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Titãs – Sacos plásticos

por Amálgama (18/07/2009)

por Jean Garnier – Das bandas que explodiram com o chamado “BRock” (Rock Brasileiro) nos anos 1980 e ainda estão na ativa, o Titãs é a que mais passeou pelos diversos ritmos: foi pop, ska, punk, new wave, grunge e acústico. Depois de quase três décadas de atividades, esse quinteto paulistano lança o seu 13º […]

por Jean Garnier – Das bandas que explodiram com o chamado “BRock” (Rock Brasileiro) nos anos 1980 e ainda estão na ativa, o Titãs é a que mais passeou pelos diversos ritmos: foi pop, ska, punk, new wave, grunge e acústico. Depois de quase três décadas de atividades, esse quinteto paulistano lança o seu 13º disco de estúdio produzido por Rick Bonadio (NXZero, CPM 22, Rouge e Manonas Assassinas). Chamado Sacos plásticos (Universal, 2009), nele a banda tenta reencontrar a força e a inspiração, que vem em declínio desde a saída de Arnaldo Antunes, em 1993.

Há a lembrança das raízes nervosas em “Amor por dinheiro”, um rock que faz crítica sobre a ganância e seus males. “Deixa eu sangrar” e “Porque eu sei que é amor” são aquelas baladas prontas para bombar nas Fms, mas que nada acrescentam à carreira e só preenchem espaço. O primeiro single, “Antes de você”, chama atenção pela ironia de fazer parte da trilha sonora da novela “Caras e bocas”, logo eles que um dia cantaram versos como “é que a televisão me deixou burro, muito burro demais…” – mesmo levando-se em consideração que as músicas do grupo sempre fizeram parte dos folhetins globais.

A música que dá nome ao disco tem em seus versos algo que ilustra a atual fase do grupo: “Eu quero ser um desses sacos plásticos… me deixa ser seu lixo/ sem utilidade/ que você vai levar/ pela eternidade”. Há batidas eletrônicas em “Agora eu vou sonhar”, pena que eles não seguiram a risca a sua letra (“Sem me repetir/ Sem deixar de comover/ Agora eu vou prosseguir”).

Vendo a carreira dos ex-integrantes Antunes (que assina a faixa “Problema”) e Nando Reis, a sensação que se tem é que esses saíram ganhando por não ter o nome gravado nesses últimos trabalhos titãnicos. Sacos não empolga simplesmente pelo excesso de teclados imposto pelo seu produtor, e por ser mais do mesmo, sem nenhuma novidade. Nada aqui já não tinha sido tentado antes (a exceção fica pela companhia de Bonadio, mas isso um dia será esquecido e superado). Pode ter certeza que no dia que a história do grupo for revisada, ninguém terá muita empolgação em mencionar esse álbum. No máximo, informarão seu título e o ano de lançamento. Mas fique tranquilo: não é o pior da banda. Neste quesito, a dianteira ainda é do insuperável cd de covers As dez mais.

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