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House of Cards, Eduardo Cunha e Renan Calheiros

por Paulo Roberto Silva (01/02/2015)

No cenário político brasileiro, faz falta um Frank Underwood

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Em um dos primeiros episódios de House of Cards, o personagem de Kevin Spacey, Frank Underwood, diz a que veio, ao diferenciar dinheiro e poder: “Dinheiro é a mansão moderna, que logo desvaloriza e rui. Poder é aquele casarão antigo de pedras grossas e que resiste ao tempo e às intempéries”.

A terceira temporada da serie estreia no final de fevereiro. No começo de fevereiro, tivemos a eleição de Eduardo Cunha e Renan Calheiros como, respectivamente, presidentes da Câmara e do Senado. A coincidência nos permite olhar nossos políticos mais proeminentes em comparação ao anti-herói preferido de quem gosta de séries e política.

Na comparação, Underwood ganha de lavada de Cunha e Calheiros. E a principal razão é seu foco no poder, e não no dinheiro. Underwood é capaz de mentir, comprar votos e até assassinar pessoas para atingir seu fim. São aspectos sobre os quais não posso avaliar os dois brasileiros, sob pena de submeter este Amálgama a um penoso processo. Mas o americano faz a política pela arte do poder, e não simplesmente pela riqueza que ele traz.

Se não vejamos: Underwood vive em uma casa modesta em Washington, cuida com a esposa dos afazeres domésticos, e seu maior prazer é comer costelas de porco em um bar pobre da periferia. Recebe dinheiro privado para a campanha ou para projetos da ONG da esposa, trafica influência, mas quase nada se reverte em conforto pessoal. O seu maior prazer é dirigir os rumos da maior potência do mundo.

Comparemos com Renan Calheiros: um lobista pagava mesadas de sua amante, usou avião oficial para fazer implante de cabelo, para ficarmos nos casos comprovados. Daria para fazer comparação similar com Eduardo Cunha e sua relação com Furnas.

Por isso precisamos dar razão aos que acusam os políticos brasileiros de cuidarem apenas da “pequena política”. Dado o cenário atual, um cara como Underwood, que busca o poder mais que o dinheiro, faz muita falta ao Brasil.

Paulo Roberto Silva

Jornalista e empreendedor. Mestre em Integração da América Latina pela USP.