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13 motivos para não ver Sexta-Feira 13

por Amálgama (19/03/2009)

por Vinicius Valcanaia * – Há muito tempo eu não saía decepcionado de um filme. Arrasado mesmo, triste e pensando na grana que gastei com a entrada. Saiu caro e o tempo foi mal empregado. Beber a grana da bilheteria bem acompanhado do jeito que eu tava, teria sido mais empolgante. Fiz fogo com os […]

por Vinicius Valcanaia * – Há muito tempo eu não saía decepcionado de um filme. Arrasado mesmo, triste e pensando na grana que gastei com a entrada. Saiu caro e o tempo foi mal empregado. Beber a grana da bilheteria bem acompanhado do jeito que eu tava, teria sido mais empolgante.

Fiz fogo com os outros, pedi sigilo aos que já tinham assistido e fui cheio de amor, esperando ver algo impressionante e não a fuleiragem sem sentido que me encheu de tédio durante a projeção, chegando ao extremo de conversar mais com meus acompanhantes do que dar bola para o que acontecia na tela.

Tem gente aí dizendo que o resultado é satisfatório, o filme é ótimo. Outros aplaudiram a estética pretensamente moderna da palhaçada. É o eco da triste cambada mal alimentada a base de Pânico e Lenda Urbana atestando a burrice. Com toda a sinceridade, qualquer filme antigo e coió do Jason, é melhor que o remake turbinado. Quer motivos bons para acreditar? Dou-lhe treze:

1- Não existe nada de mitológico ou fantástico em Jason. Acabou-se a lenda do assassino imortal que surgia do fundo do lago para vingar a morte da mãe.

2- Falando em mãe, a cruel Sra. Voorhes foi banida para o esquecimento. Tinha site aí apostando que a atriz Nana Visitor daria um show em cena. Pobre Nana, entrou para dar uns gritos e morrer. O foco está em Jason, em como ele deve se portar diante do público emburrecido do cinema atual.

3- O elenco todo é muito bonito, muito loiro e chique. Não tem nem um gordo palhaço para morrer. Um negro e um oriental estão em cena, provando que o filme é politicamente correto.

4- Sim, os jovens bebem. Claro, eles usam drogas. Mas o elenco com cara de The O.C. faz tudo com um exagero tremendo. Bebem descontroladamente e fumam tanta coisa em cachimbos que não se sabe como eles conseguem correr depois da chapaceira.

5- Jason também corre, meu Deus! Esbanja uma virilidade atlética, um corpo bem definido de academia. Volte ao passado e me diga quantas vezes Jason correu em seus filmes antigos…

6- O roteiro insiste em mostrar o cotidiano de Jason. Onde ele vive e o que faz nas horas vagas. E pela quantidade de maconha plantada em Crystal Lake, Jason deve ter se divertido muito ao longo dos anos.

7- Ele não é mais a máquina de matar que atormentou a nossa infância. Transformaram o brutamonte sanguinolento em um correto serial killer, com esconderijo secreto, alarmes, táticas e movimentos friamente calculados. Atrasa as mortes e captura reféns. Hannibal Lecter, o serial killer pop, certamente morreu de inveja.

8- Numa cena, um personagem reclama que em seis meses de busca, a polícia jamais encontrou vestígios do desaparecimento de sua irmã. Não é que o rapaz vai dar uma caminhada no mato e no susto acha um aparelho GPS de localização?

9- Nenhuma das mortes é criativa ou chocante. O sangue é mínimo, controlado.

10- Jason anda com um facão embainhado e raramente o usa, tal qual um cangaceiro. O facão é o símbolo de Jason, mas, se bem me lembro, o rapaz aniquilava suas vítimas com a primeira coisa que aparecesse e até mesmo com as próprias mãos.

11- O primeiro Sexta-Feira 13 não é o criador dos clichês do gênero “filme de assassino mascarado”. E todos esses clichês aparecem conforme a cartilha e sem nenhuma inovação, tornando o espetáculo aporrinhante.

12- Faltou um “velho profeta louco”, figura constante em qualquer filme de terror sempre pronto para assustar os jovens que irão se embrenhar no mato. Rosemary Knower, a velha com o cachorro, tentou arranhar a idéia, mas podaram a coitada.

13- Pra encerrar com lágrimas: onde foi parar o famoso sussurrinho que repetia “kill kill kill… go…go…go…” e anunciava a presença de Jason?

*

Marcus Nispel, responsável pelo delirante remake de O Massacre da Serra Elétrica, errou feio. Deveria ser preso e proibido de dirigir mais filmes. O roteiro grotesco e mal armado foi escrito a quatro mãos. Um dos colaboradores é o ilustre Victor Miller, roteirista do primeiro filme e pai de Jason. Desesperado por dinheiro, Miller fez um pastiche das tramas dos três filmes antigos iniciais e avacalhou, com orgulho, a sua própria criação. Michael Bay é o cretino por trás de toda essa zona. Produtor de Armageddon, Pearl Harbor, Transformers e outras tralhas, de vez em quando ele acerta na calhordice e na falta de idéias. É outro que merecia um bom tempo de cadeia.

 
* Vinícius Valcanaia, há 10 anos decifrando o gosto cinematográfico do público diante de um balcão de vídeo locadora e com 1.235 filmes assistidos e catalogados até o momento, sente que sabe um pouco de cinema e ousa discorrer sobre a sétima arte. Com a faculdade de Psicologia interrompida, é óbvio dizer que sonha em cursar cinema.

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