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As “guerras” do Congo

por Amálgama (17/12/2008)

por Pe. Osnildo Klann * – Os jornais do Brasil dão poucas notícias da República Democrática do Congo. Por isso, sem abusar da paciência de vocês, envio algumas informações sobre a situação atual do leste congolês. A guerra patina. As conversações de Nairobi, Kênia, entre a delegação governamental e os representantes do CNDP (Congresso Nacional […]

por Pe. Osnildo Klann * – Os jornais do Brasil dão poucas notícias da República Democrática do Congo. Por isso, sem abusar da paciência de vocês, envio algumas informações sobre a situação atual do leste congolês.

A guerra patina. As conversações de Nairobi, Kênia, entre a delegação governamental e os representantes do CNDP (Congresso Nacional de Defesa do Povo) vão recomeçar hoje (17), após um primeiro round que, segundo o mediador do diálogo, o ex-presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, foi positivo e já se caminha, um pouco, na direção da paz.

Mas há profundas divergências. A ONU acaba de declarar que a Ruanda está dando apoio multiforme ao general Nkunda. Mas acusa também a RD do Congo de apoiar outros revolucionários que, a partir do território congolês, combatem o regime de Ruanda, como a FDLR (Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda) e o Pareco (Patriotas Resistentes Congoleses).

A Ruanda, por sua vez, não aceita as declarações dos enviados especiais da ONU, a respeito de seu apoio aos revolucionários de Nkunda. Acusa, pelo contrário, a RD do Congo de apoiar milicianos e grupos revolucionários que combatem o regime dos tutsis, em Ruanda, como as FDLR e os Pareco.

Além dos três grupos armados citados acima, há ainda um quarto, que combate e tenta derrubar o governo de Sudão. É o LRA (Exército de Resistência do Senhor). Eles se escondem no nordeste congolês, para invadir o Sudâo. Mas estando em terras congolesas, perturbam também os habitantes deste país.

Uma ação conjunta dos militares ugandeses, sudaneses e congoleses conseguiu, domingo passado, desbaratar a principal base do LRA, destruindo seu acampamento principal de Koni, na RD do Congo. Essas operações militares vão continuar até acabar com todos os acampamentos desse grupo. A população de Dungu, na Província Oriental de Kisangani, deseja que isso aconteça ainda antes das festas de fim de ano. Além disso, estão preocupados com o que vai acontecer com as crianças e adolescentes recrutados por esse grupo como soldados.

Como podem observar, as frentes de luta no leste congolês são várias, e com grupos armados atemorizando e mesmo escravizando a população, como acontece agora mesmo com os Mai-Mai que, perto de Butembo, mantém a população sob domínio da força.

Esperemos que em Nairobi os representantes do governo congolês e os enviados de Nkunda cheguem a um acordo e selem a paz. Que o espirito de paz natalino possa inspirar esses homens para abrirem um caminho de paz e prosperidade no leste congolês!

 
* Padre Osnildo Carlos Klann é catarinense, membro da Congregaçâo dos Padres do Sagrado Coraçâo de Jesus, à qual serviu no Brasil e na Itália. Hoje, desenvolve projetos junto à população de Kisangani, na República Democrática do Congo. Já publicou outros textos no Amálgama sobre o país.

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