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Michael Jackson (1958-2009)

por Amálgama (26/06/2009)

Por Mary W. * – Durante toda a minha infância eu não tinha nenhuma dúvida de que Farrah Fawcett era a mulher mais bonita do mundo. Embora tenha se tornado cafona, eu considero o cabelo repicado dela algo. Extraordinário. Nunca deixei de parar em frente à TV se ela lá estivesse. Nunca deixei de clicar […]

[foto: Der Spiegel]Por Mary W. * – Durante toda a minha infância eu não tinha nenhuma dúvida de que Farrah Fawcett era a mulher mais bonita do mundo. Embora tenha se tornado cafona, eu considero o cabelo repicado dela algo. Extraordinário. Nunca deixei de parar em frente à TV se ela lá estivesse. Nunca deixei de clicar num link com notícia sobre ela. Ela nunca deixou se ser *a* pantera pra mim. Fiquei sabendo de sua morte do modo como sempre fico. Minha mãe me avisa e eu vou pra TV. Michael Jackson eu fiquei sabendo pelo Twitter. Não li muito sobre as duas mortes porque quase não fiquei online ontem. Mas são dois ícones mesmo, da tal cultura pop americana.

É sempre difícil falar do Michael Jackson. Porque tornou-se mais importante a relação que as pessoas tem com ele. O tanto de significado que colocaram. Enfim. Dizem que a música ficou esquecida em meio aos escândalos. Eu digo que não é isso. Eu acho que ele ficou esquecido no meio do tanto de opiniões que temos a respeito dele. Símbolo máximo de tudo isso, que sabemos estar errado. Do tal culto à celebridade.

Vi as piadas no Twitter. A gente percebe que há uma espécia de inveja, de despeito. Ninguém se conforma com o tanto. De disco, de exposição, de sucesso. Não é proporcional, nem justo. A lógica é mesmo ser desproporcional. E ele é o símbolo máximo de tudo. Ele nos mostra o tamanho do preço. E fica até um pouco moralista o nosso olhar. Porque a gente vê esses pilares. Da futilidade, do excesso. E vê Michael Jackson se equilibrando neles. E vê Michael Jackson adoecendo. E pensa “hum, deve ter alguma coisa aí”. A gente faz a relação. Eu faço, pelo menos. Tento evitar. Mas quando vejo tô ali na santíssima trindade, relacionando as coisas. Reduzindo as coisas. Britney, Amy e Michael. E outros, você vai dizer. E outros, eu vou concordar. Mas não deixa de ser moralismo da nossa parte, pensar assim.

* Mary W. é blogueira feminista. Este texto foi publicado inicialmente em seu blog, beauvoriana2.zip.net, e está aqui reproduzido com sua autorização.

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