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O sonho de Francisvaldo e a esquerda que não aprende

por Gabriel de Arruda Castro (22/02/2018)

PT, PSOL, PDT, PSB e PCdoB não aprenderam nada e não esqueceram nada.

Márcio Pochmann

Francisvaldo Mendes de Souza tem um sonho. O sonho de enterrar o “capitalismo hegemonizado pela grande finança” que “vai impondo uma nova ordem neocolonial através da qual açabarca a riqueza das nações e impõe amarras e políticas que negam o direito dos países da periferia e semiperiferia do centro capitalista de se desenvolverem autonomamente”.

Fracisvaldo, que na verdade é membro suplente da diretoria da Fundação Lauro Campos, do PSOL, juntou-se a um grupo de cinco amigos para produzir um manifesto. Ao lado dele estão Márcio Pochmann, da fundação Perseu Abramo (PT) e representantes das fundações de PCdoB, PDT e PSB.

O texto, divulgado nesta terça-feira, atribui ao governo Temer todas as piores palavras que um socialista consegue imaginar:  “autoritarismo”, “entreguismo”, “ultraliberal”, “contra o povo e a Nação”, “conservadores”. Para a corrente representada por si próprios, os autores reservaram adjetivos como “patriótica”, “democrática” e “popular”.

Esperava-se que o manifesto mencionasse diretamente a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva em 2018. Mas isso não aconteceu – a Folha de S. Paulo diz que por pressão de Ciro Gomes.

Sobre 2018, pede-se apenas “garantia da realização das eleições (…), com pleno respeito à soberania popular; e não a proposta casuística do parlamentarismo e do semipresidencialismo”.

Aliás, caso o ex-presidente Lula queira uma versão resumida das partes que lhe interessam, elas são a frase citada acima (na página 3) e o trecho da página 9, onde se lê: “É preciso, também, uma reforma penal e penitenciária que elimine a caótica situação dos presídios do país”.

No mais, fora as menções de sempre aos temas como a “democratização da comunicação”, o texto defende a ideia de que, para passar a ter mais recursos, o Estado deve gastar mais. Infelizmente a explicação para a mágica não acompanha o manifesto.

O manifesto dos partidos de esquerda teve repercussão zero e relevância zero. Serve apenas para mostra que PT, PSOL, PDT, PSB e PCdoB não aprenderam nada e não esqueceram nada. O que talvez seja bom para o Brasil.

Gabriel de Arruda Castro

Jornalista formado pela UnB e mestre em administração pública pela Universidade da Pensilvânia.