitorado era disputado mais por Aécio que por Dilma.

Mas Marina não fracassou apenas por seus esforços, ela foi também vítima de uma campanha suja e pesada por parte do PT e de petistas. Campanha baseada em mentiras, em desinformação e franca manipulação. Petistas a acusavam do crime de ter uma banqueira como apoiadora, a mesma que apoiou Haddad. E do mesmo banco que financiou pesadamente o PT em 2010.

Cada acusação do PT a Marina servia como um espalho, mas 2 minutos de propaganda na TV foram insuficientes para neutralizar tal campanha e a fraca presença de Marina nos debates.

Agora periga Marina apoiar Aécio, e muitos petistas que há 2 dias a xingavam e atacavam com os argumentos mais baixos se escandalizam. Não compreendem que nem todos são capazes de apoiar no dia seguinte quem, ontem, a acusava de ser a pior figura do mundo.

PT elegeu a direita?

Por fim, acho ainda importante analisar o papel do PT enquanto puxador de votos para a direita. E para isto repito o que disse em meu blog:

O PT quase desapareceu em alguns estados, como PE e DF e teve votação muito menor e menos eleitos que nas eleições passadas. Caiu de 88 para 70 deputados. Ao passo que o PSDB subiu (44-55) e houve uma explosão de partidos nanicos aparecendo. Vamos nos lembrar qual era o discurso dos petistas fanáticos pra justificar todo e cada recuo vergonhoso: Governabilidade. O PT não teria grande bancada, logo, está justificado e aceito todo recuo. Agora será pior. Com bancada ainda menor (por escolha do PT, aliás, que perdeu votos tanto do eleitor enojado quanto por ter aberto mão de vagas para apoiar bandidos como Collor ou Katia Abreu) os recuos serão maiores e as justificativas nojentas da “Militância” idem.
Mas porque o PT recuou tanto? São vários os fatores, mas imagino que os principais seriam:
– Guinada para a direita afastou eleitorado de esquerda, além da campanha suja petista que afastou outros tantos
– Protesto de junho e repressão durante a Copa (o número de votos nulo, branco e abstenções em estados como Rio e SP foi enorme, o que denota um cansaço do eleitorado)
– Apoio do PT a candidatos milicianos e bastante duvidosos (no Rio em especial, os Tatto em SP, etc)
– Apoio do PT a candidatos abertamente fascistas, como Katia Abreu ou Collor, ou ainda Lobão Filho, Helder Barbalho, etc o que, no fim, diminui a visibilidade do PT e também afasta o eleitorado de esquerda
– O PT lançou candidatos fracos em estados como São Paulo e Santa Catarina (dentre outros) o que diminuiu a visibilidade/atratividade dos demais candidatos a deputados
– Um esgotamento natural do lulismo/petismo
A maior parte dos fatores me parecem ter a mesma origem, que é o lulismo de coalizão empurrando o partido inexoravelmente para a direita e mesmo o apoio a fascistas e gente de extrema-direita. Curiosamente, candidatos de extrema-direita como Telhada ou Bolsonaro tiveram votações incríveis, e isso se explica pelo antipetismo que, em parte, cresce pelo ódio da cooptação feita pelo PT de elementos tradicionais da direita. É uma verdadeira salada.

O antipetismo é também filho do petismo

Analiso mais demoradamente dois aspectos que vejo fundamentais, o apoio do PT a candidatos de direita e o antipetismo reativo, e acrescento mais alguns apontamentos.

O PT não apenas se alia à direita como faz (ou fez) campanha para ela. Não pode mais se resumir a dizer que se alia com quem pode, com o que está aí, porque de fato desta vez o PT fez campanha ativa para “quem está aí”. Dilma fez vídeos para Katia Abreu, apoiou Collor, não apenas recebeu apoio e foi “usada”. O PT esteve ativo em campanhas conservadoras, como as do filho de Jader Barbalho no Pará (onde se aliou até com o DEM) ou com Lobão Filho, do clã Sarney (que perdeu de Flavio Dino, do PCdoB, que já disse que não fará campanha pra Dilma).

