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Por que votarei em Plínio Sampaio

por Raphael Tsavkko Garcia (09/08/2010)

Plínio significa a mudança real, para melhor, do país. À caminho do socialismo

por Raphael Tsavkko Garcia

-- Plínio Soares de Arruda Sampaio --

Por que votarei em Plínio? Indo direto ao ponto? Por coerência. Minha e do candidato.

Por Plínio contestar a ordem vigente e buscar uma alternativa ao jogo da direita.

O homem e o candidato
São décadas de defesa dos movimentos sociais, das classes trabalhadoras, enfim, do verdadeiro povo brasileiro. Plínio representa anos de luta social, pelos direitos humanos e pela dignidade de todos e todas.

Da história de apoio ao MST, à Liga campesina, passando pela defesa da Constituição Cidadã, até a defesa do aborto, dos direitos humanos e do povo brasileiro, Plínio de Arruda, do alto de seus 80 anos de idade, demonstra a vitalidade de quem sabe ser justa sua luta.

De uma origem rica, filho de produtores de café, Plínio foi pouco a pouco se aproximando das posições de esquerda em seus 60 anos de militância. Das juventudes católicas, passando pelo Partido Democrata Cristão, Plínio foi cada vez mais se aproximando do povo e de seus anseios. O socialismo foi um caminho natural que, até hoje, trilha como poucos.

Diferentemente de outros políticos que respeitam apenas a si próprios e dificilmente se subordinam à  vontade coletiva, passando por cima de seus partidos e de sua base e chegando ao grotesco de fazer comparações absurdas com teor eleitoreiro, ou que procuram mascarar suas posições através de propostas escapistas e sem sentido, Plínio respeita sua base, respeita as bandeiras históricas do movimento social e passa até mesmo por cima de seus próprios preconceitos e visões pré-concebidas, se mostrando não apenas um grande ser humano e político, mas um estadista, alguém que passa por cima até mesmo de suas posições pessoais pelo bem de todo o povo.

Posição de Plínio sobre o Aborto:

“Apóio o movimento em favor da descriminalização do aborto porque, evidentemente, a lei atual demonstrou ser, não apenas ineficaz, mas claramente perniciosa, uma vez que obriga as mulheres a recorrer a pessoas despreparadas e inescrupulosas para interromper uma gravidez indesejada.”

Em entrevista ao R7, ele é ainda mais claro, separando suas opiniões pessoais do que o Brasil efetivamente precisa:

“Em assuntos polêmicos recorrentes nas sabatinas, Plínio se mostrou favorável à união homoafetiva no Brasil, justificando sua posição no direito de vida civil em comum que pessoas do mesmo sexo têm. Sobre o aborto, disse ser uma questão social grave que precisa ser analisada como política pública.”

Plínio quer legalizar o aborto, ao mesmo tempo em que monta uma estrutura de saúde para avaliar e orientar as pessoas, algo que nenhum outro candidato ou partido jamais pensou ou cogitou.

Tão importante quanto é saber, também, que ele é o único candidato a defender uma punição – exemplar – aos torturadores e criminosos, civis e militares, da Ditadura Militar.

A mídia e os “nanicos”
Católico, Plínio consegue, diferentemente de outros, manter para si suas posições e opiniões religiosas. Pensa em governar para todos e não para si e para grupos de interesse. Defende as causas do povo e não as suas próprias e, exatamente por isto, é escondido pela mídia.

Ao tocar em feridas profundas, acaba por desagradar a importantes e influentes setores. E sofre as consequências.

Nas pesquisas, Plínio aparece com menos de 1%. Isto quando aparece. Até o momento boa parte das pesquisas são feitas com apenas o nome dos três primeiros colocados. Os demais são relegados ao ostracismo.

Na maioria das pesquisas os “nanicos” nem aparecem, ou sua votação oscila de forma incongruente. A mídia tem bombardeado o público com a ideia de que só existem 3 candidatos. Como o povo saberá quem são os demais?

Neste cenário, até mesmo o Rui Costa Pimenta pode aparecer como quarta força, basta que a pesquisa seja feita na esquina da sede do PCO!

Pelo peso do PSOL, pela história do Plínio e pela militância, fica claro que, começando a campanha, os números começarão a ter alguma relevância e sua candidatura crescerá. Por enquanto é má fé acreditar que piadas prontas como Eymael ou desconhecidos como Ciro Moura tenham qualquer votação relevante e, especialmente, maior que a do Plínio.

