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Em matéria de democracia e direitos humanos, a folha corrida do PT é um milhão de vezes pior que a de Jair Bolsonaro.

Não compreendo como, nesta altura do campeonato, uma pessoa que preza a democracia e os direitos humanos consegue votar em Haddad e no PT.

Sim, Bolsonaro apoiou o regime militar (milhões o fizeram durante os primeiros dez anos) e, mais grave, elogiou o torturador Brilhante Ustra. Lamentável. Mas a distância entre isso e a dupla Haddad/PT é sideral.

Com Haddad, gastarei só duas linhas. Primeiro, trata-se obviamente de um pau mandado, um poste, uma pessoa politicamente desprovida de caráter. Segundo, só agora, na reta final da campanha balbuciou alguma coisa contra as ditaduras da Venezuela e da Nicarágua.

O regime militar durou 21 anos, de 1964 a 1985. Nasceu de um golpe militar contra o regime de João Goulart, que caminhava a passos largos para uma anarquia. Naqueles 21 anos, as estimativas quanto a mortos, desaparecidos e torturados de que tomei conhecimento giram entre 500 e 600 pessoas. Sim, claro, cada pessoa é uma pessoa, cada uma tem seu valor, portanto esgrimir números não é o ponto principal do argumento. Mas cabe ressaltar que o nosso número equivale no máximo a cinco por cento do ocorrido no Chile e na Argentina, países cuja população somada corresponde mais ou menos á metade da nossa.

Tudo bem, os petistas poderão (?) dizer que Chile e Argentina são águas passadas. O que não podem dizer, desconhecer ou ignorar é o apoio oficial, moral e financeiro que o PT sempre deu a diversas ditaduras sanguinárias. A Venezuela de Nicolás Maduro está a um passo de atingir, se é que ainda não atingiu, proporções de genocídio. Um parênteses: a esse respeito, envergonho-me terrivelmente da posição do Brasil e de nosso chanceler Aloysio Nunes Ferreira. Quem não tiver acesso a material visual colhido na própria Venezuela, veja pelo menos as fotos tiradas em Roraima; veja venezuelanos disputando restos de comida com urubus nos lixões locais.

Gostaria muito de conhecer, caso existam, estatísticas fidedignas sobre a subnutrição infantil produzida pelo chavo-madurismo. O número de mortos, pelo que me consta, ultrapassa 8 mil; não sei quantos morreram após se encontrarem com os brilhantes-ulstras de lá. Justificar tal situação invocando o caráter supostamente democrático do regime é uma asquerosa falta de caráter. Quem quiser justificá-la, limite-se a dizer que o Brasil continua tentando receber o dinheiro que nos deve, empréstimos feitos pelo BNDES. Fale em créditos pecuniários, não em direitos humanos ou valores políticos.

A Nicarágua de Daniel Ortega está rapidamente resvalando para o mesmo caminho. Mais de trezentos opositores e pessoas envolvidas em protestos foram liquidados durante o último ano. E foi justamente lá, em Manágua, que filmaram a senadora Gleisi Hoffmann, “presidenta” do PT, elogiando empolgadamente a “democracia” nicaraguense. “Presidenta” do partido, em viagem oficial, hipotecando apoio oficial, portanto.

Por essas e outras é que afirmei acima e repito aqui, a título de conclusão: em matéria de democracia e direitos humanos, a folha corrida do PT é um milhão de vezes pior que a de Jair Bolsonaro. Com a possível exceção dos “anos de chumbo” do nosso regime militar, o petismo é a experiência mais nefasta de nossa história política. Não por acaso, nos últimos dias Cid Gomes e Mano Brown fizeram avaliações claríssimas do partido bem nas fuças de seu pusilânime candidato, que engoliu em seco. Ciro Gomes foi mais sutil: viajou para Paris e deixou a candidatura Haddad ao Deus dará. No caso dele, é provável que o ressentimento eleitoral tenha pesado mais que algum juízo de valor, o que não vem ao caso.

O que importa ressaltar, frisar, martelar e repisar é que o PT é uma das experiências mais nefastas de nossa história política. Nenhuma outra organização o superou no culto sistemático à mentira, na dimensão amazônica da corrupção, na manipulação “esperta” (com aspas, por favor) das regras do jogo democrático, e no desastre econômico (dois anos e meio de recessão e um acréscimo de 7 milhões de cidadãos ao rol de desempregados) para o qual sua clarividente equipe técnica arrastou o país.