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A eleição mais acirrada desde a redemocratização?

por Elton Flaubert (27/07/2014)

Aécio e Eduardo são mais desconhecidos onde a presidente é mais forte

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Desde os primeiros dias de julho, os candidatos à presidência levaram oficialmente a campanha às ruas. Enquanto o guia eleitoral nas TVs e rádios não começa, tem-se a impressão de que a eleição presidencial ainda não invadiu o cotidiano dos brasileiros. Mesmo que ainda fria, e com todas as dificuldades financeiras enfrentadas pelos comitês, esta eleição promete ser a mais disputada desde a redemocratização. As razões para acreditar nisto encontram-se em diversos elementos apresentados pelas pesquisas, e são fruto da realidade que se impõe: coligações, avaliação do governo, situação da economia, desgaste partidário etc.

Para analisar algumas variáveis desta eleição, resolvi destrinchar os dados da última pesquisa Datafolha. Embora considere o instituto o mais confiável por questões metodológicas (que não cabe discutir neste texto), escolhi deter-me nele, também, por oferecer um relatório com dados mais completos e cruzados do que o de qualquer outro instituto. Nesta pesquisa, a presidente aparece com 36% das intenções de voto; o candidato tucano, Aécio Neves, com 20%; o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, com 8%; e o pastor Everaldo, com 3%. É digno de atenção o elevado número de pessoas que declaram voto branco, nulo ou em nenhum dos candidatos, com 13%; e os que ainda não decidiram seu voto, com 14%.

1. Avaliação do governo

Quando quero saber as chances reais dos candidatos envolvidos numa disputa, a primeira coisa que observo é a avaliação do atual governo. Extraindo os dados coletados por Fernando Rodrigues, complementando com dados do próprio site do Datafolha e do acervo da Folha, elaborei esta tabela com dados das pesquisas Datafolha, equiparando o estágio da campanha eleitoral nas últimas seis eleições entre o meio de julho e o começo de agosto:

* Por não ser uma eleição de reeleição, os candidatos do governo ainda não eram tão conhecidos do público em geral, e estavam abaixo do seu potencial de votos.

* Por não ser uma eleição de reeleição, os candidatos do governo ainda não eram tão conhecidos do público em geral, e estavam abaixo do seu potencial de votos.

Alguns dados chamam a atenção. A aprovação do governo Dilma (32%) encontra-se muito perto da margem do único governo que perdeu uma eleição desde 1994 (31%). O governo Dilma, neste momento da campanha eleitoral, é o mais rejeitado dos últimos vinte anos (29%).

Há outro número ainda mais relevante. Esta é a terceira eleição que um presidente busca um segundo mandato. Nas outras duas, Fernando Henrique e Lula conseguiram a reeleição. Nesta época da campanha, FHC, que venceu ainda no primeiro turno, era rejeitado por apenas 21% dos eleitores. Em 2006, Lula era rejeitado por 31%, mas partia de um número elevado das intenções de voto (44%). Dilma encontra mais dificuldades, tendo a pior situação: a mais rejeitada (35%) e o menor índice de intenções de voto (36%).

Entretanto, seria um erro subestimar o patamar do qual a presidente está partindo. Numa eleição que deve ser marcada por um número grande de abstenções e de votos em nulo e branco, 36% das intenções dos eleitores está longe de ser ruim. O contraste entre uma rejeição elevada e um bom índice de intenções de voto indica um acirramento natural dos ânimos em torno da atual comandante da nação, que deve intensificar-se a partir do momento que a campanha entre no cotidiano dos eleitores.

O ex-presidente Lula, bom leitor que sempre foi das tendências eleitorais, parece ter entendido isto ao pedir uma campanha que suba o tom. Mais do que uma escolha racional, polarizar (sem passar do ponto) é uma necessidade que se impõe. Se em 2010, diante da folga pela boa aprovação do governo, parecia um grande erro (que ajudou o adversário), em 2014 polarizar a campanha reforçando o senso de identidade, com o discurso do “nós contra eles”, parece ser um imperativo para tentar trazer de volta os eleitores lulistas. Para a oposição, este acirramento está longe de ser ruim, pois pode também potencializar a rejeição ao atual governo, transformando indecisos e nulos/branco em votos úteis contra a presidente. Diante deste cenário, não se espante se tivermos um segundo turno um tanto quanto histérico.