Plínio foi criminosamente excluído do Roda Viva – existe inclusive um abaixo-assinado pela sua participação – e sequer a TV Brasil, pública, se incomodou de convidá-lo para entrevistas. Debates? Fazem de tudo para excluí-lo, enquanto tentam construir um cenário fictício perpetuando a ideia de que existem apenas 3 projetos, o do PT, o do DemoTucanato e o da Criacionista, e nenhuma alternativa viável. Ao menos, nenhuma viável para os que detém o poder.

As posições
Dentre as declarações de Plínio aparecem a defesa dos movimentos das mulheres; da revisão da Lei da Anistia; da reestatização da Vale, que foi entregue a preço de banana por FHC; a paralização do processo de licitação e o abandono da ideia estúpida da construção da usina de Belo Monte, em defesa dos povos indígenas e da biodiversidade local; e a defesa do EcoSocialismo e não de um EcoCapitalismo neodesenvolvimentista tão em moda entre os demais candidatos.

O que Plínio disse sobre a Anistia:

“O ex-deputado federal Plínio de Arruda Sampaio, que permaneceu 12 anos exilado no Chile e nos Estados Unidos durante a ditadura militar (1964-1985), diz acreditar que crimes bárbaros, como sequestros e torturas, não deveriam ser anistiados como decidiu nesta quinta-feira (29) o STF (Supremo Tribunal Federal). – A Lei da Anistia ocorreu em nome da harmonia política da época e os líderes já entregaram o poder, mas não existe anistia para sequestros e torturas. Os bárbaros crimes cometidos não podem ser anistiados.”

A reforma agrária e a proibição de qualquer forma de transgênico são bandeiras das mais relevantes para o candidato do PSOL, que tem um longo histórico de militância nesta área. A defesa do meio ambiente e da biodiversidade não poderiam ser esquecidas pelo candidato socialista, que constantemente critica a criminalização dos movimentos sociais – que, segundo alguns, colocam-se contra o progresso ao tentarem conseguir melhor qualidade de vida para toda a população.

Seguindo os anseios da população e dos movimentos sociais, Plínio defende com unhas e dentes a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e a taxação de grandes fortunas, sendo, por isto, considerado radical. Ao se apresentar como o candidato contra o sistema, é considerado radical, sonhador e, até mesmo, perigoso pelos setores reacionários.

Sua defesa intransigente da soberania do país e do povo brasileiro o fazem ser tachado de radical por aqueles que querem criar uma falsa polarização e por quem tem medo do único candidato com coragem de pôr o dedo nas mais diversas feridas abertas deste país.

Querem excluí-lo dos debates, das entrevistas a programas como o RodaViva e, para isto, usam pesquisas de qualidade suspeita para chamá-lo de “nanico”, de “irrelevante”. A mídia tem medo de sua defesa da democratização dos meios de comunicação, do fim dos monopólios midiáticos, da defesa do software livre e das rádios comunitárias e meios de comunicação alternativos que possam levar informação de qualidade em oposição ao amálgama de mentiras propagado pela mídia de massa.

Felizmente, após o debate na Band, a mídia parece ter acordado, ou melhor, notado que não adianta excluí-lo. Forçosamente convidado – a lei eleitoral exige -, Plínio deu um show, conseguindo apoiadores e admiradores, dando um banho nos demais candidatos. Desde chamar a Marina de “EcoCapitalista” e Serra de “Hipocondríaco”, até apresentar um programa socialista para o país e, com bom humor e ironia, desmontar os demais discursos.

Conclusão
O voto em Plínio não deve ser encarado como um mero voto de protesto contra a falsa polarização da disputa, mas como um voto consciente numa alternativa real e em construção, numa opção política diferente, que resgata aquilo que o PT abandonou em nome da “governabilidade” e resgata os anseios dos movimentos sociais e populares.

Votar em Plínio é defender o antigo PT, o partido de massas, de luta. É casar antigas bandeiras, ainda válidas, com um partido novo, em formação.

Plínio defende o que o PT costumava defender. Porque com ele é irreal e com o PT era a utopia de todo militante?

A tática usada pela direita é atacar suas ideias, tachá-lo de radical. A da esquerda, infelizmente, não é muito diferente. Acusam-no de fazer o jogo da direita. Mas como?

