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Livros fundamentais: Literatura africana

por Amálgama (19/11/2008)

Por solicitação do Amálgama, Marilia Bandeira e Divanize Carbonieri montaram uma lista com dez obras que consideram indispensáveis a quem quer se iniciar ou se aprofundar na literatura africana. As duas são integrantes do Grupo de Estudo de Literaturas Africanas de Língua Inglesa (GELALI), da Universidade de São Paulo. “No GELALI lemos um romance por […]

Por solicitação do Amálgama, Marilia Bandeira e Divanize Carbonieri montaram uma lista com dez obras que consideram indispensáveis a quem quer se iniciar ou se aprofundar na literatura africana.

As duas são integrantes do Grupo de Estudo de Literaturas Africanas de Língua Inglesa (GELALI), da Universidade de São Paulo. “No GELALI lemos um romance por mês; com algum comentário teórico bem básico, pois abrimos o grupo para pessoas que gostam de literatura, mas não são, necessariamente, estudiosos”, informa Marilia. “Eu e a Divanize fazemos alguma pesquisa formal e histórica, e deixamos para os membros voluntários do grupo as pesquisas biográficas”. Interessados podem entrar em contato com o editor do Amálgama, que encaminhará a mensagem para Marilia.

A seguir, as dez obras, com sinopse das editoras.

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Arrow of God, de Chinua Achebe (Nigéria). Set in the Ibo heartland of eastern Nigeria, one of Africa’s best-known writers describes the conflict between old and new in its most poignant aspect – the personal struggle between father and son.

Things Fall Apart, de Chinua Achebe. This is Chinua Achebe’s classic novel, with more than two million copies sold since its first U.S. publication in 1969. Combining a richly African story with the author’s keen awareness of the qualities common to all humanity, Achebe here shows that he is ‘gloriously gifted, with the magic of an ebullient, generous, great talent.

Ogboju ode ninu Igbo Irunmale, de Fagunwa (Nigéria). Livro originalmente escrito em Ioruba, foi depois traduzido para o inglês pelo também escritor Wole Soyinka, sob o título Forest of a Thousand Deamons.

Links, de Nuruddin Farah (Somália). ‘Links’ is a novel that will stand as a classic of modern world literature. Jeebleh is returning to Mogadiscio, Somalia, for the first time in twenty years. But this is not a nostalgia trip – his last residence there was a jail cell. And who could feel nostalgic for a city like this?

Le Devoir de Violence, de Yambo Ouologuem (Mali). Le Devoir de violence est une œuvre puissante et unique, un roman-culte du continent africain. Vaste saga historique, il retrace, depuis le XIIIe siècle, la geste des Saïfs, conquérants et maîtres du mythique empire Nakem. Fabuleux prosateur de tous les excès et de tous les crimes, Yambo Ouologuem dit les complexités de l’Histoire de l’Afrique où l’esclavage et la colonisation sont même antérieurs à l’arrivée des Européens qui ne firent peut-être que reprendre à leur compte et en l’amplifiant dramatiquement un système fou.

Disgrace [Desonra], de J. M. Coetzee (África do Sul). Lurie é um professor de literatura que não sabe como conciliar sua formação humanista, seu desejo amoroso e as normas politicamente corretas da universidade onde dá aula. Mesmo sabendo do perigo, ele tem um caso com uma aluna. Acusado de abuso, é expulso da universidade e viaja para passar uns dias na propriedade rural da filha, Lucy. No campo, esse homem atormentado toma contato com a brutalidade e o ressentimento da África do Sul pós-apartheid. ‘Desonra’ investiga as relações entre as classes, os sexos, as raças, tratando dos choques entre um passado de exploração e um presente de acerto de contas, entre uma cultura humanista e uma situação social explosiva.


Waiting for the barbarians [À espera dos bárbaros], de J. M. Coetzee. O cenário é um lugarejo poeirento na província ocidental de um certo Império. Um magistrado sem nome toca adiante sua rotina de funcionário correto a serviço de uma ordem que não lhe cabe questionar – recolhe impostos, dita sentenças e pouco se ocupa dos bárbaros maltrapilhos que perambulam a esmo pelo deserto escaldante. Nas horas vagas, abandona-se à melancolia e à escavação de ruínas próximas, cobertas pela areia. Seus dias de modorra moral são interrompidos pela chegada do coronel Joll, emissário de uma misteriosa Terceira Divisão de ‘guardiães do Estado’. Especialista nas artes do ‘interrogatório’, Joll vem da capital para investigar um suposto movimento de sedição entre os bárbaros. Os rumores a respeito são mais que tênues, o que não impede Joll de torturar prisioneiros, disseminar a histeria xenófoba e silenciar dissidentes – entre os quais o Magistrado. ‘À espera dos bárbaros’ reitera as preocupações éticas que movem toda a prosa de J.M. Coetzee. O romance parte das encruzilhadas da população branca no apartheid sul-africano para construir uma profunda meditação sobre a natureza do poder absoluto, da censura, do compromisso e da moral em tempos difíceis.

Life and Time of Michael K, de J. M. Coetzee. In a South Africa turned by war, Michael K. sets out to take his ailing mother back to her rural home. On the way there she dies, leaving him alone in an anarchic world of brutal roving armies. Imprisoned, Michael is unable to bear confinement and escapes, determined to live with dignity. This life affirming novel goes to the center of human experience – the need for an interior, spiritual life; for some connections to the world in which we live; and for purity of vision.

You can’t get lost in Cape Town, de Zoe Wicomb (África do Sul). Zo Wicomb’s complex and deeply evocative fiction is among the most distinguished recent works of South African women’s literature. It is also among the only works of fiction to explore the experience of “Coloured” citizens in apartheid-era South Africa.

July’s People, de Nadine Gordimer (África do Sul). For years, it has been what is called a ‘deteriorating situation’. Now all over South Africa the cities are battlegrounds. The members of the Smales family – liberal whites – are rescued from the terror by their servant, July, who leads them to refuge in his native village. What happens to the Smaleses and to July – the shifts in character and relationships – gives us an unforgettable look into the terrifying, tacit understandings and misunderstandings between blacks and whites.

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