2. Repetir 2006?

Quando a equipe da presidente Dilma olha o retrospecto das últimas eleições, sem dúvida, tenta se inspirar na vitória do presidente Lula em 2006. Após o escândalo do mensalão, esperava-se que o governo chegasse se arrastando. Nesta época da campanha, apesar de partir de um bom patamar, Lula tinha uma rejeição elevada (31%).

A vitória retumbante no segundo turno, com mais de vinte milhões de votos na frente, escamoteou um processo que foi – e prometia ser ainda mais – duro. Durante a campanha, o bom trabalho de sua equipe e do próprio presidente para reverter tendências ficou evidente quando o seu adversário, Geraldo Alckmin, obteve menos votos no segundo do que no primeiro turno. Ainda em agosto de 2006, a rejeição de Lula caiu para 26%, e a rejeição ao governo para 16%. Enquanto a aprovação subia para 52%. Um novo escândalo, nas vésperas do pleito, levou a eleição para o segundo turno.

Todavia, há muitas diferenças entre o atual processo eleitoral e o de 2006. Não só a presidente Dilma parte de maior rejeição, e tem um governo menos bem avaliado, como conta com outros elementos de dificuldade: desgaste do PT após doze anos no poder; pior expectativa de futuro; pior estado da economia; condições políticas menos sólidas etc. Além disto, o presidente Lula contou com um fator que Dilma não poderá contar: um processo de mudança da sua base de votos.

Na pesquisa Datafolha de 5 de outubro de 2002, podemos ver que Lula obtêm proporcionalmente mais votos entre os mais escolarizados. O instituto não disponibilizou (ou não incluiu na pesquisa) o fator renda, mas tudo leva a crer, pela própria relação entre ela e a escolaridade, que o candidato petista tinha melhor votação entre os mais ricos do que entre os mais pobres. Vejamos o gráfico:

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Agora, vejamos este gráfico com dados extraídos da pesquisa Datafolha de 22 de agosto de 2006:

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De 2002 a 2006, houve uma troca na base do presidente Lula. Ele perdeu votos entre os mais ricos e escolarizados, mas ganhou entre os mais pobres e menos escolarizados. Certamente, Dilma não poderá contar com tal fator. Ao contrário, esta base de votos lulista responsável pela vitória da candidata em 2010, dá sinais de cansaço e deterioração. Vejamos o gráfico com os dados extraídos da última pesquisa Datafolha:

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Dilma possui índices menores do que Lula em sua campanha de reeleição entre os mais pobres e menos escolarizados, e já é ultrapassada por Aécio em outros estratos. Ainda assim, 49% do eleitorado de Dilma é composto por quem possui menos de dois salários mínimos como renda mensal de sua família. Chama atenção os altos índices de “branco, nulo e não sabe”, principalmente entre os mais pobres e os que possuem até o ensino fundamental. Quem conseguirá atrair os indecisos ou insatisfeitos com as candidaturas? Esta parece ser uma das chaves desta eleição, e, como veremos depois, exerce papel fundamental nas intenções de voto do segundo turno.

3. Contras e prós de Dilma

a) Desgaste do PT e do governo

Após doze anos no poder, o PT apresenta sinais de desgaste. Em 2010, o partido era declarado como preferido por 25% dos brasileiros. Na atual pesquisa Datafolha, o PT obtém a preferência de 16% dos entrevistados. Seus menores índices estão entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, com 13%; e entre os mais velhos, com 60 anos ou mais, com 12%. Seja por estar mais de uma década no poder, por disputas de valores (ou da pretensa falta deles) na sociedade, ou problemas específicos de administração, o desgaste faz-se por visível nas pesquisas.

