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Divulgação | As dez torres de sangue

por Amálgama (17/06/2012)

Carlos Orsi apresenta seu novo livro aos leitores do Amálgama

Mais um livro de colaborador do Amálgama, senhoras e senhores. Desta feita, As dez torres de sangue, romance do Carlos Orsi saindo, em nova versão, pela editora Draco. Abaixo, um “prefácio” que o autor escreveu exclusivamente para vocês, nobres visitantes do Amálgama.

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Fantasia. Ainda me lembro de quando a palavra, ao menos aqui no Brasil, não evocava muita coisa além do musical de Walt Disney, com seus elefantes – ou seriam hipopótamos? – baliarinos. Mas em algum momento isso mudou, e desconfio de que estive presente no momento da mudança.

Foi na primeira metade dos anos 90: as primeiras edições brasileiras de role-playing games apareceram, seguidas pela tradução da Martins Fontes para a obra de JRR Tolkien. Tenho a vaga lembrança de ter sido mestre de RPG numa sala de aulas vazia do Departamento de Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da USP (mas poderia ter sido outro eu, ou um avatar), e de comprar os calhamaços tolkienianos numa Bienal do Livro realizada lá no velho prédio da Bienal, no Ibirapuera.

Mas, enfim: a palavra “Fantasia”, de repente, passava a ser reconhecida aqui na taba não só como o nome de um dos melhores filmes a contar com a participação de Mickey Mouse, mas como um gênero narrativo, um universo inteiro de possibilidades imagéticas, um novo vocabulário.

Lembro-me de tentar explicar o conceito para as pessoas: “É como um, tipo assim, uma coisa como um conto de fadas, mas mais elaborado, entende?”.

Hoje, claro, todo mundo sabe do que se trata: O Senhor dos Anéis ganhou Oscar, é “cool” acompanhar A guerra dos tronos na HBO (Êidj-Bí-Ôu, por favor, não Agá-Bê-Ó), Harry Potter fez de sua criadora uma Cinderela da vida real e uma das poucas celebridades literárias independentes produzidas em tempos recentes no Brasil, Eduardo Spohr, é autor de, exatamente, Fantasia.

O que me traz a As dez torres de sangue, que escrevi no fim do século passado e que saiu, numa edição artesanal de bolso, em 1999. A nova edição teve algumas pequenas revisões, mas as principais novidades são o maior alcance e, mais importante de tudo, a capa, criação de Erick Sama: acho que é a mais bela capa que um livro meu já teve. Penso seriamente em fazer um quadro para pôr na parede.

Cito a data, primeiro, por uma questão de vaidade besta – aí, seus manés, eu já tava nessa muito antes de virar moda, morou? – e, segundo, para explicar que se trata de um livro que, de certa forma, pode ser visto como uma espécie de pré-Fantasia, no sentido de que muitas das influências que hoje são vistas como fundamentais (Tolkien, Martin, etc.) simplesmente não estão lá.

Então, quem está? William Beckford (1760-1844), um nome que, se você não conhece, vale a pena pesquisar na Wikipedia, cuja novela Vathek, que se você não leu, pode ser encontrada de graça no Projeto Gutenberg e vale cada minuto investido. E Robert E. Howard (1906-1936), o americano depressivo que se matou aos 30 anos, depois de deixar para trás as aventuras do bárbaro Conan, do puritano Solomon Kane e da mais feroz das feministas ficcionais, a mercenária Agnes de Chastillion (“melhor uma vida curta e violenta vivida na ponta da espada do que me matar parindo filhos para um homem que odeio”).

Dez torres é uma fantasia oriental – se passa nos desertos do Norte da África e envolve amplas doses de mitologia árabe – e ibérica, já que seu protagonista é um judeu português exilado, lá nos idos do século 18. É uma história de débitos de honra e vingança, o que tirei diretamente de Howard. É também um tanto quanto melodramática e, em alguns trechos, delirante, o que me vem via Vathek. E o que mais? O resto está no livro. [Carlos Orsi]

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