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Como desarmar a bomba do ódio?

por Paulo Roberto Silva (01/10/2018)

Esta eleição está perdida, mas não o país.

Quem defende a democracia no Brasil sairá derrotado em 2018, não importa quem vença. Afinal, a uma semana do primeiro turno o pleito é liderado por dois demônios: o capitão do ódio e o representante do chefe de quadrilha preso na cadeia. A paz e a democracia são as grandes derrotadas deste ano.

Basta ver a caixa de comentários do Amálgama para este artigo. Com certeza os bolsominions virão acusar o autor deste texto de ser um maldito comunista desgraçado que merece morrer. Os petistas não virão, porque eles têm certeza de que sou um fascista de merda. Ambos estão errados. Ambos estão completamente surtados.

O Brasil vive uma onda imparável de ódio e ressentimento. Basta falar com um eleitor do Bolsonaro e você já sente aquela raiva – uma raiva tão gorda que poderia cortar com uma faca, metaforicamente. Bolsominions não entendem metáforas, eles dirão que estou defendendo esfaquear o candidato. Mas basta também falar com um petista para sentir aquele fanatismo típico de seita, aquele olhar vidrado de quem não quer desafiar suas crenças.

O mais triste é que quando olhamos para momentos similares na História, um ódio e ressentimento deste tamanho só se encerra de duas formas: ou com um completo desastre humanitário, ou com um longo e prolongado desastre. O primeiro foi o que acabou com o nazismo na Europa ou o Khmer Vermelho no Camboja, o segundo foi o que derrotou o comunismo na URSS ou o PRI no México.

Se não queremos nem um nem outro destino, precisamos desarmar em nós mesmos essa onda de ódio. Esta eleição está perdida, mas não o país. Você quer mesmo terminar tudo isso em um desastre humanitário ou que o lado vencedor governe por um longo período destruindo o país?

Os brasileiros comprometidos com a paz e a democracia precisam combater o ódio até o último homem. Afogar o ódio e o ressentimento em abundância de esperança. Não merecemos ser obrigados a nos contentar em escolher entre dois demônios. Deixemos isso aos medíocres, como os prefeitos tucanos de São Paulo que optaram por fazer campanha para Bolsonaro. A hora de construir uma oposição democrática, não importa quem vença, é agora.

Paulo Roberto Silva

Jornalista e empreendedor. Mestre em Integração da América Latina pela USP.