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por Bruno Pinheiro * – Todos nós já estamos cansados de saber que a estratégia de Lula para eleger sua sucessora Dilma Rousseff passa por articular um amplo leque de alianças. O presidente corteja o PSB, o PDT, o PC do B, o PTB, o PP… , mas o principal partido a ser seduzido pelo […]

[crédito: R7.com]por Bruno Pinheiro * – Todos nós já estamos cansados de saber que a estratégia de Lula para eleger sua sucessora Dilma Rousseff passa por articular um amplo leque de alianças. O presidente corteja o PSB, o PDT, o PC do B, o PTB, o PP… , mas o principal partido a ser seduzido pelo PT é o PMDB, com seus preciosos minutos no horário eleitoral obrigatório. Se essa costura der certo, Dilma terá mais de 60% do tempo de TV. Algo nada desprezível, ainda mais no Brasil, onde a televisão privatizou boa parte do espaço público e alcança quase a totalidade dos lares, sendo, portanto, o meio de comunicação por meio do qual a maioria das pessoas se informa.

OK, uma aliança tão grande, tão importante, que abriga tantos interesses exige uma série de concessões, costuras e desatamento de nós. O principal deles se encontra em Minas Gerais, a minha terra.

O peemedebista Hélio Costa, por ora, lidera as pesquisas. Com folga. Mas isso já aconteceu outras vezes – contra Hélio Garcia e contra Azeredo, ambas nos anos 90 – e ele não levou. O atual ministro das Comunicações é uma espécie de Maluf mineiro: sempre sai na frente, mas nunca chega em primeiro. Assim como o ex-prefeito de São Paulo, Costa tem uma bela rejeição. No entanto, o ex-repórter do “Linha Direta” esteve com Lula desde o primeiro mandato, mesmo nos momentos mais difíceis, e é natural que ele queira uma compensação. Fala-se até que ele poderia ser indicado a vice de Dilma para clarear o meio de campo mineiro.

O PT, por sua vez, tem dois fortes candidatos: Patrus Ananias e Fernando Pimentel. Ambos ex-prefeitos de BH. Patrus, como costuma lembrar o Idelber Avelar, foi quem iniciou a mais bem-sucedida administração da esquerda brasileira, à qual o Dr. Célio de Castro deu brilhante seguimento (a ponto de na última eleição todos os candidatos brigarem para ver quem era o verdadeiro sucessor da dupla). Pimentel administrou na sequência, com muito sucesso, a capital mineira (há quem diga que sem o brilho e a criatividade da dupla anterior). Não há dúvida, os dois têm currículo que os credenciam para pleitear a vaga. Ninguém quer ceder. Parece que dentro do PT Pimentel tem maioria, já que seu candidato foi eleito presidente do diretório estadual recentemente, numa disputa duríssima contra o candidato apoiado pelo atual ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. A esquerda do PT e seus aliados tradicionais pendem para “o cara” do Bolsa Família, todos ressentidos e entalados com Fernando Pimentel, que, segundo eles, usou de truculência para montar aquela famosa aliança com o PSDB de Aécio Neves e nos enfiar Marcio Lacerda goela abaixo, na última eleição para prefeito da capital. O PMDB, também, parece que prefere articular com Patrus, já que Pimentel não demonstra agora a mesma disposição para dialogar quanto quando ele montou a aliança com os tucanos.

O amigo leitor poderia pensar: ora, é fácil resolver, basta que quem ceder concorra ao Senado! Meu caro, nesta eleição será mais fácil vencer o governo do estado do que se eleger senador, já que uma das duas vagas em jogo já é de Aécio Neves. A segunda vaga também já tem dono: José Alencar. Se o vice-presidente quiser se candidatar – e tiver saúde para isso –, sua cadeira entre os 81 senadores da República já está garantida, já que ele é quase uma unanimidade entre os mineiros.

José Alencar , no entanto, é a aposta de Lula para conter os ânimos e colocar sob o mesmo guarda-chuva Hélio Costa, Patrus, Pimentel, Luiz Dulci, o PC do B… Ele é hábil e respeitadíssimo, a ponto de o PT já declarar de antemão que o apoiará caso concorra ao Senado. Como disse em seu Twitter a deputada Jô Moraes, presidente estadual do PC do B: “José Alencar é a figura capaz de construir a unidade da base mineira do governo Lula. Cuidadoso. Discreto. Experiente. Cumpridor de palavra!”

Enquanto o jogo vai sendo jogado, restam sem resposta algumas perguntas: A base aliada de Lula terá apenas um candidato? Será do PT? Pimentel ou Patrus? Ou do PMDB? O PT deve ceder aqui para ganhar ali? Ou será que o melhor é deixar a base com dois palanques fortes para Dilma? Hélio Costa será indicado para vice da candidata petista? José Alencar tentará novamente uma vaga para o Senado? Conseguirá o vice-presidente unir a base aliada? Aécio sai mesmo para o Senado? Ou sairá para presidente numa eventual desistência de Serra?

Enquanto essas questões não são resolvidas, resta-nos ficar espiando, como diz o poeta Pedro Bial.

* Bruno Pinheiro, mineiro morando em Brasília. Blog: miudorecruzado.blogspot.com.

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