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Tudo pode dar certo

por Amálgama (15/01/2010)

por Jean Garnier – Olhando Tudo pode dar certo (Whatever Works – 2009, estreia prevista no Brasil para 12 de março), nota-se uma grande miscelânea de alguns outros filmes de Woody Allen. Aqui, há o personagem que se comunica com os espectadores (lembrando A rosa púrpura do Cairo) e o romance entre um senhor de […]

por Jean Garnier – Olhando Tudo pode dar certo (Whatever Works – 2009, estreia prevista no Brasil para 12 de março), nota-se uma grande miscelânea de alguns outros filmes de Woody Allen. Aqui, há o personagem que se comunica com os espectadores (lembrando A rosa púrpura do Cairo) e o romance entre um senhor de idade com uma jovem (como em Manhattan). Esse senhor rabugento e misantropo era o perfeito papel para Allen, que preferiu ficar apenas a cargo da direção e do roteiro. Quem “encarna” Allen agora é Larry David, o mesmo das séries Seinfield e Curb Your Enthusiasm.

Boris Yellnikoff (David) é um ex-físico nuclear que quase foi nomeado ao Nobel e agora está aposentado e divorciado de uma mulher tão perfeita que ele não suporta mais. Com tendências suicidas, Boris vive em Nova Iorque, passa o tempo conversando com os amigos, dá aulas de xadrez, é neurótico (ao ponto de cantar “Parabéns pra você” todas as vezes que lava as mãos) e logo no começo do filme avisa: “Não sou um cara simpático”. Para ele o mundo é uma verdadeira estupidez e existir no meio de tanta gente idiota é um grande sacrifício.

Num dia, a amargura do protagonista começa a mudar. Melodie St. Ann Celestine (Evan Rachel Wood), uma jovem bonita e que vem do sul dos Estados Unidos, aparece como uma criança abandonada pedindo algo para comer. Melodie é extremamente o oposto de Boris: alegre, ingênua, otimista e confiante na vida. Com o tempo, a garota acredita em tudo o que ele diz, chega a propor um casamento e consegue quebrar aos poucos a casca de insatisfação do carrancudo Boris.

Mesmo com a diferença de idade e de humor, os sentimentos entre os dois começam a se desenvolver. Entram em cena a mãe da moça, a religiosa Marietta (sensacionalmente interpretada por Patricia Clarkson), e seu pai, John (Ed Begley Jr.). A partir daí, acontecem algumas reviravoltas na história, como forma de não deixar o espetáculo cair no tédio.

Esse é o primeiro filme de Allen em Nova Iorque depois do seu “exílio Europeu”, onde filmou na Inglaterra e na Espanha. Não há o charme e a sedução do anterior (Vicky Cristina Barcelona), mas é muito superior a outros recentes (O sonho de Cassandra, Scoop – O grande furo e Match Point). O diretor escreveu esse filme nos anos 1970, pensando em dar o papel principal a Zero Mostel (que faleceu em 1977), mas acabou arquivando. Três décadas depois, decidiu jogar a tarefa para Larry David, que soube brilhar no personagem central, trazendo a experiência de outras atuações suas (principalmente em Curb). O grande monólogo que David faz no início do longa é realmente algo notável. Mesmo com um final um tanto forçado, Tudo pode dar certo é uma diversão agradável e que no final das contas traz uma bela mensagem.

[ veja o trailer ]

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