Este desgaste aparece também na rejeição ao atual governo. Como já mostramos, Dilma é rejeitada por 35% dos entrevistados, enquanto Aécio e Eduardo o são, respectivamente, por 17% e 12%. Alguns elementos se sobressaem. Dilma é mais rejeitada entre os mais novos (45%), e menos entre os mais velhos (25%). Entre os mais escolarizados, a petista tem uma rejeição impressionante: 51% — mas que é compensada por um índice baixo (27%) entre os de menor renda. Em relação a faixa etária, Aécio tem menor rejeição entre os mais novos e mais velhos, com 15%.

Observando por região, Dilma é rejeitada por 43% dos entrevistados no Sudeste e no Centro-Oeste, e por apenas 23% no Nordeste. Nas regiões metropolitanas por 40%, e no interior por 32%. A maior taxa de rejeição de Aécio é no Nordeste, com 24%. São Paulo, um dos maiores colégios eleitorais do país, deve ter papel decisivo nessa eleição. E Dilma é rejeitada por quase metade do estado (47%).

b) Grau de conhecimento dos candidatos

Por já ter participado de uma campanha nacional e ser a atual governante, Dilma é conhecida por 99% dos entrevistados, estando, por causa disto, próxima à sua margem natural de votos. Enquanto isto, Eduardo Campos, que aparece como “terceira via”, é o que possui o maior potencial de crescimento, por ser o mais desconhecido. 59% dos entrevistados dizem conhecer o candidato socialista, mas apenas 7% afirmam conhecê-lo muito bem (contra 53% da petista). 18% afirmaram conhecê-lo um pouco, e 34% o conhecem apenas de ouvir falar. Para 39%, Eduardo é um completo desconhecido.

Por sua vez, Aécio é conhecido por 81% dos entrevistados. Mas 37% afirmam conhecê-lo apenas de ouvir falar. Vale ressaltar também que Aécio e Eduardo são mais desconhecidos onde a presidente é mais forte: entre os menos escolarizados e os de menor renda.

Eduardo e Aécio participam de sua primeira campanha nacional e, naturalmente, partem de um patamar mais baixo de votos pelo desconhecimento. Com o começo do guia eleitoral, com os debates, e com a intensificação da campanha, deverão crescer principalmente entre os que rejeitam Dilma mas ainda não se decidiram por um candidato, ou mesmo entre os que pretendem anular seu voto. Os números do segundo turno já dão mostras disso, pois qualquer adversário da presidente dá um salto na intenção de votos, capturando justamente estes eleitores.

Um dos objetivos de Eduardo deverá ser ganhar votos que outrora foram lulistas ou que estão balançados entre votar ou não em Dilma. Neste sentido, temos um dado relevante: 45% dos eleitores de Dilma desconhecem por completo o ex-governador de Pernambuco. E entre os 55% que o conhecem, 35% são apenas de ouvir falar. Em São Paulo, Eduardo é conhecido por apenas 58% dos entrevistados. Em relação ao tucano, 78% dos eleitores de Dilma dizem conhecê-lo.

c) Alianças nos estados, máquina partidária e tempo na TV

Ao contrário da eleição de 2010, onde Lula e o PT conseguiram montar palanques razoavelmente homogêneos nos estados, a base da presidente Dilma dá sinais de degradação. Se por um lado ela conseguiu reunir muitos partidos na sua chapa, ganhando mais de doze minutos de tempo de televisão, por outro estas alianças não significam necessariamente extensão aos estados.

Ter o triplo de tempo na televisão sobre seu principal concorrente é um fator importante a se considerar. Com tanto tempo, a equipe da presidente irá certamente produzir boas peças publicitárias para convencer o eleitor que o seu governo tem sido positivo, e que ela merece um novo mandato.

O fato da máquina partidária petista ser bem maior que a tucana, e esmagadoramente maior do que a socialista, é um elemento considerável, mas não absolutamente decisivo. Em 2002, quando os tucanos perderam a eleição, José Serra contava com mais de dez minutos no guia eleitoral, e o seu principal adversário, Lula, possuía apenas cinco minutos.

Um grande problema para Dilma é o fato das alianças em âmbito nacional pouco reproduzirem-se nos estados.

