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Ensurdecido pelos gritos de Diários do Purgatório

por Amálgama (15/12/2010)

Resenha do primeiro livro de Juliana Dacoregio

por Ricardo Chicuta *

Um coração cortado em dois pedaços desiguais: foi a impressão que tive lendo Diários do Purgatório, livro de Juliana Dacoregio [nota: a autora escreve para o Amálgama]. Lê-lo é como assisti-la entregar a alma para os leitores, de mão beijada e sem cobrar nada. É ferida exposta, carne nua e crua e uma sinceridade que me incomodou do começo ao fim.

Para mim, que a conheço pessoalmente, é difícil aceitar que ela não é simplesmente uma gostosa agradável ao olhar, um lindo e louro pedaço de carne, como lemos no livro. Porque ninguém é só isso, afinal. Mas geralmente não queremos ver além da casca do indivíduo, nos incomodam as profundezas da alma de outro ser humano e eu não sou diferente. Ela se joga na tua frente e expõe um lado que não conhecemos, nós que não temos a sorte de lhe ser íntimos. Eu não queria saber, Juliana, mas já que você contou…

O livro é pesado, denso e difícil de encarar se você está passando por algum momento ruim. Não o leia se seus sentimentos estiverem à flor da pele, porque é o tipo de livro que potencializa teu sofrimento. Ver alguém sofrendo e se abrindo assim não é fácil.

Não terei pena dela, porque acho que não foi essa a intenção ao escrever o livro. Ela quis gritar e se fazer ouvir. E conseguiu. Estou ensurdecido pelos gritos que ouvi a cada página lida. Gostei desde o prólogo, onde ela diz “É hora de confessar-me. Perdoem-me pois pequei diante de Deus e dos homens. E continuarei pecando. Bem-vindos ao purgatório!”.

::: Diários do purgatório ::: Juliana Dacoregio ::: Virtual Books, 2010, 66 páginas :::

* Ricardo Chicuta, Criciúma-SC. Blog: asaventurasdechicuta.blogspot.com.

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