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A ascensão da direita democrática

por Paulo Roberto Silva (13/09/2021)

O que temos em 12 de setembro é o tamanho de uma centro-direita pela base, que está se construindo nos últimos anos por fora.

Bolsominions e esquerdopatas estão comemorando juntos o tamanho minoritário da manifestação de 12 de setembro, enquanto se unem na casa de swing do pensamento em que habitam as religiões políticas que habitam o Brasil neste século XXI. Em ambos os lados, o principal alvo da crítica é o MBL, petista para os minions, bozistas para a esquerda Mercearia São Pedro.

O MBL tem sido atacado pelos dois bandos fanáticos há bastante tempo. O petismo não os perdoa pelas manifestações que apoiaram o impeachment de Dilma. Bolsonaro não aceita que nenhum grupo do campo da direita não se submeta com corações e mentes ao seu projeto que não é de poder, mas de jogar videogame recebendo salário de presidente e verba desviada nas rachadinhas sem trabalhar e nem ser incomodado.

Se é verdade que quem realmente colocou base no 12 de setembro foi o MBL, as manifestações não floparam. Pelas redes, sabemos que a mobilização principal mesmo foi deles, do Acredito e do Livres. Vem Pra Rua não foi pra rua mobilizar, e quem aderiu no final não levou base. Logo, o que temos em 12 de setembro é o tamanho real de uma centro-direita pela base, que está se construindo nos últimos anos por fora dos polos petistas e bozistas.

O MBL, em particular, tem enfrentado uma dura depuração interna depois de seu estilo de mobilização baseado no sarcasmo de internet ter atraído até 2018 os malucos iletrados e preconceituosos do bolsonarismo raiz. O Acredito sofre ataques diários e inclusive misóginos da esquerda, em especial contra a deputada Tabata Amaral, vítima preferida dos esquerdomachos. O Livres teve sua cota de crise em 2018 (“Bolsonaro não irá ao PSL”). O MBL é alvo preferido dos principais líderes do bolsofascismo desde janeiro de 2019.

O grupo, diferente de outros dissidentes, comprou a briga, e tem disputado duramente o campo da direita pela base com o Bolsonaro. Tem sido mais consequente que o Novo, rachado pelos bolsonaristas de sapatênis. Enquanto Marcel van Hattem lançou uma candidatura à presidência da Câmara para apoiar Bolsonaro, Kim Kataguiri foi o único com coragem para chamar aquele que ocupa o cargo de presidente de “tchuchuca do Centrão”.

Além disso, o MBL foi um dos primeiros grupos organizados a defender o impeachment, ao lado de PSOL e Rede. Antecipou-se inclusive ao PT, que adora se vestir de freira enquanto atende gente de pinto sujo no puteiro que paga vinte reais. O posicionamento do MBL tem sido a favor das instituições, do Congresso, da boa política de construir acordos e, sim, da Lava Jato. Nunca aderiu ao negacionismo na pandemia, pelo contrário, combatem-no desde o começo. Isto tudo o qualifica como um legítimo representante da direita democrática programática no Brasil, assim como o Livres.

Para o 12 de setembro, o MBL organizou adesivaços em várias capitais, articulou politicamente a ampliação do tamanho dos atos, e até adotou a tática de exigência e denúncia, desafiando o PT a aderir. O PT mordeu a isca, mobilizou contra, e deu legitimidade a quem apoia o mote “Nem Lula, Nem Bolsonaro”.

Até 12 de setembro, a “terceira via” parecia um balaio de gatos de gente que na hora H não romperia com Bolsonaro ou Lula. Agora ela tem uma cara programática mais clara: defesa das instituições e combate aos fanatismos de esquerda e direita. O PT e o Bolsonaro sabem disso. Por isso o genro de Sílvio Santos e “O Brasil que Deu Certo” não têm vergonha em concordar.

O mérito disso é dos movimentos políticos, tais como Acredito e Livres. Em especial, é mérito do Movimento Brasil Livre.

Paulo Roberto Silva

Jornalista e empreendedor. Mestre em Integração da América Latina pela USP.

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