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por Jean Garnier – Quantas vezes não deparamos na televisão com artistas que um dia tiveram muito sucesso, dinheiro e discos que mal esquentavam prateleiras das lojas e que depois de muito tempo, ou acabam caindo no anonimato ou fazendo pequenos shows e tendo que se submeter a situações calamitosas para poderem ter o que […]

por Jean Garnier – Quantas vezes não deparamos na televisão com artistas que um dia tiveram muito sucesso, dinheiro e discos que mal esquentavam prateleiras das lojas e que depois de muito tempo, ou acabam caindo no anonimato ou fazendo pequenos shows e tendo que se submeter a situações calamitosas para poderem ter o que comer? O drama Coração Louco (2009; em cartaz) é um fiel retrato desse tipo de situação e aborda o interessante tema da carreira pós-fama.

Bad Blake (Jeff Bridges) é um artista de música country. Ele viveu o bom lado da carreira e fama, suas apresentações sempre foram cheias, suas músicas eram sucessos e seus discos vendiam muito. Só que os bons tempos de Blake acabaram e, envelhecido, não é apenas a sua carreira que está ruindo, a sua vida também. Depois de quatro casamentos, é um rebelde alcoólatra, fuma demasiadamente, se alimenta mal e vive tensas relações com seu esforçado agente (James Keane). O cantor dirige sozinho sua Chevy em direção às apresentações, que tanto podem ser num boliche de beira de estrada como num decadente bar. É simpático, conversa com fãs e até dedica música a eles.

Numa dessas excursões, Bad acaba recebendo um pedido de entrevista e conhece a jornalista Jean (Maggie Gyllenhaal), uma mãe superprotetora e cansada dos canos que levou em relações anteriores. O conhecimento que Jean tem sobre música country deixa o artista impressionado. É curioso observar a situação dos dois: enquanto um enfrenta o declínio, a outra busca ascensão profissional. É lógico que tudo o que ambos precisam é um do outro, e assim acabam se envolvendo.

-- Bridges e Gyllenhaal em cena --

O diretor e roteirista Scott Cooper propõe a típica produção pequena – no sentido de chamar pouca atenção e de custo baixo em relação a tantos blockbusters –, mas com grandes interpretações. Dizer que foi justo o Oscar deste ano para Bridges pode parecer um tanto óbvio, mas ele, além de esbanjar talento ao cantar, revirou o passado e fez um misto de personagens que já interpretara; ao ver Bad você verá traços do sujeito desencanado e calhorda (como fez em O Grande Lebowski) e também o talentoso músico de festas (Os fabulosos irmãos Baker). Gyllenhaal é uma mulher que sente incertezas, com medo de um novo amor dar errado, inclusive por conta da diferença de idade – e de tipo de vida – entra ela e o parceiro. As músicas da trilha sonora são agradáveis e a principal delas, “The Weary Kind” (interpretada por Ryan Bingham), também deu o Oscar de Melhor Canção Original para o produtor T-Bone Burnett.

[veja o trailer]

Amálgama

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