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Qual dos dois perigosos candidatos apresenta o maior risco?

por Amálgama Traduções (11/08/2016)

Então por que não votar em Donald Trump, já que ele não tem um programa conhecido de enfraquecimento das liberdades constitucionais?

Thomas Sowell, National Review
trad. Daniel Lopes

Hillary Clinton e Donald Trump

Um ano atrás, em agosto de 2015, esta coluna chamou “The Donald” de trunfo dos democratas. É difícil imaginar qualquer outro candidato republicano que pudesse salvar uma completamente desacreditada Hillary Clinton de uma derrota devastadora na eleição deste ano.

Agora, 50 republicanos de peso, com experiência em política externa e segurança nacional, deram o passo sem precedentes de pública e coletivamente anunciarem que não podem votar em Donald Trump, porque acreditam que ele seria “o presidente mais irresponsável da história americana”. Por quê? Não apenas porque ele “mostrou repetidamente” que “tem pouca compreensão” dos “interesses nacionais vitais” da nação, mas porque “o Sr. Trump não tem mostrado o menor interesse em se educar”.

De fato, Donald Trump tem mostrado pouco interesse real em qualquer coisa além dele mesmo.

Sua resposta a essas críticas foi completamente previsível. Trump sequer tentou responder as acusações ou assegurar o povo americano sobre algo tão importante quanto sua sobrevivência ou a sobrevivência desta nação. Ao invés disso, houve a tática padrão de Trump de lançar acusações sem base contra seus críticos.

Mesmo se todas suas acusações contra os críticos estivessem 100 por cento corretas, isso não é garantia para o povo americano sobre as questões vitais que eles levantaram – e às quais se juntam inúmeros exemplos de palavras e atos do próprio Trump, que fazem muitos se preocuparem com o que ele faria na Casa Branca.

O argumento mais forte – de fato, o único argumento – para se votar em Trump é Hillary Clinton. Em ambos os casos, a questão não é se viveremos um mau governo. O perigo muito maior é que cada um deles pode criar uma catástrofe irremediável.

Com Hillary Clinton na Casa Branca, não há a menor dúvida de que ela nomeará candidatos à Suprema Corte que destruirão tanto o direito à livre expressão da Primeira Emenda quanto o direito à autoproteção armada da Segunda Emenda. E isso será apenas o começo do desmanche da Constituição.

Hillary já anunciou seu desejo de derrubar uma decisão da atual Suprema Corte – Citizens United v. FEC – que estipulou que tanto corporações quanto sindicatos têm direito à livre expressão. Se o governo pode tornar ilegal a livre expressão, virtualmente não há nada que ele não possa fazer, porque as pessoas não estarão mais livres para exporem seus delitos. A Sra. Clinton tem um longo histórico de esconder seus delitos, desde o governo de seu marido em Washington, e antes disso em Arkansas.

Então por que não votar em Donald Trump, já que ele não tem um programa conhecido de enfraquecimento das liberdades constitucionais?

Há poucas coisas piores que ser privado de nossos direitos constitucionais básicos, dos quais em última instancia depende nossa liberdade. Mas uma dessas poucas coisas é ser privado da própria vida a partir das decisões de um presidente volátil, mal informado, imaturo e egocêntrico em plena era nuclear. Excessivas palavras e ações de Donald Trump o tornam um candidato ao título de homem mais velho que nunca cresceu. Nada que ele diga contra seus críticos pode mudar isso.

Como chegamos a esse dilema onde nossas escolhas para presidente se restringem a um nome que inspira desconfiança e outro que inspira repugnância – e onde ambos são perigosos?

Na largada, os democratas tinham menos e pouco promissores candidatos. Os republicanos tinham um número de candidatos com realizações substanciais.

Os republicanos começaram esse jogo com as melhores cartas, mas as desperdiçaram no que parece uma derrota certa na eleição de novembro – derrota não apenas para Trump, mas para outros candidatos republicanos que ficaram manchados pelo comportamento imaturo e repulsivo do homem que agora encabeça a chapa.

Um erro chave do establishment republicano foi concordar, mais uma vez, em realizar assim chamados “debates” em que um palco cheio de candidatos só deixou espaço para alaridos curtos e superficiais. Trump foi, e é, o rei do alarido superficial.

Será que o establishment republicano aprenderá alguma lição disso tudo? Muito improvável. Elites presunçosas raramente aprendem.

Amálgama Traduções

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