PESQUISA

Sonic Youth – The eternal

por Amálgama (07/08/2009)

por Jean Garnier – Certa vez, em entrevista, Kurt Cobain declarou que jamais poderia esperar fazer tanto sucesso e que o máximo que ele queria era que seu som fosse autêntico e parecido ao do Sonic Youth. O grupo nova-iorquino, considerado um dos ícones do rock alternativo (por mais que isso possa soar um pouco […]

por Jean Garnier – Certa vez, em entrevista, Kurt Cobain declarou que jamais poderia esperar fazer tanto sucesso e que o máximo que ele queria era que seu som fosse autêntico e parecido ao do Sonic Youth. O grupo nova-iorquino, considerado um dos ícones do rock alternativo (por mais que isso possa soar um pouco pejorativo), lança o seu 16º registro em estúdio, o primeiro depois do fim do contrato com a gravadora Geffen Records e com novo baixista, Mark Ibold (ex-Pavement).

Em The eternal encontramos uma banda explorando meandros do rock e mesclando com as suas rotineiras psicodelias. Porém, há uma inversão de papéis: se um dia foi influência de toda uma geração, agora está sendo influenciada pela própria. E podem acreditar, isso não é ruim.

Tudo o que se espera da “Juventude Sônica” está aqui: indie-rock, humor, ironia, depressão e faixas longas como “Massage the history”, uma viagem harmônica e sussurros sobrenaturais durante quase 10 minutos. Kim Gordon aparece ruidosa em “Sacred Trickster” – essa faixa poderia fazer perfeitamente parte de Dirty (1992). “Poison Arrow” e “Antenna” são intercaladas por distorções e guitarras concisas e rápidas, daquelas músicas que logo nos primeiros acordes você identifica, sem erro, a marca do grupo. Há ecos dos anos 1970 em “Anti-Orgasm”. Na cativante “What we know”, Lee Ranaldo dá uma das mais impressionantes performances vocais de sua carreira. Riffs dinâmicos e ruidosos permeiam em “Walking Blue”.

Nos últimos anos, a sensação que se tem é que o Sonic está tentando deixar um álbum póstumo ou mostrar o seu poder e relevância. Não há nenhuma surpresa para os fãs, portanto ame-o ou odeie-o. Ao menos o título desse disco dignifica a sua história.

Amálgama

Site de atualidade e cultura, com dezenas de colaboradores e foco em política e literatura.