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Arctic Monkeys – Humbug

por Amálgama (24/08/2009)

por Jean Garnier — Em 2006 o Arctic Monkeys surpreendeu o mundo da música ao vender em uma semana aproximadamente 400 mil exemplares do seu sensacional disco de estreia, Whatever people say I am, that’s what I’m not, carregado de músicas cantadas com forte sotaque inglês e recheado de humor sarcástico juvenil. Passou pela expectativa […]

por Jean Garnier — Em 2006 o Arctic Monkeys surpreendeu o mundo da música ao vender em uma semana aproximadamente 400 mil exemplares do seu sensacional disco de estreia, Whatever people say I am, that’s what I’m not, carregado de músicas cantadas com forte sotaque inglês e recheado de humor sarcástico juvenil. Passou pela expectativa do segundo álbum e agora, mais consolidado, se distancia um pouco do lado punk com o desafiador Humbug, a ser lançado esta semana.

O disco começa com a hipnótica e repleta de vocais fantasmagóricos “My propeller”, e quando se pensa que uma progressão está por vir, a canção não avança. A potência de “Crying lightning”, o primeiro single, consegue quebrar, com suas batidas ligeiras, o ar de calmaria presente e é seguida pela sólida “Dangerous animals”. “Potion approachin” é conduzida freneticamente por riffs de guitarras, e é uma das que mais lembram o “antigo” som do quarteto. “Pretty little visitors” também é rasgada por acordes e batidas mais rápidas e animadoras. A melancólica “The jeweller´s hands” faz jus à tradição do grupo em encerrar seus discos com melodias mais lentas.

Há em Humbug uma forte influência psicodélica do projeto paralelo do vocalista Alex Turner, o The last shadow puppets. O disco começou a ser produzido por Joh Homme (guitarrista do Queens of the Stone Age) e terminou de ser gravado com James Ford (Simian Mobile Disco), que co-produziu o anterior, Favorite worst nightmare. Não há nenhuma faixa cansativa, e o disco deixa sensações ambíguas tanto pela coragem de fugir um pouco do óbvio, quanto por ser, do começo ao fim, mais sombrio. Só que também sentimos falta de um pouco da faísca e brutalidade, que sempre marcaram a música do grupo; é como se a preocupação em não se repetir tivesse ido além do razoável.

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