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O atentado ao Instituto Lula e as perspectivas da oposição

por Paulo Roberto Silva (02/08/2015)

Episódio coloca água no moinho petista e explicita vácuo de liderança na oposição

i-lula

Com a autoridade de quem já condenou o uso da violência como tática política pela esquerda neste mesmo Amálgama (O perigo das minorias violentas, Os métodos fascistas em voga e As táticas da violência no estado de direito), estou à vontade para condená-la quando usada pela direita. Afinal, o recurso à violência política em um Estado de Direto é condenável em qualquer circunstância, seja contra uma agência bancária, seja contra um ex-presidente.

Assim como no caso dos black blocs, o atentado ao Instituto Lula conta com a omissão ou até mesmo certo apoio velado dos movimentos de oposição – este último caso dos Revoltados Online. Na violência de esquerda, só o PSTU condenou a tática. Na de direita, apenas setores do PSDB. O problema é o mesmo, apenas o sinal foi trocado.

Tanto lá quanto cá, os efeitos da complacência com a violência tendem a ser os mesmos: esvaziamento das ruas, fortalecimento do discurso de vítima do PT e do governo. Por isso, é uma estupidez aceitar este tipo de tática. Nem estou levando em consideração as suspeitas de armação – nenhuma pista aponta para isso. Este discurso da violência plantada pelo inimigo é o mesmo adotado por gente como Marcelo Freixo diante dos black blocs – e todos sabem onde estava Sininho.

Mas qual a origem da complacência? Ouso dizer que, assim como no pólo esquerdo, a raiz é o vácuo de liderança. Em 2013, os black blocs suplantaram as mobilizações de massas no momento em que a esquerda perdia o controle sobre elas. Em 2015, as vaias em locais públicos e agora a bomba suplantam as mobilizações no momento em que elas podem servir de claque aos Eduardo Cunhas da vida (veja o que os Revoltados Online dizem de Catta Preta e as ameaças que ela diz sofrer).

A falta de liderança de qualidade na oposição fez com que ela perdesse o bonde da reforma política – processo em que Cunha nadou de braçada, apesar de derrotado no distritão – e agora perde o potencial de mudanças institucionais que podem vir da Lava Jato. Parece ignorar o esforço de diversos setores – sendo Eduardo Cunha o mais expressivo – em limitar o alcance das investigações ao PT, transplantando a máquina de corrupção para novos donos.

Um marqueteiro político me confidenciou que os pagamentos por fora de campanhas eleitorais cresceram de 20% a 80% do total entre 2002 e 2014. A maior parte de empreiteiras. Com elas na cadeia, apenas dois grupos conseguiriam bancar tamanho caixa 2: o crime organizado e igrejas padrão Edir Macedo. Ou seja, limitar-se a punir e hostilizar o PT significaria entregar o país ao que há de pior entre os evangélicos e ao PCC.

Por isso, tolerar táticas de violência não ajuda. A oposição tem nas mãos a oportunidade de promover a educação política que o PT no poder não fez. Os liberais e mesmo conservadores esclarecidos têm muito a oferecer. Foquem nas mudanças institucionais e na proteção à Lava Jato. E, principalmente, isolem os malucos.

Paulo Roberto Silva

Jornalista e empreendedor. Mestre em Integração da América Latina pela USP.