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Homens que encaravam cabras

por Amálgama (28/03/2010)

por Jean Garnier – Mesmo que no início de Homens que encaravam cabras (em cartaz) um comunicado afirme que tudo aquilo é algo real, é difícil acreditar que não vá acabar em pastiche. Baseado no livro homônimo de Joy Ronson, a história começa quando o repórter do jornal Daily Telegram, Bob Wilton (Ewan McGregor), durante […]

por Jean Garnier – Mesmo que no início de Homens que encaravam cabras (em cartaz) um comunicado afirme que tudo aquilo é algo real, é difícil acreditar que não vá acabar em pastiche. Baseado no livro homônimo de Joy Ronson, a história começa quando o repórter do jornal Daily Telegram, Bob Wilton (Ewan McGregor), durante uma rotineira entrevista, acaba conseguindo um furo: um doido de nome Gus Lacey (Stephen Root) confidencia que possui habilidades psíquicas, informação que Wilton leva com desdém. Apesar de não esquecer a entrevista, o jornalista, após ver a esposa trocá-lo por seu editor, resolve ir para a guerra do Iraque, vira correspondente e se embrenha cada vez mais naquela batalha.

-- Clooney em cena --

Ele encontrará em um bar Lyn Cassady (George Clooney), que revela ter feito parte das Forças Especiais de espiões psíquicos – ou como Lyn prefere chamar: “Guerreiros Jedi” -, espiões treinados para desenvolver habilidades parapsicológicas, incluindo invisibilidade e visualização remota. Impossível não se divertir com a cara de pau do protagonista perguntando, “O que é um Jedi?”, principalmente porque McGregor participou dos últimos três filmes da série Star Wars – ele era Obi-Wan Kenobi. Em breves flashbacks é contada a história do mentor dessa unidade, Bill Django (Jeff Bridges), um cara sério que depois de levar um tiro na guerra do Vietnã, revolveu viajar pela América explorando os movimentos da chamada Nova Era. Django resolve pregar sua filosofia no exército e vê com bons olhos seus melhores recrutas: um é o próprio Lyn, que enfatiza o lado positivo dos ensinamentos; o outro é Larry Hooper (Kevin Spacey), esse está mais interessado no lado negro da coisa – olha George Lucas aí novamente fazendo escola. Django cai no esquecimento e Wilson, que já não tinha mais nada a fazer e estava achando tudo aquilo uma tremenda maluquice, se espanta e fica atordoado, principalmente depois de ver um vídeo no qual animais são mortos pelo poder do cérebro humano.

Apesar de um elenco de causar inveja a qualquer outra produção hollywoodiana (Clooney, McGregor, Bridges e Spacey) e da tentativa de talvez fazer o Doutor Fantástico ou até, quem sabe, o Monty Python do século XXI, não dá para levar o trabalho muito a sério. Vale o alerta para quem for assistir: não vá achando que irá ver um filme para cair na gargalhada, porque ele não é isso. A produção é daquelas comédias agradáveis, só que recheada de bobeiras, e talvez esse seja o seu grande erro: a quantidade de piadas e situações nonsenses enjoa e, ao final, se arrasta um pouco, principalmente em cenas monótonas no meio do deserto.

[veja o trailer]

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