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Haih… or Amortecedor, dos Mutantes

por Amálgama (15/10/2009)

por Jean Garnier – Brasil, anos 1960. O país passava por uma ditadura. Políticos, músicos e intelectuais eram presos, torturados e exilados. Paralelo a esse drama, três jovens paulistanos, com o seu humor ácido e rebelde, incendiaram o rock com uma mistura de ritmos brasileiros (samba, bossa nova, baião), cacofonia de ruídos e rock propriamente. […]

haih-mutantespor Jean Garnier – Brasil, anos 1960. O país passava por uma ditadura. Políticos, músicos e intelectuais eram presos, torturados e exilados. Paralelo a esse drama, três jovens paulistanos, com o seu humor ácido e rebelde, incendiaram o rock com uma mistura de ritmos brasileiros (samba, bossa nova, baião), cacofonia de ruídos e rock propriamente. Rita Lee saiu em 1972 e Arnaldo Baptista um ano depois. Do original, só Sérgio Dias ficou até 1978, quando encerraram as atividades.

Durante o período de inatividade, diversos artistas, como David Byrne, Kurt Cobain, Sean Lennon, cansaram de reverenciá-los. Em 2006, a banda foi homenageada em Londres na amostra “Tropicália – A Revolution in Brazilian Culture”, com um show no Barbican Hall, e resolve retomar as atividades. Hoje, Os Mutantes são: Bia Mendes (vocais), Dinho Leme (bateria), Henrique Peters (teclados), Vinícius Junqueira (baixo), Fábio Recco (guitarra acústica), Vitor Trida (flauta, violão e cello) e, é claro, Sérgio (guitarras e vocais).

Depois de toda essa festa, chegou a hora de por a mão na massa e lançar Haih… or Amortecedor, o primeiro disco de estúdio em 35 anos e digno da história e brilho do grupo. É impossível não se animar com “2000 e Agarrum”, rápida e caracterizada por uma levada de forró, triângulo, acordeão… tradições nordestinas. “Querida Querida” é um rock denso, enquanto “Neurociência do Amor” é puro anos 1960. “Bagda Blues” é bizarra e contagiante ao mesmo tempo, e explora com humor histórias ficcionais envolvendo personalidades brasileiras (Sandy, Júnior, Hebe Camargo). A atraente e exótica “Samba do Fidel” é politizada e cheia de ritmos latinos e a experimental “O Careca”, de Jorge Ben Jor, é inocente e cômica.

Todas as referências lendárias estão em Haih… – as influências psicodélicas, a Tropicália. Uma prova disso é Tom Zé, que escreveu metade das faixas. Depois de tanto tempo vendo grupos nacionais tentando soar como os Mutantes, nada melhor do que ouvir o original. Ano passado, após a uma excitante apresentação na Virada Cultural, em São Paulo, Sérgio Dias deixou bem claro que a sua banda sempre foi independente. Ele continua se mostrando hábil o suficiente para colocar uma pimenta no som e fez desse registro um espetáculo musical selvagem e prazeroso. Que continuem assim.

[ visite o site oficial do grupo ]

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