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Terror em Bruxelas: a Europa precisa enfrentar a jihad de forma ampla

por Amálgama Traduções (22/03/2016)

As bombas dos terroristas representam apenas um aspecto da jihad.

David French, National Review
tradução: Daniel Lopes

Fonte de Trevi (Roma) iluminada em homenagem às vítimas de Bruxelas (foto: Reuters)

Fonte de Trevi (Roma) iluminada em homenagem às vítimas de Bruxelas (foto: Reuters)

Aconteceu. De novo. Outro ataque terrorista em uma grande cidade europeia. Londres, Madri, Paris e agora Bruxelas. Deveria ser desnecessário dizer que isso é exatamente o que acontece quando nações abrem suas fronteiras para radicais islâmicos e então permitem que o espírito da jihad floresça dentro de suas cidades. Deveria ser desnecessário dizer que esses radicais não podem ser “ganhos” mesmo por nossas melhores intenções, as políticas mais politicamente corretas ou pelos mais ardentes desejos de multiculturalismo. A Europa tenta “ganhar” os islamistas. Os islamistas simplesmente tentam ganhar.

Por anos, conhecemos essas normas do terrorismo – ainda que não queiramos enfrentá-las. Comunidades islâmicas amplas podem abrigar e abrigam jihadistas, protegendo-os com seu silêncio ainda que não facilitem ativamente seus ataques. Locais seguros para terroristas, que antes existiam principalmente no Oriente Médio, Norte da África e no Afeganistão/Paquistão, agora existem no coração da Europa. Os terroristas acham graça dos escrúpulos ocidentais (a lei belga inclusive proíbe batidas policiais durante da noite, uma política que terroristas já exploraram antes) e se utilizam de nossas sensibilidades para facilitar matanças em massa.

Mas eis o que nem sempre sabemos. Eis o erro que sempre cometemos após um ataque terrorista de larga escala: acreditamos que isso é o que realmente é a jihad, e que detê-la significa deter a violência. Mas a verdade é que as bombas dos terroristas representam apenas um aspecto da jihad – o mais espetacular e sangrento, sim, mas apenas uma parte de um todo sinistro.

No pós-11 de Setembro, os americanos sofreram com um desfile de “especialistas” que asseguraram ao preocupado público que os jihadistas estavam pervertendo o significado do termo, que tal termo significava de verdade apenas uma batalha pacífica e interna, a busca pela bondade e santidade. Com o tempo, aprendemos a rir desse nonsense, mas, ao fazê-lo, receio que acabamos por estreitar demais o significado do termo. Para nós, jihad é uma bomba, uma decapitação.

Mas não. Jihad é uma guerra eterna, profana e global contra o infiel. Ela é travada na cabeça do crente, para fortalecer sua própria coragem e fé. Ela é travada online e nas páginas de livros e revistas, para cultivar o ódio e desprezo dos adeptos em relação ao kafir (o infiel), enquanto ao mesmo tempo se aproveita dos favores, apaziguamentos e vantagem proporcionadas pelo Ocidente ingênuo. Jihad é o ensinamento em uma mesquita. É a reza ao amanhecer, o post em mídias sociais ao entardecer e a doação para a “caridade” islâmica ao anoitecer.

Assim, combater a jihad não é uma simples questão de poder de fogo – embora isso com certeza seja vital para a empreitada. Nem é uma simples questão de aperfeiçoar inteligência e táticas policiais. Combater a jihad é um esforço espiritual e intelectual de gerações. E, se o Ocidente hoje conta com uma superioridade militar inigualável, sua mente e espírito não estão apenas grotescamente degradadas, mas têm sido intencionalmente vandalizadas.

A menos que possamos reverter esse declínio – e redescobrir as verdades universais que definem nossa civilização – nossas armas, bombas e soldados magnificamente treinados serão meramente a retaguarda, a força que atrasa o inevitável. A menos que a Europa redescubra seu coração – a coragem e fé que venceu os antigos califas – as bombas só acabarão quando os jihadistas tiverem vencido.

Amálgama Traduções

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