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por Márcio Pimenta * – Depois das reduções das restrições a Cuba, ao permitir que cubanos que vivem nos Estados Unidos visitem suas famílias na ilha, bem como remetam valores, o presidente norte-americano Barack Obama cumpre uma das suas promessas de campanha: não exigir condições para o diálogo. Dito e feito, baixou as restrições mesmo […]

por Márcio Pimenta * – Depois das reduções das restrições a Cuba, ao permitir que cubanos que vivem nos Estados Unidos visitem suas famílias na ilha, bem como remetam valores, o presidente norte-americano Barack Obama cumpre uma das suas promessas de campanha: não exigir condições para o diálogo. Dito e feito, baixou as restrições mesmo que os irmãos Castro não tenham dado um passo adiante para uma reaproximação entre os dois países.

Agora se espera do governo cubano atitutes que mostrem que também ele está disposto a ser flexível. E é justamente aí que a força de Obama desarma o discurso cubano. A cápsula do tempo em que se tornou a ilha após décadas de isolamento econômico encontrou na truculência do governo Bush uma propaganda gratuita para a sua retórica e manutenção da política que já não tem espaço no mundo político atual.

Obama realiza os seus primeiros movimentos no tabuleiro e deixa Cuba numa situação para lá de delicada: como, após décadas de isolacionismo, lidar com o diálogo? Ainda que Raúl Castro tenha promovido algumas pequenas reformas, aparentemente (me permito o uso desta palavra, pois todas as informações que vem da ilha quase sempre estão bastante carregadas de defesas ideológicas cegas por ambos os lados) foram isoladas, insuficientes e sem um projeto de contínuo progresso para os temas de direitos humanos e garantias de liberdade individual.

Na Cúpula das Américas, ainda que Cuba não tenha sido tema nas mesas de trabalho, não foram poucos os líderes que pediram o retorno de Cuba à Organização dos Estados Americanos. Ainda que a OEA seja sistematicamente desmoralizada, fazer parte do grupo garantirá a Cuba o direito de ser ouvida e ouvir junto a seus pares. No entanto, na carta da OEA a democracia é regra fundamental para que um país possa fazer parte. Pouco antes da reunião, Obama publicou um artigo no diário argentino La Nación ressaltando estes mesmo valores para o progresso das relações Norte-Sul. O que irão fazer os irmãos Castro para saírem da retórica?

Em tempo: vale revisar o documento “Famílias Desfeitas” (PDF), do Human Rights Watch, sobre o custo humano das restrições dos Estados Unidos para viagens a Cuba. Daí, poderemos ter uma idéia de que o passo de Obama não foi nada pequeno.

 
* Márcio Pimenta é doutorando em Relações Internacionais pelo Instituto de Estudos Avançados – Universidade de Santiago do Chile.

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