Esse papo de “jogo da direita” é realmente uma mordaça. Alguns tentam criar o medo da vitória do Serra para tentar calar a voz dissidente. Plínio toca em pontos fundamentais, como a reforma agrária, e ninguém pode respondê-lo, porque ninguém a fez ou tem propostas para fazê-la. Então novamente entra o papo de ajudar a direita. Oras, se o PT em oito anos não se interessou em efetivamente fazer uma profunda reforma agrária no país, por que questionar este fato – como faz o MST constantemente – seria jogar com a direita?

A verdade é de direita? Eu acho que não. Então, realmente, eu não entendo.

Plínio mostra que existe uma alternativa. Em uma sociedade conservadora como a nossa, sabemos que não será eleito, mas o crescimento de sua campanha forçaria a inclusão do PSOL na mesa de negociações. Com peso e força, o PSOL poderia pleitear junto ao PT, poderia pressionar e ter peso para isso. Seria uma chance de trazer o PT, ou o governo, para a esquerda.

Plínio significa, enfim, a mudança real, para melhor, do país. À caminho do socialismo.

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Outros artigos da série:
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Raphael Tsavkko Garcia

Formado em Relações Internacionais (PUC-SP), mestre em Comunicação (Cásper Líbero) e doutorando em Direitos Humanos (Universidad de Deusto).



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Teodoro Muniz
Teodoro Muniz

Que Direita?! No Brasil todo partido é de esquerda… Uns mais radicais, outros mais moderados.

Raphael Tsavkko

De que país você está falando? O dia em que PP, PSDB, DEM e cia forem de esquerda, o Brasil pode se chamar de Comunista Revolucionário…

André HP

Acusar um partido de ser de “direita” é associá-lo à ditadura para o senso comum mais ou menos informado. Então, foi argumento de boa parte da militância dos partidos ditos de esquerda acusar os adversários de direita.

A “direita” ortodoxa, preenchendo os princípios teóricos, não existe no Brasil.

Não é simplesmente olhar onde tem privatização ou estatização para classificar. São critérios velhos que nada mais dizem no neoliberalismo.

O PT, por exemplo, pode ser classificado de direita em determinadas questões.

Abraço!

ana marilia da silva santos

é isso mesmo

Washington
Washington

Pode ser, não. O PT é de direita. O que o Lula fez pro povo nesses 8 anos de governo? Nada. A saúde e a educação foram entregues às moscas.

Aquele Lula dos anos 80 não existe mais. Lembra como ele era revoltado, se dizendo a favor da população? Anos depois mostrou que gosta de burguesia. Olha os jatinhos, olhe as viagens que ele fez com o pretexto de que estava trazendo melhorias ao Brasil.

marcflav

Que tal esquecermos “direta e esquerda”? Se chegamos ao ponto de colocarmos todos os nomes num saco só, seja “esquerda” ou “direta”, derrapamos na superfície e não dizemos muita coisa… Posso propor uma outra antiga idéia?
Que tal analisar sob a ótica de “autoritários e libertários? Veremos autoritários em todos os partidos, em todas as classes sociais, em todas as universidades e por aí vai… Da mesma forma para os libertários. Será que encontraremos “alguns” no poder?

Mário Kodama
Mário Kodama
O problema meu caro, é que Plínio é a candidatura da esquerda que não conseguiu sair do bar, e da utopia que não conseguiu vencer a realidade, e voltou a se recolher na sua cândida idéia pura da revolução e do socialismo. E vc se engana, que ele representa o antigo PT, partido de esquerda e de massas, porque este chegou ao poder. O que ficou e se recolheu à insignificância da grande utopia foi o partido que não quer se macular, que não quer sujar as mãos, com a realidade histórica. Tem no seu bojo a contradição, de querer… Leia mais »
Raphael Tsavkko

O PT que chegou ao poder não é o PT Socialista e nem o PT que pregava transformações estruturais. Em 8 anos de governo sequer se ensaiou uma reforma agrária, Dilma chama a revisão da Lei da Anistia de Revanchismo, Collor é melhor amigo e questões como o casamento gay e o aborto nem foram dsicutidas.

André HP

Discutir “casamento gay e o aborto” é ser de esquerda?
Céus!

