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Nicolás Maduro realizou o projeto de Hugo Chávez

por Eduardo Matos de Alencar (05/02/2019)

Chávez se associou ao narcotráfico internacional, como fizera Cuba no passado.

Existe, e só há de se intensificar, a tentativa disfarçada da esquerda nacional de queimar o nome de Nicolás Maduro no altar da moralidade pública, ignorando ou esquecendo propositadamente os crimes de seu antecessor, Hugo Chávez, ao qual aquele está organicamente ligado.

A estratégia, por suposto, é mesma que se fez em relação ao stalinismo. Enquanto escolhiam um monstro para responsabilizar por todo o horror caracteristicamente socialista, procuravam pessoalizar a barbárie, livrando a cara de assassinos e genocidas como Lenin ou Trotsky.

Agora é papel nosso não deixar que jamais se esqueça disso. Hugo Chávez plantou absolutamente todas as sementes para que Maduro hoje fizesse a colheita. Prendeu e assassinou dissidentes. Armou milícias para coagir opositores e intimidar o eleitorado. Condicionou trabalho e assistência governamental a apoio político. Expropriou a propriedade privada de milhares de pessoas, estatizando fazendas, residências, supermercados, bancos, distribuidoras de alimentos, emissoras de rádio e televisão. Implementou um modelo falido de empresas e indústrias estatais. Fez com que o abastecimento de alimentos da Venezuela passasse a depender em mais de 60% das exportações enquanto era vivo. A lista é imensa.

E não pára pelas barbaridades socialistas na administração da política e da economia. Chávez se associou ao narcotráfico internacional, como fizera Cuba no passado. 90% da cocaína colombiana passou a transitar pelo território venezuelano.

A organização que criou, que tinha inclusive um filho seu e um afilhado de Maduro no centro das operações, rapidamente ficou conhecido como “Cartel dos Sóis”, levando milhares de toneladas de drogas para os mercados da Europa, México, África, Oriente Médio e Estados Unidos da América. A coisa já foi mais do que mapeada por autoridades brasileiras, norte-americanas e colombianas, em parceria com dissidentes do regime. Envolve toda a alta cúpula do governo anterior e atual, incluindo peixes muito graúdos das Forças Armadas.

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Além disso, Chávez esteve por trás de grande parte das desgraças da América Latina dos últimos anos. Isso inclui os acordos ilegais para troca de tecnologia nuclear entre Irã e Argentina. Também a proteção de terroristas islâmicos radicais, como os responsáveis pela explosão da Amia e do assassinato de um promotor argentino. E a repressão sistemática a opositores de regimes amigos, como os massacres conduzidos por Evo Morales em Santa Cruz de la Sierra e outros departamentos.

Esse homem é um dos maiores flagelos que se abateu sobre a América Latina. E se a democracia venezuelana estava capenga na hora da sua assunção, a maior prova disso é que não foi capaz de incapacitá-lo permanentemente quando do golpe de 1992, em que ele e sua turma mataram mais de 100 pessoas. Democracia não é um pacto suicida. E sua capacidade de sobrevivência tem que ver diretamente com a eficácia das instituições em anular monstros como esse. Que a lição fique para o futuro da Venezuela. Se houver futuro ali.

* publicado inicialmente no FB do autor

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Eduardo Matos de Alencar

Escritor e sociólogo, doutorando na UFPE. Editor do site Proveitos Desonestos.