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Para relembrar sempre

por Amálgama (16/08/2008)

Morto no sábado (16) aos 94 anos, por falência múltipla dos órgãos, Dorival Caymmi era há muito uma lenda da cultura brasileira. O Amálgama lista três livros fundamentais para se compreender a vida e a obra do músico baiano, e recomenda a leitura de quatro matérias saídas nas últimas horas na imprensa.         CAYMMI: UMA […]

[foto: Rodney Suguita/Folha Imagem]Morto no sábado (16) aos 94 anos, por falência múltipla dos órgãos, Dorival Caymmi era há muito uma lenda da cultura brasileira. O Amálgama lista três livros fundamentais para se compreender a vida e a obra do músico baiano, e recomenda a leitura de quatro matérias saídas nas últimas horas na imprensa.

 

 

 

 

CAYMMI: UMA UTOPIA DE LUGAR, de Antonio Risério (Perspectiva, 1983)
Há algumas décadas, Ary Vasconcelos reclamava da escassez de estudos acerca da música popular brasileira. Os anos se passaram e o fato é que, apesar de uma outra intervenção crítico-teórica de peso como o hoje clássico Balanço da Bossa, continuamos mal servidos. Assim, ‘Caymmi – Uma Utopia de Lugar’, livro escrito pelo poeta e antropólogo Antonio Risério, vem preencher um duplo vazio. De uma parte, oferecendo-nos uma visão inteira da criação musical popular brasileira, que se articulou historicamente numa encruzilhada propícia, momento em que convergiram, na vida do país, a abolição do regime escravista, a expansão urbana e a chegada da tecnologia de reprodução da voz. De outra parte, dando-nos uma leitura da obra de Caymmi que se caracteriza, sobretudo, pela abrangência; da contextura socioantropológica à estrutura semiótica.

 

DORIVAL CAYMMI – O MAR E O TEMPO, de Stella Caymmi (Editora 34, 2001)
Resultado de dez anos de minuciosa pesquisa, esta biografia, com cerca de 300 imagens, revela a trajetória completa de Dorival Caymmi – um brasileiro exemplar, homem simples, sensível, que dedicou sua vida à música e à felicidade.

 

 

 

 

DORIVAL CAYMMI, de Francisco Bosco (Publifolha, 2006)
A obra concisa e rigorosa de Dorival Caymmi forma um conjunto de canções intensamente original, mas paradoxalmente tão familiar que chega a confundir-se com o anonimato. Muitas dessas canções são clássicos que moram no fundo da memória coletiva e ajudaram a construir uma identidade brasileira, com a qual estarão para sempre misturadas. Composta por três séries fundamentais – os sambas ‘sacudidos’, as canções praieiras e os sambas-canção -, a obra do compositor baiano é uma das mais luminosas realizações que a cultura brasileira já produziu, na música e para além da música. Este livro procura, de forma concisa, relacionar a obra de Caymmi com questões decisivas da cultura brasileira, com a experiência histórica do Brasil, com a época moderna, com a tradição da música popular brasileira, ao mesmo tempo em que tenta aproximar-se da obra caymmiana.

 

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Ontem quando me dirigia para o jornal pensava em escrever uma crônica sobe os nadadores Michael Phelps e César Cielo Filho, no carro ouvia Dick Farney cantando Marina, de Dorival Caymmi. Quando chego à redação recebo a notícia de que o grande Caymmi havia morrido. Imediatamente lembrei-me de Chico Buarque que foi quem — há mais de uma década — deu o melhor diagnóstico: “contra fel, moléstia, crime, use Dorival Caymmi”. [de Gustavo Oliveira, no Diário de Cuiabá]

“Caymmi realmente é um marco da MPB e da nossa cultura e sempre será lembrado saudosamente por aqueles que realmente gostam do Brasil e das coisas do Brasil. Ele era uma pessoa muito doce, muito sábia e serena. Mesmo quando as pessoas à sua volta estavam ansiosas ou preocupadas com qualquer aspecto da produção do show, ele sempre tinha uma palavra nobre, uma sabedoria própria que conseguia enriquecer e harmonizar qualquer ambiente”, Alexandre Raine, produtor de Caymmi [à Agência Brasil]

A última vez que Tuca viu Dorival Caymmi foi em 2006, na homenagem feita ao músico durante o Prêmio Nacional Jorge Amado de Literatura e Arte. De acordo com o criador do Troféu Caymmi, a última imagem que fica é a do imortal. “Dorival tem uma imagem atemporal, tais quais são suas composições. A música dele sempre o traduziu e vice-versa. Ele cantou sua vivência, a realidade de um homem sereno, despojado de bens materiais, um verdadeiro Buda Nagô”, explicou. [no Último Segundo]

 

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– Conheça também a discografia do músico, com riqueza de detalhes.

– Por último, recomendamos o vídeo que está em nossa home, de 1983, em que Caetano Veloso leva um papo com Caymmi em Roma.

por Daniel Lopes

Amálgama

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