O PT não pode, hoje, se fazer de inocente. Contribuiu imensamente para o crescimento da bancada conservadora. Além disso, lançou candidatos no Rio e em São Paulo, por exemplo, absolutamente duvidosos, como André Sanches, mais um dos milhares de Tatto que se espalham por São Paulo como metástase, ou gente acusada de ligação com milícias no Rio. Me lembro até de amigos do DF com medo de votar na Erica Kokay (reeleita) porque uma grande votação dela poderia resultar na eleição de direitistas com ela coligados (e à revelia dela, diga-se de passagem).

Não apenas o PT fez campanha para conservadores, como os tinha mesmo em seu partido e também os ajudou a se eleger devido às coligações feitas. Não pode reclamar muito dos outros, certo?

O segundo fator é o antipetismo reativo. O antipetismo é algo que existe desde sempre, mesmo desde antes do PT chegar ao poder com Lula. É o medo que as elites tinham do discurso do partido e que, pese o partido hoje ser um legítimo representante das elites, continua sendo usado. Este discurso serve tanto para contentar o eleitorado conservador quanto para manter o PT sob rédeas curtas. Mas, após esta eleição, pode-se dizer que é um discurso também usado para roubar votos do PT e de seus aliados, é uma reação à apropriação por parte do PT do discurso conservador, mesmo que ele não seja do “clubinho”.

Quanto mais à direita vai o PT, mais a direita mais extremada busca se distanciar e atacar o partido. A extrema-direita, infelizmente, teve um poder maior para se agregar que a esquerda, daí votações como as da família Bolsonaro, Heinze (RS), dentre outros. O PT é encarado como esquerda – não importa o quanto caminhe para a direita – por estes setores e o antipetismo os fortalece.

A tudo isso podemos também somar o esgotamento do lulismo que, no fundo, promoveu de certa forma o conservadorismo ao apostar no consumismo como forma única de ascensão social sem garantir educação no meio (não posso considerar UniEsquinas como educação, muito menos educação emancipadora, a necessária).

O lulismo aliado à conservadores evangélicos, avesso à regulação da mídia e a frear discursos de ódio, acabou criando um campo propício para que o ódio e o conservadorismo se espalhasse. Dilma e seus discursos contrários à criminalização da homofobia e seus recuos em programas de direitos humanos para minorias ou seu recuo na regulamentação do aborto contribuíram para reforçar o discurso conservador. Não inibir tal discurso ao mesmo tempo em que incentiva apenas o consumo inconsequente e enquanto, ainda, obedece às ordens dos conservadores contribui para fortalecê-los (o que é óbvio, menos para o eleitor petista fanatizado e para o próprio PT).

Ao apoiar Katia Abreu, o PT não contribui para seu crescimento enquanto partido, mas afasta o eleitor de esquerda ao passo que garante mais um mandato a uma conservadora que se fortalece e impõe sua agenda ao partido. Ao passo que “coopta” (ao menos na mente de alguns) esta conservadora fazendo com que muitos busquem candidatos ainda mais conservadores e que não se “vendem” ao PT – apesar do vendido ser o PT.

Enfim, a certeza que fica é a de que teremos 4 anos difíceis, em que o PT cederá o quanto for “preciso” para se manter no poder e, caso vença Aécio, encontrará um cenário propício para sua agenda conservadora. Os direitos humanos foram os maiores derrotados e sofrerão amargamente por mais 4 anos.





Raphael Tsavkko Garcia

Formado em Relações Internacionais (PUC-SP), mestre em Comunicação (Cásper Líbero) e doutorando em Direitos Humanos (Universidad de Deusto).










