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Dragonball Evolution: mais do mesmo

por Amálgama (04/05/2009)

por Estêvão dos Anjos * – Os fãs de desenhos japoneses não ficaram contentes ao assistir à adaptação para o cinema do popular Dragon Ball. Dragonball Evolution (2009), que tem roteiro e direção de James Wong, baseia-se em um roteiro mal acabado e que tem como personagem principal um ator que se assemelha mais a […]

por Estêvão dos Anjos * – Os fãs de desenhos japoneses não ficaram contentes ao assistir à adaptação para o cinema do popular Dragon Ball. Dragonball Evolution (2009), que tem roteiro e direção de James Wong, baseia-se em um roteiro mal acabado e que tem como personagem principal um ator que se assemelha mais a um integrante de uma boy band e que foge do caricato Goku que estamos acostumados a ver na tevê.

A trama do filme é bastante simples. Piccolo, uma espécie de deus do mal, retorna após anos para retomar o controle da terra, que tinha perdido. Para isso terá que reunir as sete esferas do dragão onde lhe será atribuído um pedido de pretensões infinitas. Coincidentemente, uma dessas esferas é dada a Goku por seu mestre quando nosso herói completa 18 anos de idade. Tomando conhecimento do plano de Piccolo, Goku parte em busca dos treinamentos do mestre Kame para proteger a terra do malvado Piccolo. Inovador não?

Apesar desse enredo nada complexo, por incrível que pareça, algumas brechas foram encontradas, e o que seria o ápice do filme foi um fracasso . A primeira brecha refere-se à relação do antigo mestre de Goku, aquele que lhe dá a esfera do dragão, com Piccolo: não fica claro de onde eles se conhecem (talvez da batalha há dois mil anos atrás?); a segunda não se trata bem de uma brecha, mas de uma precipitação do diretor em apressar a criação de pares românticos: quem não tomou um susto ao ver Bulma beijando Yamcha, personagem que surge literalmente do nada na trama?

Outro deslize foi quanto à formação dos personagens. Um dos pontos fortes de Dragon Ball é, justamente, o carisma que os desenhos causam em nós, as presepadas de Goku, o tarado mestre Kame e a atrapalhada Bulma – esses ingredientes não estão presentes no filme. Temos a impressão que são outros os personagens, mas de nomes semelhantes.

Claro que no começo do filme já sabemos qual será a batalha final da história e aguardamos o seu momento, mas, ao chegar lá, percebemos como o roteiro não privilegiou aquilo que poderia salvar o filme. A luta entre Goku e Piccolo é extremamente tola, cheia de efeitos visuais desnecessários, como todo o filme, e logo chega ao fim. Nada comparado a lutas épicas como a de Neo em Matrix Revolutions contra e o agente Smith.

Em suma, DragonBall Evolution é apenas mais um dos vários filmes que buscam sucesso apoiando-se em heróis ou desenhos da telinha, a exemplo de Street Fighter ou Hulk. Se buscasse ser mais fiel aos personagens, retratando-os tal qual no desenho, essa história poderia ter tido um final feliz.

 
[veja o trailer]

* Estêvão dos Anjos, jornalista, mora em Maceió. Desde pequeno é apaixonado por literatura. Tem receio de se apresentar como poeta mas escreve frequentemente poesias e as veicula no blog artenaarteria.blogspot.com.

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