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Considerações sobre o calor de Teresina

por Amálgama (29/10/2008)

por Dowglas Lima * – A capital do Piauí é interplanetariamente famosa em virtude do seu calor, especialmente no último quadrimestre do ano, época que ganhou por aqui o apelido de “B-R-O Bró”, por causa da terminação dos nomes dos meses – setembro, outubro, novembro e dezembro (nome criativo, não é?). Sabendo dessa realidade, gostaria […]

por Dowglas Lima * – A capital do Piauí é interplanetariamente famosa em virtude do seu calor, especialmente no último quadrimestre do ano, época que ganhou por aqui o apelido de “B-R-O Bró”, por causa da terminação dos nomes dos meses – setembro, outubro, novembro e dezembro (nome criativo, não é?).

Sabendo dessa realidade, gostaria de fazer algumas reflexões acerca da quentura estupefaziante, enfadonha e labarejante que temos por aqui.

– A princípio, pensava-se que a água escura que os esgotos despejam no rio Parnaíba era de resíduos tóxicos provenientes das indústrias. Mais tarde, descobriu-se que na verdade é asfalto derretido pelo calor ambiente.

– Em Teresina, ninguém consegue ter azar. Afinal, aqui é tão quente que ninguém tem o pé frio.

– Nas entradas da cidade, placas recepcionam quem chega, com os dizeres: “Pode vir quente que eu estou fervendo”.

– Os secadores de mão a vapor foram inventados aqui, por um jovem visionário que percebeu que podia enxugar as mãos apenas pondo-as pra fora da janela de casa.

-A sonegação de impostos por aqui nunca existiu. Afinal, não há como existirem notas frias num calor desses.

– Dizem que, nos lugares quentes, os urubus voam com uma asa só, e com a outra se abanam. Mas em Teresina eles não têm coragem nem de voar – ficam na sombra esperando que algum animal morra perto deles. E jogam baralho enquanto esperam.
 

 

 

 

 

 

 

 

Céu de Teresina à meia-noite
[foto de Daniel Lopes, editor deste site,
que, após essa exposição de 5 segundos ao
sol, perdeu 87,8% da visão
]

 
– Aqui os taxistas ocupam toda a lateral dos táxis com adesivos nos quais se lê “ar condicionado”. Isso é uma característica essencial para ser bem-sucedido no ramo.

– Pra fazer o degelo de um freezer em Teresina, basta abrir a porta do mesmo por três segundos. Mas cuidado: calce botas de borracha antes de realizar esta tarefa. Um enxurrada vai inundar sua cozinha.

– Pra tomar um ventinho frio na cara, os habitantes daqui costumam ficar atrás do escapamento de automóveis.

– Em um churrasco aqui em Teresina, você sempre se sente o churrasqueiro – afinal a sensação de estar do lado de uma churrasqueira é constante.

– O choque térmico por aqui pode ter conseqüências imprevisíveis – você pode ser enviado a outra dimensão se sair repentinamente de um ambiente climatizado para o calorão do lado de fora.

(Mas ainda bem que o calor humano também é grande, afinal aqui tem muita gente boa.)

 
* Dowglas Lima é estudante de comunicação mas tem uma vocação totalmente diferente: a aviação (isso o transformou num perfeccionista ao extremo). Nascido em São João dos Patos-MA, já morou em Brasília, e agora sobrevive em Teresina. Tem algum talento para o desenho, mas as boas idéias que originam os bons trabalhos (algumas charges e caricaturas) só aparecem muito esporadicamente.

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