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O socialismo de Bernie Sanders atrai analfabetos econômicos

por Amálgama Traduções (17/02/2016)

Universidade grátis, claro, tem um apelo para os jovens, especialmente para aqueles que nunca estudaram economia.

Thomas Sowell, National Review
tradução: Daniel Lopes e João Rodrigues

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Muita gente madura está impressionada com a quantidade de jovens que estão votando no senador Bernie Sanders e são entusiastas do socialismo que ele prega. Muitas dessas pessoas mais velhas viveram o bastante para ver o socialismo fracassar, repetidas vezes, em vários países. A Venezuela, com toda sua riqueza em petróleo, está atualmente à beira de um colapso econômico, após lançar-se no socialismo.

Mas isso passou batido para a maioria dos jovens, e é muito mais provável que sua educação estupidificante apresente a inspiradora retórica do socialismo do que seu legado tenebroso.

De fato, o socialismo é uma bela visão: um mundo da imaginação, muito melhor que qualquer lugar do mundo real nos milhares de anos de história registrada. Até mesmo muitos conservadores provavelmente prefeririam viver em tal mundo, se achassem que ele é possível. Quem não gostaria de viver em um mundo onde a universidade fosse grátis, bem como várias outras coisas, e o governo nos protegesse dos acidentes da vida e garantisse nossa felicidade? Seria uma Disneylândia para adultos!

Universidade grátis, claro, tem um apelo para os jovens, especialmente para aqueles que nunca estudaram economia. Mas não existe a possibilidade de uma universidade ser grátis. Ela não poderia ser grátis mesmo se não existisse esse negócio de dinheiro.

Considere apenas os custos de um único professor ensinando apenas uma disciplina. Ele ou ela provavelmente passou mais de 20 anos sendo educado, do jardim de infância ao Ph.D., até estar diante de uma classe tentando transmitir parte do conhecimento acumulado em todos aqueles anos. Isso significa alimentação, vestimenta e habitação durante todos aqueles anos, além de outras despesas.

Toda a gente que cultivou a comida, produziu a roupa e construiu a casa usadas por este único professor, ao longo de pelo menos duas décadas, teve que ser recompensada por seus esforços, ou tais esforços não teriam continuado. E, claro, alguém tem que produzir alimentos, roupas e abrigos para todos os estudantes dessa única disciplina, assim como livros, computadores e outras necessidades ou amenidades.

Some todos esses custos – e multiplique por cerca de cem – e você terá uma ideia geral de quanto custa frequentar uma universidade. Sejam esses custos pagos em dinheiro em uma economia capitalista, ou por outro mecanismo em uma economia feudal, uma economia socialista, ou onde quer que seja, o fato é que existem altos custos a serem pagos. Em qualquer sistema econômico, ou esses custos são pagos, ou não existirá qualquer universidade. Dinheiro é apenas um dispositivo artificial para se conseguir coisas reais.

Esses jovens que entendem isso, clara ou vagamente, não são insuscetíveis de se aproximarem das ideias socialistas. O que eles querem, na verdade, é que alguém pague pela sua decisão de ir para a universidade.

Uma economia de mercado é aquela em que quem toma a decisão é quem paga por esta. Isso força as pessoas a decidirem se o querem fazer realmente vale o quanto custa. Até mesmo os subsídios já existentes para a educação superior têm levado à universidade muitos jovens com pouco interesse na própria formação, indo para lá somente para desfrutar de um adiamento da vida adulta.

Tomando os resultados de provas, horas dedicadas ao estudo ou entrevistas realizadas pelos campi, é evidente que os estudantes universitários de hoje aprendem muito menos do que os de gerações passadas. Se a universidade é gratuita, ainda mais pessoas podem frequentá-la sem se preocupar com o estudo e a aquisição de habilidades significativas para o mercado.

Para ser mais preciso: fazer com que todas as coisas sejam “gratuitas” significa também que mais dessas coisas serão desperdiçadas. Pior ainda, significa colocar mais e mais decisões que moldam nossas vidas nas mãos de burocratas e políticos, que são quem controlam a bolsinha de moedas. O Obamacare tem nos dado um aperitivo do que isso significa na realidade, apesar do quão belo soe na retórica política.

Pior, o governo ainda divide a sociedade em blocos, cada um deles tentando conseguir o que quer à custa de outros, criando uma disputa que pode romper os laços sociais.

Alguns poderiam inocentemente sugerir que “os ricos” podem ser taxados para bancar aqueles que precisam – como se “os ricos” não pudessem ver o que está por vir e colocar sua riqueza em outro lugar.

Amálgama Traduções

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