Observando o raio-x das coligações partidárias, vemos a “salada” dos palanques regionais. Desde que está no poder, certamente esta foi a eleição que o PT teve mais dificuldades para elaborar esses palanques. No Rio de Janeiro, quatro candidatos ao governo apoiam a atual presidente, mas este apoio não é necessariamente estendido aos deputados. Embora o PMDB nacional esteja na chapa da presidente, e que seu candidato ao governo, Pezão, também declare apoio, a maior parte do partido no Rio irá fazer campanha para Aécio. No Ceará, Dilma tem o apoio do principal adversário do candidato do seu partido (apoiado pela atual gestão), Eunício Oliveira. No entanto, Tasso Jereissati (PSDB) é o candidato da chapa ao Senado, e uma parte do PMDB cearense parece estar disposta a fazer campanha para Aécio. Em muitos estados, a configuração é a mesma.

Diante de suas condições, o PSDB montou palanques regionais respeitáveis, aproveitando-se das divisões na base da presidente. Se estes rachas ainda não puderam se traduzir no plano nacional, apostou-se nas divisões dentro dos estados, ao invés de lançar candidaturas sem a menor chance de vitória como em 2010. Se por um lado isto nem sempre se traduz, no plano nacional, em apoio direto do candidato ao governo dos tucanos, por outro, ao entrar nessas chapas híbridas, ele de certa forma obriga os partidos de sustentação à presidente a darem certa maleabilidade às suas bancadas regionais. Como quem já acompanhou eleições no interior sabe, em menores centros a ação do prefeito com seus deputados é determinante, até mesmo na distribuição dos chamados “santinhos”. O PMDB pode apoiar nacionalmente Dilma, mas como há uma homogeneidade muito menor do que em 2010, iremos ver em vários estados candidatos seus ao governo, ao senado, às câmaras federais e regionais, apoiando Aécio ou Eduardo. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, o candidato ao governo, Nelsinho Trad (PMDB), declarou apoio a Eduardo Campos.

De tal maneira que fica difícil avaliar qual o tamanho real dessa máquina governada por Dilma. É certo que ela é grande e muito maior que a dos concorrentes, mas qual o nível de sua homogeneidade? Qual seu real tamanho? E principalmente: a sua capacidade de transferir isto em votos no interior do país ainda é a mesma de 2010? Sabemos que, sem uma bela votação no interior do país, as chances de reeleição de Dilma ficam menores.

Outro fator que não deve ser desprezado a favor da presidente é o fato do PT ser realmente o único partido do país que possui uma militância de verdade, com uma rede não só de filiados, mas também de simpatizantes, que fazem campanha diariamente, debatem, tentam conquistar votos, sendo muitos deles “formadores de opinião”. Derrotar o PT com a máquina na mão de certo não é a coisa mais simples do mundo.

d) A disputa pelos “regulares”

38% dos entrevistados classificam o governo Dilma como “regular”. Dentro desta fatia, Dilma ainda possui a liderança, com 30% das intenções de voto, seguida por Aécio Neves (21%) e Eduardo Campos (9%). Votos nulos, brancos e indecisos somam 31%. Porém, 31% desta fatia do eleitorado rejeitam a atual presidente, e afirmam que não votariam nela de maneira alguma.

É interessante observar também que 48% dos evangélicos pentecostais rejeitam Dilma, e a maior parte deles está no estrato de menos de dois salários mínimos como renda mensal, onde a petista vai melhor.

4. Fator regional

Vejamos estes dois gráficos de intenções de voto por região e tamanho das cidades:

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O fator regional tem sido decisivo nas últimas eleições. É difícil mensurar qual percentual de responsabilidade das últimas vitórias petistas deve-se a renda ou ao fator regional, ou se um está imbricado no outro. Como se sabe, boa parte da vitória petista em 2010 deve-se ao Nordeste e aos mais pobres. A pesquisa Datafolha mostra que 62% dos entrevistados no Nordeste possuem como renda familiar mensal até dois salários mínimos. No Sudeste, esta taxa é de 35%, no Norte de 46%, no Sul de 31%, e no Centro-Oeste de 34%.

