PESQUISA

O grupo Baader Meinhof

por Amálgama (04/08/2009)

por Jean Garnier – Nos últimos anos, o cinema alemão tem explorado com riqueza o recente passado nebuloso que o país atravessou. Depois da comédia auto-crítica Adeus Lenin e o relato dos fatos que antecederam os últimos dias de Adolf Hitler em A queda, é a vez do retrato de uma nação divida ao meio […]

por Jean Garnier – Nos últimos anos, o cinema alemão tem explorado com riqueza o recente passado nebuloso que o país atravessou. Depois da comédia auto-crítica Adeus Lenin e o relato dos fatos que antecederam os últimos dias de Adolf Hitler em A queda, é a vez do retrato de uma nação divida ao meio no pós-Segunda Guerra. Centrado no grupo de estudantes que deu origem à organização terrorista de esquerda Facção do Exército Vermelho (RAF, de Rote Armee Fraktion), também conhecida pelo nome que dá título ao filme, O grupo Baader Meinhof (Alemanha, 2008) trás à tona comportamentos e situações de meados do século passado.

Baseado no livro homônimo do escritor Stefan Aust, o longa (em cartaz no Brasil desde o último dia 24) começa no cotidiano de uma família alemã economicamente bem sucedida do fim dos anos 1960, na qual a jornalista Ulrike Meinhof (Martina Gedeck) se divide entre a educação das filhas, o ciúme que tem pelo marido e suas colunas severamente críticas. Meinhof começa a desenvolver cada vez mais o seu lado ativista ao acompanhar em Berlim o massacre da polícia sobre um grupo que protestava contra a visita do Xá da Pérsia. Nesse incidente, Rudi Dutschke, o líder do movimento de esquerda, é baleado por um fanático de direita, motivo suficiente para os esquerdistas passarem do protesto à ação.

Dois membros do grupo, Andreas Baader (Moritz Bleibtreu) e sua namorada Gudrun Ensslin (Johanna Wokalek), são presos depois de explodirem uma loja de departamentos em Frankfurt. Ao realizar uma entrevista, Meinhof acaba “sem querer” se envolvendo na fuga de Baader. Desde então, devido a essa união, a mídia começa a chamar o grupo de Baader-Meinhof.

O que se segue aqui é a rotina da facção por toda uma década, recheado de explosões e tiros, seja numa viagem para treinamento na Jordânia, seja em fugas para outros países europeus. Um dos pontos alto é a reconstituição do passado, através de aspectos do tempo, roupas e cortes de cabelo. Mas a grande falha do roteiro é mostrar superficialmente a psicologia dos integrantes do grupo – o contexto em que se relacionam não é explicado satisfatoriamente. O episódio do dramático sequestro do avião Landshut, da Lufthansa, e sua ligação com os terroristas palestinos do Setembro Negro, por exemplo, é narrado com extrema rapidez. O drama fica muito preso nos ideais utópicos, a impaciência contra o sistema, e como os protagonistas expressavam isso com furor em atos de violência, além de alguns deboches e menosprezo pela justiça durante os julgamentos em que foram submetidos. No meio disso tudo, há a figura do esperto chefe inspetor federal Horst Herold (interpretado por Bruno Ganz, o mesmo que fez Hitler em A queda); é ele que pacientemente aprecia os fatos e mostra habilidade profissional para desarmar os terroristas.

O filme foi o mais caro já produzido na Alemanha (cerca de 20 milhões de dólares), tem a direção de Uli Edel (Cristiane F.) e recebeu diversas indicações a prêmios, entre elas ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

[ veja o trailer ]

Amálgama

Site de atualidade e cultura, com dezenas de colaboradores e foco em política e literatura.