Raphael Tsavkko

Sim, é.

mt
mt

“Tudo é impossível até que você duvide e prove o contrário.” Plínio, POR ENQUANTO, é a utopia. Só porque o socialismo no Brasil ainda não é realidade, não significa que não possa ser um dia. Afinal, antes de realizar, temos que sonhar e planejar, e não ficar atrás de dinheiro e podres familiares para serem expostos em rede nacional de tv dos outros candidatos.

Marcio Alexandre
Marcio Alexandre
Socialismo não é utopia! Utopia refere-se, na prática, a uma situação impossível de acontecer. E o impossível é uma sociedade dar certo no sistema capitalista. Acreditar que longe do socialismo, teremos uma vida melhor é a maior das ingenuidades. Plínio representa a realidade sim! De Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador. O Brasil vai ficando para trás no continente, junto à Colômbia, por exemplo. Lula “se vendeu” aos interesses do capital. É só ver a relação que tem com representantes natos da burguesia, como Eike Batista, Silvio Santos, Edir Macedo e outros menos cotados. Se vocês quiserem continuar no sistema ditado… Leia mais »
Vanessa
Vanessa

Parabéns, Raphael. Grande abraço.

Bruno Cava
Fala, Raphael, firmeza? Não se vota em candidato. Vota-se na força política que o candidato é expressão. O Plínio tem um discurso socialista de butique, mas está ancorado num passado remoto de esquerdismo intelectual, e faz o papel cômodo de Troll Eleitoral. A luta dos dois projetos, que as candidaturas de Serra/PSDB e Dilma/PT representam, é bastante concreta, material, histórica. Voto Dilma/PT porque vejo o governo como catalisador da mudança firme que vem atravessando a sociedade em todos os frontes, numa mescla eficaz de pragmatismo e agenda social, de jogo com o sistema internacional e afirmação de um projeto terceiromundista… Leia mais »
rafael
rafael

Concordo com Bruno, alias o Plinio fala muito o que quer e não como quer, fala o que pretende mas não como pretende.Alias quem é o vice dele?

Raphael Tsavkko

Vota-se na ideologia. Num projeto de país. O que você propõe é se conformar com o menos pior, aceitar que não existem opções. MAs elas existem. Precisam ser fortalecidas. O PT não nasceu grande e diziam o mesmo aos militantes de outrora.

rafael
rafael

Xará, admiro sua opção ocorre que o eleitor, vota de acordo com seu quintal, pensando no que ele vai se beneficiar com a eleição desse ou daquele. O projeto do Plinio é bonito, mas esbarra naquilo que o Lassale definia como fatores reais de poder,pelo que se eleito, terá de compor com todos eles.

celso
celso

Vou com ele também! Com muito utopia chega-se la!

Mateus S.R
Mateus S.R

Todos riam do santos Dumont quando ele dizia que o céu iria ser dominado pelo homem,diziam que era Utopia, e vejam só temos hoje avões, Foguetes e helicópteros. E pensar que antes os utópicos viraram Gênios! seria hipocrisia acreditar que o PT,PSDB,PMDB ira mudar o Brasil pois eles se baseiam a realidade do possível, o Plinio sim poderia mudar alguma coisa pensando no impossível da realidade olhando para futuro. O Brasil Precisa de mais Utopia!!!!o Brasil precisa de mais Plinios.

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RT @Tsavkko: Porque votarei em @pliniodearruda – http://bit.ly/aeBWmh

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RT @Tsavkko: Porque votarei em Plínio Sampaio – http://bit.ly/aeBWmh (via @amalgamablog)

Carlos Augusto
Carlos Augusto

Concordo plenamente com plínio Sampaio, o último socialista que ainda continua na luta por um Brasil melhor.

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RT @Hupsel: textos de blogeiros justificando seus votos. Vale ler: Plínio http://bit.ly/cTctMx Dilma http://bit.ly/aYyCwK Serra http://b

Sandro Balbuena
Sandro Balbuena

Tsavkko? De onde vem esse sobrenome? Por acaso é de algum daqueles países de onde os torturadores tiveram que fugir no final dos anos 80?

Raphael Tsavkko

Sandro, não sei qual a relevância da pergunta, mas não é um sobrenome e sim um “nick”, um nome que costumo usar na internet e que incorporei como sobrenome. A origem, de qualquer forma, é finlandesa.

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