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O ensaio para uma vida a dois

por Amálgama (12/06/2009)

por Isaac Moraes * – O namoro é uma espécie de ensaio. Não se sabe ao certo de que, se de casamento, amizade ou inimizade, o fato é que ambos os protagonistas estão num momento de testes, um estágio-probatório para ingressar na história de outrem. Conseguir o visto de liberdade para a vida de uma […]

por Isaac Moraes * – O namoro é uma espécie de ensaio. Não se sabe ao certo de que, se de casamento, amizade ou inimizade, o fato é que ambos os protagonistas estão num momento de testes, um estágio-probatório para ingressar na história de outrem. Conseguir o visto de liberdade para a vida de uma pessoa é um passo muito importante, mais sério do que se imagina. A partir desse momento, além da eliminação de certos hábitos e a chegada de mudanças na rotina, ainda há a atenção e a administração do ciúme, seu e do namorado ou namorada.

A divisão passa a ser a operação primordial na matemática da dupla. Sem ela, fica difícil encontrar um denominador comum, um resultado satisfatório. Não que necessariamente seja impossível subtrair alguma coisa. O egoísmo deve ser reduzido a zero e o individualismo também; no entanto, jamais confundir com perda de identidade, porque aí a situação deixa de ser um pacto de união informal e passa a ser uma seita solitária, de um único fanático a um objeto insatisfeito de veneração.

O amor, o carinho, a paixão e todos aquelas sensações e sentimentos etéreos e subjetivos, que floreiam as explicações dos casais e os espetáculos diversos que a mídia faz questão de pôr em evidência, não seriam nunca cultivados sem a presença de outros, menos românticos, mas primordiais para a sobrevivência dos ensaístas. O respeito, a cordialidade e a humildade em perceber e admitir a importância da outra pessoa na vida são essenciais.

Transformar toda a nobreza que há nos sentimentos já citados e transformá-las em palavras é uma boa forma de colocar em prática as lições que um relacionamento sempre traz. Se ambos nunca se esquecem de dizer o quanto se gostam, existem grandes possibilidades do ensaio-namoro dar certo.

Após o estágio concretizado, e isso quem vai determinar são os próprios estagiários e chefes um do outro, acrescenta-se um grau na história e na vivência de cada um. Se houver sucesso, será muito bom e poderá ocorrer uma nomeação ou contratação para um cargo de maior responsabilidade nas vidas. Se não, carrega-se o aprendizado adquirido para ser aperfeiçoado em outras relações. Todos os namorados são estagiários da vida de alguém, e na continuidade do ciclo tomara que um dia todos nós possamos ter a oportunidade de fazer parte da vivência de uma pessoa. Talvez esse seja um dos maiores e mais bonitos degraus na evolução da mente e do espírito humano.

* Isaac Moraes, Maceió-AL, é estudante de jornalismo.

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