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A fita branca: Quando o fascismo se aproxima

por Amálgama (12/02/2010)

por Jean Garnier – Neste filme austríaco (estreia hoje), estranhos fatos amendontram uma pacata aldeia protestante situada ao norte de uma Alemanha pré-Primeira Guerra Mundial. Com a sucessão desses eventos sem nenhuma explicação, o diretor Michael Haneke novamente apresenta uma trama envolvida por mistérios, como o seu também aclamado filme Caché (2005), ao mostrar como […]

por Jean Garnier – Neste filme austríaco (estreia hoje), estranhos fatos amendontram uma pacata aldeia protestante situada ao norte de uma Alemanha pré-Primeira Guerra Mundial. Com a sucessão desses eventos sem nenhuma explicação, o diretor Michael Haneke novamente apresenta uma trama envolvida por mistérios, como o seu também aclamado filme Caché (2005), ao mostrar como a violência pode prejudicar muito mais do que seus objetos primeiros.

Toda a frieza e culpa coletiva são retratadas em preto e branco e narradas por um jovem professor (Christian Friedel). O sistema do vilarejo é totalmente hierárquico, todos executam suas funções e os adultos são conhecidos pelos seus cargos: o Pastor, o Barão, o Fazendeiro. Toda intransigência moral começa quando o médico (Rainer Bock) é hospitalizado depois de o cavalo que montava tropeçar num fio quase invisível posto entre duas árvores por onde passava todos os dias.

A vida parece continuar, só que o médico, que aparenta ser uma boa pessoa, entre paredes mostra-se cruel com a amante. As crianças e mulheres do local são sempre severamente punidas pela menor infração. A tal fita branca é usada para mostrar que os menores cometeram erros e que agora estão dispostos a serem bons. Já as ações dos homens são sempre mantidas confinadas no abafo, como se eles fossem santos. Tempos depois, o celeiro do Barão é incendiado. Quem são os culpados? Não há pistas e não sabemos onde a maioria das pessoas estava em diversos momentos determinantes.

O silêncio sinistro que envolve a coletividade é cortado pela notícia do assassinato de Francisco Ferdinando, arquiduque da Áustria, em Sarajevo. Por mais que possa deixar mistérios insolúveis, A Fita Branca faz um paralelo entre esses acontecimentos com os anos sanguinários e fascistas pelos quais a Alemanha passaria, e toda incerteza momentânea deixa rastros de como a tragédia pode terminar. A produção, às vezes, parece cair na monotonia, e quem prefere algo mais agitado pode se decepcionar um pouco. Venceu em maio do ano passado a Palma de Ouro no Festival de Cannes e é o favorito para ficar com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

[ veja o trailer ]

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