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[O texto que segue é de autoria de Jon Wiener e apareceu no site da revista The Nation em março deste ano.] Agora é oficial: a página um do New York Times informou no sábado que os judeus têm um problema com Obama. A reportagem, de Neela Banerjee (esse é um nome judeu?), não disse […]

[O texto que segue é de autoria de Jon Wiener e apareceu no site da revista The Nation em março deste ano.]

Agora é oficial: a página um do New York Times informou no sábado que os judeus têm um problema com Obama.

A reportagem, de Neela Banerjee (esse é um nome judeu?), não disse exatamente que havia um “problema”. Disse que havia um “desafio” para Obama: “navegar” pelos “ameaçadores caminhos” que o levem a “ganhar a confiança” dos eleitores judeus. Essa tarefa, o Times informou, é “ainda mais difícil” por causa das “tênues relações” entre negros e judeus.

Apenas no parágrafo dezenove, bem no interior do jornal, na página A12, os leitores são informados de que o voto judeu “não é monolítico”.

E em nenhum lugar da matéria os leitores ficam sabendo que Hillary Clinton era a favorita para contar com o voto judeu antes de começar a temporada de primárias – em parte porque Obama era um número desconhecido na métrica das organizações oficiais judaicas que definem se os políticos são suficientemente pró-Israel.

Ainda assim, em fevereiro Obama surpreendeu a muitos especialistas ao ganhar uma significante proporção dos votos no que alguns chamaram “a primária judaica” – o dia em que Nova York, Califórnia, Connecticut e Massachussets votaram (outros chamaram “Super Terça”). Obama dividiu o voto judeu na Califórnia com Clinton, embora ela tenha vencido o estado, 55 a 45. Obama ganhou o voto judeu em Connecticut, 61 a 38. Ele ganhou o voto judeu em Massachussets, 52 a 48, embora tenha perdido no estado por 54 a 41.

Em Nova York, Clinton levou o voto judeu numa base de 2 para 1. Mas esse é seu estado base.

De acordo com o semanário judaico The Forward, na Super Terça “os eleitores judeus não pareceram mais prováveis a apoiar Clinton do que os eleitores democratas em geral, exceto em Nova York”.

A posição de Obama sobre Israel – o teste da verdade para o establishment conservador judaico – é a posição dominante no Partido Democrata. Seu website diz que “um comprometimento claro e forte com a segurança de Israel… será sempre meu ponto de partida” nas negociações com o Oriente Médio. Obama apoiou a desastrosa guerra de Israel no Líbano, em 2006. O Congressista Robert Wexler, da Flórida, diz que Obama “tem sido um firme partidário da relação EUA-Israel”.

Então qual é exatamente o problema? De acordo com o Times, “alguns críticos” “expressaram a preocupação” de que os repetidos pronunciamentos de Obama em apoio a Israel “não são sinceros”.

Número um entre aqueles críticos, segundo o Times, é alguém chamado Ed Lasky, que escreve para um website chamado AmericanThinker.com.

O Times esqueceu de observar que entre os partidários de Obama está Martin Peretz, há muito tempo editor-chefe da New Republic, e cuja obsessão com Israel é legendária. Ele recentemente publicou um notável artigo naquela revista intitulada “Podem os amigos de Israel – e dos judeus – confiar em Obama? Em uma palavra, Sim.”

Claro que há uma série de outras razões pelas quais os judeus apóiam Obama. Os judeus foram o grupo religioso que mais se opôs à guerra no Iraque. Os judeus são em sua grande maioria democratas liberais. Uma pesquisa do American Jewish Comitee no último novembro pediu aos judeus americanos para apontarem sua mais importante questão nas eleições. 23% citaram economia e empregos, seguidos pelo sistema de saúde (19%), a guerra no Iraque (16%), e terrorismo e segurança nacional (14%).

No final da lista: apoio a Israel, 6 por cento.

Isso também não estava no New York Times.

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