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por Jean Garnier – O que pensar de um filme em que logo no começo somos avisados de que não se trata de uma história típica de amor e depois vemos o protagonista afirmando que “é a melhor garota dos meus sonhos”? Isso acontece em 500 dias com ela (estreia hoje). Muito mais do que […]

por Jean Garnier – O que pensar de um filme em que logo no começo somos avisados de que não se trata de uma história típica de amor e depois vemos o protagonista afirmando que “é a melhor garota dos meus sonhos”? Isso acontece em 500 dias com ela (estreia hoje). Muito mais do que uma divertida comédia romântica, é também um relato original, sem ordem cronológica, de um romance fracassado. O relacionamento é narrado de forma que o filme avança e retrocede como um contador de dias, inclusive com os números, fazendo o espectador acompanhar todas as fases de um relacionamento: a impressão do início, os olhares, a aproximação, o primeiro beijo, a cumplicidade, as diversões, dúvidas, brigas e o fim – mas, lógico, não nessa ordem.

Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) é um rapaz de vinte e poucos anos, arquiteto frustrado que trabalha como um entediado escritor de cartões com mensagens calorosas, mas não acredita em nada do que escreve. Ele é uma daquelas pessoas que, mesmo jovem, já está se conformado em viver uma vida sem graça. É fisgado por algo que lhe chama a atenção e acredita que pode ser duradouro: a bonita e misteriosa Summer Finn (Zooey Deschanel), a nova assistente do seu chefe, pela qual se apaixona à primeira vista.

Ao mesmo tempo em que eles se aproximam por gostos comuns, alguns sentimentos os separam. Enquanto ele é um daqueles românticos que vê virtudes até nas coisas mais banais em relação à amada (“O jeito que ela morde os lábios”, por exemplo), Summer é pragmática e cria um grande conflito desde o início, ao reforçar sua intenção de não casar e sua opinião de quem não acredita muito no amor.

( Joseph e Zooey numa cena do filme )

( Joseph e Zooey numa cena do filme )

Pode ser um tanto redundante afirmar, mas a atuação do casal ofusca totalmente as outras, principalmente porque a química entre os protagonistas funciona de uma maneira impressionante. Para não cometer injustiça, vale mencionar os momentos que Tom tem com sua irmã mais nova, Rachel (Chloe Moretz), que se torna uma espécie de confidente mirim e dá algumas preciosas dicas da sua visão feminina sobre relações amorosas.

O diretor Marc Webb é conhecido pela produção de alguns clipes (Green Day, Jesse McCartney) e acertou em cheio ao revigorar a forma de se narrar uma história romântica moderna, usando canções e referências do mundo pop para melhorar a atmosfera e a versatilidade da trama, sem apelar para a cafonice, momentos óbvios ou clichês. Os fãs desse gênero irão se deliciar, principalmente com uma mistura de anos 1980 (The Clash, Smiths, Jesus and The Mary Chain, Pil, Joy Division) com o contemporâneo (Regina Spektor, Wolfmother, Spoon, Feist, Black Lips). Pode não ser um conto de amor feliz, daqueles melados em que todos imaginam que a mocinha terminará nos braços do mocinho, mas será difícil não se apaixonar pelo filme.

[ veja o trailer ]

Amálgama

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