Como já era esperado, Dilma vai melhor entre os eleitores do Norte/Nordeste e das cidades menores. Um fator a se observar nos próximos meses será a velocidade do crescimento de Eduardo, principalmente no Nordeste. Lá, Eduardo está na frente de Aécio, mas ainda possui uma boa margem para crescer. Com exceção de Pernambuco, ele é basicamente desconhecido no interior do Nordeste, e mesmo nas regiões metropolitanas. Uma transferência de votos entre os indecisos, ou mesmo entre os eleitores de Dilma, para Eduardo no Nordeste, deve preocupar bastante a campanha petista, pois significa um desgarramento crucial no eleitorado lulista.

Enquanto isto, Aécio precisa aproximar-se de Dilma no Sul, e vencê-la no Sudeste, região com mais eleitores no país. Para isto, São Paulo será um estado decisivo. No atual momento, a pesquisa Datafolha aponta um empate entre Aécio e Dilma no estado, ambos com 25%. Eduardo possui 8%. Nulos, brancos e nenhum são 20%, e 11% ainda não sabem. Na capital, Aécio já aparece na frente de Dilma, com 26% contra 24%.

5. Segundo turno

Na simulação de segundo turno, Dilma e Aécio aparecem em empate técnico (44% x 40%). Dilma e Eduardo aparecem próximos também, 45% contra 38%. Vejamos os números mais de perto, na disputa entre a petista e o tucano:

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Por região:

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Aécio empata tecnicamente com Dilma no segundo turno, devido a uma transferência de votos entre os indecisos e o voto nulo/branco para o adversário da petista — seja ele quem for. Entre os que afirmaram votar em branco ou nulo no primeiro turno, 10% decidiram-se por Dilma no segundo turno contra Aécio, 35% pelo tucano, 52% mantiveram-se, e 3% declararam-se indecisos. Entre os indecisos no primeiro turno, a petista obteve 26%, o tucano 39%, brancos e nulos 7%, e mantiveram-se indecisos 27%.

É possível que o Datafolha tenha antecipado uma tendência, a partir do momento que Aécio e Eduardo se tornem mais conhecidos do grande público, ou que apresente uma fotografia potencializada da rejeição da presidente.

No estado de São Paulo, Aécio vence Dilma por 50% contra 31%. Sendo que, na capital, ele obtém 52% contra 29% da sua adversária. Entre os que avaliam o governo como “regular”, Aécio ultrapassa Dilma e ganha por 43% contra 40%. O tucano ganha também entre os eleitores de Eduardo: 55% contra 26%.

6. A mais acirrada?

Dificilmente uma eleição será tão emocionante, cheia de variáveis e causos, com nomes com tanta força simbólica, como a de 1989. Porém, a eleição de 2014 apresenta, por enquanto, tendências que nos permitem pensar que será a mais disputada em termos percentuais desde a redemocratização. Há muitas variáveis boas e ruins para o governo e para a oposição. E isto engloba não só os elementos políticos e econômicos, mas também sociais, e principalmente culturais e ideológicos.

Neste texto, preferi sintetizar os dados que apresentavam tais tendências (como uma fotografia) na última pesquisa do Datafolha, em detrimento da discussão de outros aspectos importantes — como a situação da economia, a questão dos valores, os problemas político-partidários etc.

Eleições municipais nem sempre dizem algo a respeito da situação nacional, pois as localidades possuem conjunturas diferentes da nacional. Entretanto, captando certa unidade e tendências que vão se mostrando, é possível estabelecer algum tipo de paralelo. Em 2008, a taxa de reeleição dos prefeitos foi a mais alta da história. Para tal, influiu bastante a boa percepção do eleitorado, que tinha a impressão que sua vida tinha melhorado e iria prosseguir este caminho. Em 2010, esta tendência prosseguiu, com a vitória da candidata do atual governo no plano nacional, e com a reeleição da maior parte dos governadores. Em 2012, a taxa de reeleição dos prefeitos foi a mais baixa da história. 2014 dará prosseguimento a esta tendência?

Diante de todas as variáveis levantadas, e praticando o perigoso exercício da futurologia (meramente opinativo), com o atual cenário, eu daria 45% de chances de vitória a Aécio Neves, 40% a Dilma. Aguardemos os próximos capítulos da campanha eleitoral.

Elton Flaubert

Doutorando em história das ideias (UnB). Estuda a fundação da ONU.