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A verdadeira história da Arte

por Amálgama (28/02/2009)

por Manoela Bowles – Era uma vez uma adolescente que se chamava Arte. Ela era uma menina inquieta que estava passando por uma crise de identidade em busca de um estilo próprio. Arte veio de uma família muito conservadora, que pregava conceitos clássicos e seguia padrões do renascimento como a verdadeira forma de ser. Mar […]

por Manoela Bowles – Era uma vez uma adolescente que se chamava Arte. Ela era uma menina inquieta que estava passando por uma crise de identidade em busca de um estilo próprio. Arte veio de uma família muito conservadora, que pregava conceitos clássicos e seguia padrões do renascimento como a verdadeira forma de ser. Mar Arte era uma menina do tempo, ela refletia a turbulência da modernidade e sentia que já não se encaixava dentro do modelo de seus pais. Que buscavam uma autonomia em relação ao cotidiano humano ao representar ideais divinos e espiritualizados. Achava que se seguisse esse caminho acabaria morrendo, pois não estava em conformidade com a sua época.

Arte queria deixar de viver a vida que seus pais queriam para ela, fechada naquele mundo tradicional. Queria conhecer o mundo dos humanos. Passou a refletir a subjetividade dos artistas em vez de representar a realidade objetivamente, como sua família fazia. O grande sacerdote da época, Hegel, disse a ela que quando começasse a representar traços individuais ela começaria a perecer. Pois estaria deixando de lado a forma para expressar o conteúdo. Mas Arte seguiu seu instinto e entrou em uma viagem de autoconhecimento.

Começou rompendo com todos os padrões tradicionais que sua família impunha a ela. Arte tentou fugir das formas acadêmicas e dos ideais de beleza e passou a se vestir com roupas mais abstratas, que comunicavam uma vontade de questionar sua própria natureza. Mas cada vez mais ela se afastava da realidade humana e se prendia aos costumes da sua família que buscava autonomia em relação à vida dos humanos. Nesse embate entre forma e conteúdo, passou por diversos estilos, como o impressionismo, expressionismo, simbolismo, surrealismo; tentando encontrar uma representação que se encaixasse nos ideais da sociedade. Mas os tempos eram de crise, ninguém acreditava mais em nada…

Arte então começou a querer se integrar mais à vida dos humanos. Ela passou a se apropriar de objetos do cotidiano e incorporá-los à sua personalidade. Mas não conseguia se afirmar por inteiro, pois seu conteúdo estava vazio por se basear apenas em idéias. Resolveu buscar dentro de si mesma uma opção que trazia à tona sentimentos. Mas as desconstruções dos ideais acabaram afetando Arte em sua própria natureza. Cada vez mais ela extrapolava seus limites como uma forma de transgressão. Acabou se tornando abstrata novamente ao tentar expressar o tempo moderno, mas não conseguia encontrar nenhum sentido que desse conta do que a sociedade acreditava. Então, resolveu representar a cultura popular e passou a ter um estilo pop.

Todos diziam que com seu espírito contestador, ela acabaria morrendo, pois com tantas experimentações ela deixou de ter uma base para ser ela mesma. Arte começou a seguir o que os críticos determinavam e acabou se perdendo no mundo capitalista que com a busca do novo a afastou cada vez mais de sua origem. Finalmente, conseguiu legitimar a sua pluralidade de estilos na pós–modernidade. Em sua busca de autoconhecimento, Arte descobriu que não tinha um estilo único. Sua natureza é de constante mudança, não precisava seguir os padrões estabelecidos pela tradição. Assim, Arte descobriu que sua essência é refletir o tempo em que os humanos se encontram, e por isso nunca morrerá.

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