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Agora, mais do que nunca, é fundamental que o dia 4/12 seja multitudinário.

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Fui dormir na noite de terça-feira com um incômodo. Justificadamente, o desastre com o time da Chapecoense, que comovia o país, ocupava a maior parte do noticiário do Jornal Nacional. Mas essa terça era dia de votação das 10 Medidas Contra a Corrupção, e desconfiava que a falta de atenção popular sobre o tema poderia nos trazer o pior.

Dito e feito. Na madrugada, enquanto os olhos do país se voltavam para Chapecó, a Câmara dos Deputados deu sua contribuição ao luto desfigurando as 10 Medidas. Destaque para a atuação proativa da bancada do PT, fazendo jus à sua fama de organização criminosa.

O que o nosso parlamento nos ofereceu é um perfeito “Brigadeiro de cocô”: sob o granulado do luto do país, um doce podre e mal cheiroso, digno da reputação que a política traz.

É preciso fazer o luto que a Chapecoense merece, mas não podemos sair das ruas. Agora, mais do que nunca, é fundamental que o dia 4/12 seja multitudinário. É preciso dar um beijinho no ombro em troca do brigadeiro estragado que os deputados querem nos entregar.

Lembrando que o 4/12 pode unir direita e esquerda em torno de uma pauta comum pela decência. Convocado pelo Vem Pra Rua, ganhou a adesão de referências à esquerda como Idelber Avelar. Só não entrou a esquerda Mister Magoo, aquela que diz não ver indignação contra a corrupção após o impeachment, enquanto serve ração ao seu bandido de estimação.

A hora é agora.

Paulo Roberto Silva

Jornalista e empreendedor. Mestre em Integração da América Latina pela USP.