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O precursor dos vampiros modernos

por Amálgama (15/05/2009)

por Murilo Andrade * — A lenda dos vampiros surgiu a incontáveis tempos no Leste europeu e no antigo Oriente Próximo, na mitologia da Suméria e Mesopotâmia, sendo o vampiro um monstro mais terrível do que o cavalheiro aristocrático pelo qual hoje em dia ele costuma ser retratado. O principal responsável pela transformação foi o […]

por Murilo Andrade * — A lenda dos vampiros surgiu a incontáveis tempos no Leste europeu e no antigo Oriente Próximo, na mitologia da Suméria e Mesopotâmia, sendo o vampiro um monstro mais terrível do que o cavalheiro aristocrático pelo qual hoje em dia ele costuma ser retratado. O principal responsável pela transformação foi o matemático irlandês Abraham Stoker, mais conhecido como “Bram Stoker”, em sua obra-prima Drácula, lançada em 1897.

Inspirando-se na figura do voivode (príncipe) Vlad Tepes, que nasceu em 1431 e governou o território que corresponde à atual Romênia. Nessa época, a Romênia estava dividida entre o mundo cristão e o mundo muçulmano. Vlad III ficou conhecido pela perversidade com que tratava seus inimigos. Embora não fosse um vampiro, sua crueldade alimentava o imaginário de tal modo que logo passou para o conhecimento popular como um vampiro.

O pai de Vlad, Vlad II, era membro de uma sociedade cristã romana chamada Ordem do Dragão, criada por nobres da região para defender o território da invasão dos turcos otomanos. Por isso Vlad II era chamado de Dracul (dragão), e, por conseqüência, seu filho passou a ser chamado Draculea (filho do dragão) – a terminação “ea” significa filho. A palavra “dracul”, entretanto, possuía um segundo significado (“diabo”) que foi aplicado aos membros da família Draculea por seus inimigos e possivelmente também por camponeses supersticiosos.

Tendo como base o conde, Bram Stoker construiu um dos personagens mais lembrados da literatura mundial. A figura mítica do vampiro idealizado por Stoker foi de tal modo aceita e aperfeiçoada, que sua influência em romances, filmes e quadrinhos ultrapassou a leitura do próprio original, gerando várias releituras — vide as obras de Anne Rice, séries como Angel, os filmes, e até mesmo as excelentes HQs baseadas em ideias presentes no original, não se prendendo totalmente à ele, mas renovando-o e melhorando-o.

E a sede do público é tão insaciável que a cada dia surgem novas histórias, fazendo sempre um estrondoso sucesso. Twilight é só o exemplo mais recente. O vampiro é uma figura já tão presente nas nossas vidas que sequer assusta mais. Pelo contrário. Gostaríamos de ser como eles. Sua beleza, sua força, sua tragicidade. Talvez porque com a crescente falta de fantasia dos dias atuais seja uma forma de fugir dos problemas e da vida complicada…
* Murilo Andrade reside em Aracaju-SE, estuda Biblioteconomia, adora ler e escreve quando lhe dá na telha em muriloandrade.zip.net.

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