MAIS RECENTES


  • Lucas Silva

    Eu discordo que o conservadorismo na área social afasta eleitores. Tendo em conta que a força do PT está nos eleitores pobres e nos nordestinos, fazer um discurso como o do PSOL apenas tiraria votos, tendo em conta o “conservadorismo popular” que foi bem descrito pelo outro colunista daqui, o Paulo Roberto Silva.

    • Depend do escopo do “social” que você trata. No campo dos costumes os conservadores atraem votos, mas Bolsa Familia e outros beneficios, enfim, quando se trata do bolso, a esquerda costuma prevalecer, ao menos. O PT temm prevalecido, tanto que o PSDB foi forçado à revelia de caciques e eleitores, a garantir a continuidade dos programas de transrencia de renda, cotas e etc.

      Já o discurso do PSOL tira votos d um lado e agrega de outro, não me parece ter uma regra.

    • Paulo

      Lucas, aproveitando que você me citou: o maior erro do Pastor Everaldo foi apresentar uma plataforma liberal como parte de seu pacote conservador. Se tivesse feito um mix de estatismo econômico e conservadorismo de costumes, teria empolgado mais o eleitor mais pobre.

  • Diego Franco

    O correto é o tal progressismo sem oposição. O ideal é uma agenda política esquerdista totalitária, sem recusas ou questionamentos, aceita passivamente por todos. O monopólio da razão e da virtude está com a esquerda e o conservador é um ser desprezível que abraça o atraso. Foi por repetidas avaliações dessa natureza que percebi o erro que cometia enquanto militava na esquerda. Não me tornei conservador, mas estou certo de que vi muito mais coragem e valor naqueles que queriam preservar algo do que naqueles que enxergam as pessoas e o mundo como meros figurantes para aplicação de suas utopias.

    • Fiquei curioso pra ver onde eu defendi uma “agenda de esquerda totalitaria”, curioso mesmo! E está óbvio no texto que o emprego do termo “conservador” tem o viés do retróado, do atraso, o que não quer dizer que eu tenha resumido “a direita”, o que é algo bem diferente (nesta ha liberais, ha conservadores, etc) e onde há grupos com os quais se pode e se deve negociar.

      Em tempo, tratando de “preservar”, não é só o conservador que o quer, oras, aa esquerda quer preservar direitos trabalhistas, humanos, coisas que os conservadores (mas não todos d direita) querem destruir.

      • Diego Franco

        Não precisa afirmar que defende o totalitarismo progressista. É facilmente percebido quando qualquer vestígio de conservadorismo é tratado como erro, culpa, cenário difícil.

        Há um abismo que separa a própria noção de direitos entre esquerda e direita e você parece desconhecer. O que a esquerda quer preservar são as supostas conquistas por ela criadas. O conservador, não.

        Você sabe muito sobre o PT, mas não entende nada de conservadorismo.

        • Beleza, prefiro combater o conservadorismo e os que buscam retirar direitos, não quero namorar com eles não!;-)

          • Diego Franco

            Exato. São movidos pela necessidade de combater. A razão e os fatos são secundários.

  • André Martins

    1) Você coloca a repressão às manifestações como um dos culpados pela redução do PT. Mas os governadores que mais reprimiram as manifestações (SP e RJ) cresceram. Como é possível?
    2) Se o PT perdeu os votos principalmente dos eleitores de esquerda insatisfeitos com a guinada do PT à direita, por que quem arrecadou esses votos foi a direita?

    • 1) Era possível ver nas ruas que mesmo sabendo que em São Paulo a violência era obra principal de Alckmin, o Haddad fez corpo mole e apoiou. No Rio o PT governava com o PMDB, dispensa comentários. Questão é que a violência policial é algo esperado do PSDB/Alckmin e do PMDB, mas ainda assusta quando vem do PT. Dilma e Cardozo apoiaram entusiasmadamente a violência também, o que só acrescenta ao bolo.

      O eleitor do PSDB e do PMDB, em geral, estão mais abertos, por assim dizer, à discurso pró-Polícia, veja a votação de Telhadas da vida, de Bolsonaro e etc. O eleitor mais próximo do PT não. Daí a punição ao partido (claro, este é apenas um dos fatores).

