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por Marcio Pimenta – Desde a Venezuela, passando por Colômbia e Peru, até a Terra do Fogo. É desta forma que os povos latinos observam o Brasil – um país imperialista. É um pouco estranho ler e ouvir algo do tipo, principalmente pelo fato de que para nós brasileiros, imperialistas são os outros, nossos irmãos […]

[imagem: america-sul.com]por Marcio Pimenta – Desde a Venezuela, passando por Colômbia e Peru, até a Terra do Fogo. É desta forma que os povos latinos observam o Brasil – um país imperialista. É um pouco estranho ler e ouvir algo do tipo, principalmente pelo fato de que para nós brasileiros, imperialistas são os outros, nossos irmãos do norte, por exemplo.

Os fundamentos para tal afirmação se baseiam principalmente nas dimensões econômicas e territoriais. Mas de fato o Brasil pratica uma política imperialista?

O Brasil nunca deu muita importância à América Latina, nossos olhos sempre estiveram voltados para a Europa, em um primeiro momento, e logo para os Estados Unidos. Daí vem o fato de que os brasileiros, sabendo de seu potencial, sempre quiseram fazer parte do clube dos países grandes imitando-os em seus costumes: na forma de se vestir (ignorando inclusive as características climáticas locais), na arquitetura local e até mesmo num processo de “branqueamento” de sua população. Mas a prioridade para a construção desta imagem levou à falta de uma estrutura organizada e às conseqüentes epidemias, sujeiras nas ruas, desorganização do território e etc. Durante o Século XIX alguns navios que partiam da Europa com destino a Buenos Aires chegavam a anunciar “sem parada no Rio de Janeiro”, de forma a atrair passageiros de classes mais altas. E o Brasil continuava a dar as costas para a América Latina.

O mesmo se deu com a maioria das empresas brasileiras, que, ao contrário das empresas “imperialistas”, não buscaram ocupar os territórios vizinhos ou incentivar o governo a celebrar acordos de livre comércio com estes países. O empresariado brasileiro ignorou solenemente o mercado interno através da política de duas premissas: “exportar é o que importa” e exclusão social, acreditando que concentração econômica é sinônimo de maiores ganhos. Assistiu as empresas européias e, agora, chinesas, ocuparem espaços que poderiam lhe render não apenas ganhos econômicos, mas também estratégicos para o país.

Exceto por Itaipu e uma ou outra ação, o Brasil não ocupou espaços que lhe seriam naturais em um mundo capitalista. A miopia das oligarquias de origem agrária impediu que as empresas pudessem explorar novos mercados. É o tal do capitalismo tupiniquim. Apenas como referência, o Brasil impõe ao Uruguai barreiras para a exportação de produtos ao país. O Uruguai possui uma economia pequena demais para trazer qualquer prejuízo ao país caso houvesse livre acesso aos nossos mercados; por outro lado, para o Brasil haveria ganhos de comércio em quase todos os setores, ampliação do mercado consumidor, diversificação dos parceiros comerciais (política que foi aprofundada corretamente pelo atual governo), menor dependência e exposição a choques de demanda externa e a tão falada e pouco realizada integração latino-americana.

O Brasil pratica o seu “imperialismo” da mesma forma que entende o capitalismo: com ações primitivas.

Amálgama

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