      2) Porque em grande medida a esquerda, desorganizada, não votou nos candidatos À esquerda disponíveis. Os protestos agregaram contingente muito grande de anarquistas e de desiludidos em geral com a política que não se sentiram representados. Mas veja no Rio, por exemplo, um dos epicentros dos protestos, que Freixo teve votação imensa, assim como o Tarcisio foi uma surpresa.

      É achismo meu, mas me parece que o eleitor de esquerda está muito mais disposto a anular/não votar de forma consciente que o eleitorado mais conservador.

      • André Martins

        1) Mas não apenas mantiveram seu eleitorado, acostumado com a PM violenta, eles cresceram. O cara apanha da PM do governador e para punir o governo federal, que fez vista grossa, vota no governador?
        2) Para votar não precisa se organizar, o voto é uma ação solitária. O Freixo pode ter tido um recall significativo das últimas eleições. Mas como explicar São Paulo?

        • São Paulo é um estado muito difícil de ser explicado. Não faltam os cientistas políticos e sociais que tentem, mas nunca deram uma resposta satisfatória.

          • André Martins

            Não digo que seja fácil. Só acho que sua tese de que o guinada pra direita do PT é a responsável pela migração do eleitorado não está correta, já que não bate com a realidade.

            • Mas minha tese não coloca APENAS n PT a culpa. O PT é parte responsável, mas não única. Ademais, não vejo ~guinada~ apenas, mas uma readequação. O modelo lulista está se esgotando, o conservadorismo saiu novamente livre da toca, sem as amarras dos programas sociais que até a oposição (PSDB) garantiu que manterá.

              • André Martins

                Readequação do PT? Não entendi.
                Na segunda parte eu quase concordo contigo. A maior parte dos que abandonaram o PT é conservadora e estava com o PT apenas por causa do desastre que foi o FHC. Uma vez que o PT não está lhes garantindo mais os ganhos esperados, migraram para partidos mais conservadores e que lhes prometem mais ganhos. Uma parte dos que estavam com o PT pode ter saído em direção à partidos mais a esquerda mas, dado o crescimento absoluto (não o relativo) pífio do PSOL e outros, deve ter sido uma parcela pequena.

  • João Paulo Rodrigues

    “Onde mulheres que abortaram são contra o aborto, onde muitos gays votam em homofóbicos e por aí vai. Somos um país de contradições inúmeras e as urnas refletem isso.”

    Rafael: de onde você tirou que gays votam mais em homofóbicos e mulheres em quem é contra o aborto do que em outros lugares? E porque é que pelo sujeito ser homossexual ele tem que ter a pauta do casamento gay e da lei anti-homofobia como primeiro e absoluto critério de voto? E se ele for negro (e achar que votar no Edson Santos lhe serve mais)? E se ele for policial militar (e achar que o Bolsonaro lutará mais por melhores salários)? Enfim, há aí um reducionismo que explica alguns dos problemas da esquerda pautada pela “política das identidades”.

    • Eu disse que muitos gays votam em homofóbicos e mulheres (não disse quantas, apenas que existem) são contra o aborto. E a pessoa gay votar em pessoas que odeiam gays e são contrários a seus direitos é algo um tanto quanto… suicida, não? Um gay votar em pastor que diz que ele é doente, pedófilo e etc se explica pela lógica?

      • João Paulo Rodrigues

        Quanto é muitos? E como você sabe qual a quantidade de votos de homossexuais teve um Pastor Feliciano (se é que ele teve algum voto LGBT)?

  • bnusis

    Desde quando aborto é direito humano? Aborto é um dos maiores crimes que existe na humanidade, pois a vitima não tem como se defender. Articulistas que confudem as pessoas associando aborto com direitos humanos cometem igualmente um grave crime que a humanidade ainda não se deu conta.